Opinião

Os três protagonistas da democracia em STP

Patrice Trovoada andou foragido das ilhas sagradas durante um período de quase dois anos sem, no entanto, beliscar a sua liderança partidária. No regresso contou com uma frota de guarda-costas especializada na defesa pessoal e jurídica da vida pública e política portuguesa e, não só.

As imagens guiaram-me a especular que alguns garimpeiros trocaram Angola por São Tomé e Príncipe na pretensão de esvaziar o nosso tanque de petrodólares e queimar na raiz o nosso sonho de Dubai em 2024.

SAMSUNG DIGITAL CAMERASem ver olho da terra durante um longo e não aconselhável período, além de condenações próprias da distância do tempo, a questão comum com que me chaparam acertou em cheio na esperança emordaçada. Como vês o país passado quase duas décadas?

Não animei ao debate. Quase vinte anos. Tal e qual fui narrando e de que foram chegando as reportagens por várias janelas da actualidade vi a terra flagelada no tempo e com a capital comercial mais africana que nunca. Sem novidades que pudessem sujeitar-me a autocrítica pessoal.

A agenda conduziu-me ao único hospital de São Tomé. Os testemunhos vivenciados e até uma jovem mãe nua como Deus fez, a higienizar-se da água do balde por detrás da pediatria que nem nos hospitais de campanha, não são de nada abonatórios de partilhar na tribuna do Téla Nón.

O propósito em São Tomé e Príncipe, coincidentemente proposto pela empresa onde presto a contribuição profissional, não poderia ter acontecido na hora certa e no lugar certo que em cima das eleições para contar os votos.

No sábado eleitoral tive de conferenciar com alguns amigos de ADI, antigos alunos e colegas no erguer da cidade e do distrito. O único camarada que se atreveu ao caminho com a coragem de identificar a outra coloração política, MLSTP/PSD, chapou-me na barba de que eu teria mudado de fileiras.

Não estranhei. Trouxe ao testemunho fundamentos já anteriormente acusados a liberdade pessoal de que na página do facebook fiz vivamente campanha para ADI. Não lhe convenci de que o alcance da democracia me permitir margens de partilha de todo o material que me foi visitando da campanha, sem fronteiras, distinção de propostas e candidaturas eleitorais.

Tinha uma agenda definida para as duas semanas na terra natal de que me ocuparia apenas com o povo, apenas com ele, já que um dos seus elementos acamado e em pura batalha pela vida após um AVCismo – San Mosa na Trindade – reclamava de mim, ao menos que fosse um abraço de filho a percorrer o hospital e as clínicas.

Queixaram-se de picardias contra o partido, ao que funcionou, de imediato, como reagente químico. Os estimulantes lançaram-me ao desafio de mexer na agenda para dois encontros oficiais. Tinha de apresentar-me nos quarteis generais e esclarecer as supostas dúvidas envolta da minha liberdade de pensar e de escrever e, por aí, em diante.

Com os pés seguros no chão sagrado, Abnilde d’Oliveira, antigo Secretário de Estado e porta-voz do partido, respondeu ao meu pedido de um encontro, o mais urgente e ao mais alto nível com o chefe.

SAMSUNG DIGITAL CAMERAApesar da animação popular nessa noite já ditar os resultados eleitorais, faltando apenas esclarecer nos votos de domingo que tipo de maioria a castigar a revolta nacional e atribuir as promessas eleitorais, fui peremptório de que não levaria na manga qualquer intento suspeito. Talvez sim, pedido de benesses ao povo.

Alterado a passagem discreta pelo país, restava a solicitação de confronto com um terceiro protagonista da nossa democracia, o presidente da república, na pessoa do economista Manuel Pinto da Costa.

Na manhã de voto, fortemente guarnecido pelos militares, confrontei a unidade policial que recebia as últimas ordens do chefe para que me fosse concedido uma recordação turística, embora o vocábulo não me pertencesse.

Recebi um bofetão dos agentes policiais que só não me pus fora com o coração nas mãos, porque ainda me sinto santomense e muito mais que isso estava no meu território, Trindade.

Confesso que a minha ousadia centrava apenas no meu tempo. De 1990 a 1997 sob a presidência do professor Felisberto Batista de Sousa, a nossa dupla dirigiu os trabalhos da Comissão Eleitoral Distrital de Mé-Zóchi no singelo contributo a planta lançada à terra da qual os democratas – políticos – não repartiram com o povo o bem-estar social e económico.

No primórdio inaugural da democracia, a polícia e os militares permaneciam aquartelados e comparecendo ao exercício democrático, sem armas e de preferência à paisana.

Porquê do teatro bélico e de desfiles de polícias e militares no escrutínio e até em patrulha pelo distrito e, quiçá pelo país, aos olhos dos observadores internacionais?

O povo apenas celebrava a festa da democracia no seu direito de decidir o Estado de Direito Democrático em controversa com o governo que havia declarado o estado de sítio com o fecho das escolas públicas.

A sede em fotografar contrastou com a ventania de urna e lançou-me a uma mãe, palaiê de Praia Cruz, que muito antes das oito da manhã já percorria Trindade ao Cruzeiro e até aonde a canção a levaria em busca do ganha-pão. E à que horas vai votar?

Na peregrinação de abraços e justificações pelo abandono da terra e do povo, apercebi-me de um dos assessores do presidente Pinto da Costa. Diallo Santos prometeu encetar com o seu colega Gika um furo para que eu comparecesse a frente do presidente de todos os santomenses.

O tempo correu com a contagem e confirmação oficial dos votos ao favor de ADI que não estava preparada para a tamanha vitória. Não tinha um governo sombra para assumir aos destinos do país como a nação veio a confirmar no desinteresse de pegar na hora a agenda política, económica e social das ilhas, adiando a tomada de posse do PM para quando calhar.

A maioria absoluta dá o poder, mas jamais tão exclusivo para que a democracia não caía na ditadura por interpretações díspares de feitos dos legisladores.

Nos festejos e rescaldos da vitória eleitoral voltei a incomodar por duas vezes as minhas cunhas, dirigente de ADI numa margem e assessor da presidência da república na outra, ligeiramente mais novos que os meus primeiros educandos, de que prescrevia no dia 24 de Outubro a minha demora nas ilhas.

No alto da capital de Mé-Zóchi descobri a paixão de Pinto da Costa pela arte. De um antigo caroceiro anda a germinar uma escultura moldada por mãos mágicas de um mestre que me trouxera a lembrança, o Malangatana.

O postal expressivo dessa engenharia congrega argumentos das portas do palácio da cidade vir a abrir, ao longo do ano, às escolas das ilhas para que as crianças comessem a redesenhar o futuro a partir do antigo caroceiro do Mouro da Trindade.

Agradeci ao Diallo Santos por comungar o desafio e cumprido a ousadia. Esgotaram as duas semanas sem a chamada de Abnilde d’Oliveira a confirmar ou recusar o prometido encontro com o presidente de ADI, conhecedor como ninguém da casa que vai assumir pela terceira vez.

Irrisório e arriscado, os dois anos a crer no trampolim para a presidência da república na lista das minhas curiosidades. Enquanto isso, o tango no sítio de rumba já teve o seu início com o extrapolar de tomada de posse do governo e dos deputados a mais uma legislatura.

A última oferta da tarde memorável do presidente da república ao fixar dos nossos olhares cúmplices dá direito de partilha. São Tomé e Príncipe, vencerá sempre!

Pinto da Costa a oficializar o romance com o partido, claramente vencedor das últimas eleições fazendo às suas vontades, não há mais prova e inequívoca de que o presidente da república elegera a estabilidade e o consenso em nome de São Tomé e Príncipe. Que assim seja!

Não me convenço de que a semelhança de Patrice Trovoada que entregou a fé ao islamismo terá escolhido o caminho de Testemunhas de Jeová.

Por cada bofetada irá sempre entregar a outra face? Fotografei a nova igreja no centro da Trindade superlotada e as Testemunhas de Cristo ataviadas, perfumadas e de face sorridente contrariamente ao que deixei há quase vinte anos.

No dia decisivo assisti no segundo período a alegria da cidade que acordou ao leve-leve a entupir pelas costuras como que fosse a tarde de Nazaré ou Deus-Pai com uma cantiga contagiante do abubé ao letrado: “ Kúa ku sá mon, zó sá gi sun.”

Uma exigência no imediato – o futuro maquiavélico, fictício ou abençoado nas mãos dos políticos – bastava uma cerveja nacional. No terreno fértil, o rebanho comungou de que a tróica governamental barrou o levantamento da massa dos bancos, não obstante um milhão de euros queimados na campanha eleitoral.

De todas as forças políticas poderosas no cenário político nacional, apercebeu-se do banho e do sonho andarem disfarçadamente de mãos dadas pelas ruas de votação. Afinal, somos todos primotas – STP.

Trindade inundada de jovens deu garantias de que o distrito rejeitou por completo ao MLSTP/PSD de Rafael Branco, Alcino Pinto, Guilherme Octaviano, António Quintas Aguiar e companhia, exigindo rapidamente que o partido rejuvenesça sem olhos grossos nas eleições de 2016 e 2018. A travessia é pelo deserto.

Felicitei pessoalmente a nova Presidente da Câmara de Mé-Zóchi, Isabel Domingos, quem não avistei no banho da multidão do fim-de-semana eleitoral. Da população tem o recado de arregaçar as mangas, porque Nelson Carvalho aos olhos do distrito deixou obra feita. Chafarizes públicos, vias iluminadas, estradas remendadas, bombeiros e muitos empregados.

Não resisti as lágrimas defronte aos escombros do antigo hospital e maternidade, patenteada escola preparatória e local de encontros políticos e sociais da cidade. Associação de Socorros Mútuos, a obra da família Graça e dos associados de outros tempos, símbolo do poder da Trindade no confronto directo com o regime colonial português no vendaval fúnebre.

O vapor democrático de quem anda nestas lides, elegante torna as felicitações ao partido vencedor, ADI, ao seu presidente Patrice Trovoada e sobretudo ao povo que mais uma vez elevou brilhantemente o nome de São Tomé e Príncipe nas páginas internacionais.

Com todos os ingredientes a dar início a marcha na pretérita badalada de Jalego “lôssô tlêzê conto”, o tempo imediato reclama dos santomenses de vários quadrantes o trabalho árduo para a inauguração do nosso Dubai nos próximos dez anos.

José Maria Cardoso

05.11.14

 

    16 comentários

16 comentários

  1. Ignorante

    5 de Novembro de 2014 as 10:53

    O título ñ tem nada à ver com o artigo, poderia ser um pouco mais objectivo.

    • Stp

      9 de Novembro de 2014 as 9:39

      Oooo ainda sei ler . For a primeira intensao que tive . Artigo sem pe nem cabeca.

  2. Zé Boina

    5 de Novembro de 2014 as 12:29

    Falou muito e não disse nada. 🙂

  3. Martinho Pires

    5 de Novembro de 2014 as 12:36

    STP de Todos

  4. HELDER SANTOS LIMA

    5 de Novembro de 2014 as 12:51

    sim José Maria Cardoso gostei desta sabia e sincera maneira de se expressar a tua opiniao sobre a Democracia em STP. E todos santomenses de vários quadrantes devem sim trabalhar árduo para a inauguração do nosso Dubai nos próximos anos. Assim e que falar, pensar e espremir prudentemente para a mudanca de comportamentos desta nossa jovem Democracia.

  5. Antonio

    5 de Novembro de 2014 as 14:04

    O povo não sabe o que é um governo trabalhando, Porquê?

  6. Ma Fala

    5 de Novembro de 2014 as 14:52

    Cardozo com seus artigos poucos coerentes e com uma logica que obriga os leitores a serem conhecedores de formulas matimaticas analiticas e de fisicas quanticas, porque caso contario nao ha compreensao possivel.

    • Stp

      9 de Novembro de 2014 as 9:51

      Rrrsssssss nao estas a fazer muito uso da sua sabidoria or do seu conhecimento das teorias mathematicas e fisicas. Para escrever para um jornal como tela non temos que pensar nos leitores. Ma fala me parece ser detentor do saber or de toddo conhecimento, hummmmm sera?

  7. mamadou calado

    5 de Novembro de 2014 as 20:17

    Não sei o que meu amigo anda a fumar mas desta vez tu piraste mesmo. Não te trates não e acabarás num manicómio. Eu comecei assim mas felizmente me tratei a tempo. Boa sorte rapaz.Se cuide, heim!!!

  8. FCL

    5 de Novembro de 2014 as 22:53

    Por acaso no ultimo minuto acabei por dar o meu voto ao ADI. As outras alternativas já sei que seriam mais do mesmo e acho que o devemos dar oportunidade a quem demonstra querer fazer alguma coisa, “nem que isso possa custar a vida de alguns”…. Espero que daqui a 4 anos eu não tenha que tirar dos meus arquivos a minha favorita letra musical:
    Era só Jajão quando tu dizias que teríamos facebook de graça PT. Era só jajão quando tu dizias que teremos arroz branquinho e barato PT.  Era só jajão tu falavas, de Dubai, de bolsas, porto de aguas profundas. Era só jajão tu dizias para votar na mudança.
    O que faço eu se não tenho facebook, o que compro eu com 500 000 dobras. O que faço eu se não tenho nem água no quintal.. O que faço eu me diz por favor.
    Me diz porque por amor de deus sabes que eu votei para ti de coração. Eu não mereço, São Tomé não merece.
    Foi muito pior que bala de canhão, de príncipe para rei do jajão eu não mereço, São Tomé não merece ohhh. Juro ninguém merece.
    Eu juro não entendo PT parece coisa mandado suire. E se for “devê” quebra este feitiço eu quero o meu Dubai. Porque eu amo. Amo demais estes pais. Amo. Me diz que podemos agora fazer

  9. iaga

    6 de Novembro de 2014 as 9:22

    que decepção, poderá o tempo se encarregar da tamanha mudança, … cuida ti, que deste modo, porás em causa a saúde da senhora sua mãe,….. a quem desejo melhoras.
    falas do estrago, registrado em S.T.P. volvido 2 décadas, está certo, é indiscutível, no entanto o flagelo do tempo parece que não atingiu somente as nossas ilhas, propagou-se um pouco por além fronteiras, particularmente a diáspora …

  10. sotavento

    6 de Novembro de 2014 as 9:27

    Sr. jose Maria Cardoso
    Seja mais explicito, li e reli e nada…

  11. Nitócris Silva

    6 de Novembro de 2014 as 9:42

    Bom dia povo,

    Caro amigo mamadou calado, espero que ele deixe fumar essas ganzas pelo bem dele e pelo partido que ele representa. Porque não vejo nenhum tratamento possível para uma alma tão destroçada, não entendo que tipo de desespero leva um homem a publicar semelhante coisa. Espero bem que tenha solicitado aos visados no seu complexo melodrama que ia publicar esta “M”, caso contrário o lugar dele tem mesmo que ser num manicómio. Sabendo que és um cristão, perdoa coitado porque ele já está enterrado até ao pescoço e quer levar os outros com ele. Deixa o com a cobardia dele, que o tempo trata disso. Boa sorte.

  12. Gabriel Costa

    7 de Novembro de 2014 as 9:16

    Não entendi nada

    • BintouDjallo

      7 de Novembro de 2014 as 14:54

      Outro vadio, que escreve em nome do Gabriel da Costa.
      Ai eu acho que deve ser interpelado o falso e o uso da falsa identidade, dita usurpaçao de identidade, porque é um grave delito!

  13. BintouDjallo

    7 de Novembro de 2014 as 14:57

    Trata-se de um vagabundo que usurpou o nome do Gabriel da Costa.
    Nestas condiçoes, acho que deve interpelar-se estes vadios e penalizà-los, porque é um grave delito, o de usurpar a identidade de alguém.
    Là que se inventem nomes, para escrever, é menos grave do que de usurpar a identidade de alguém.

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