Quem atira a primeira pedra !

Esta é mais uma questão que me tem deixado perplexo.

Não sou de frequentar lugarejos onde frequentemente aos fins do dia os homens (normalmente homens), se juntam depois de mais uma jornada de trabalho, para falarem dos mais variados assuntos do próprio dia, e dos anteriores, sobretudo, se tem havido ou ocorrido algo com relevância estável.

Porém, são precisamente nesses lugares onde se tem e se sente o pulsar do País Real. O chamado (Santómé Télá ôu).

Apesar do franco convívio, nem tudo se passa de forma harmónica. Alguns, que se mantêm em pé esteados pelos kotas, porque de nada têm ao perder, vão soltando de entre as gargalhadas e zombarias, algumas frases soltas incompletas (eles também abusaram quando estiveram no poder, ou ele esteve muito tempo como director ou ainda, ele foi um mau político e, mais ainda, dizem, também não deviam fazer assim, devia ser doutra maneira porque ele tem filho prá criar, ela tem marido doente etc.); prá alguns, sorriso, para outros, nem tanto, e uns poucos, corroborando ou repudiando vão tentando equilibrar o festim, no intuito de acalmar os mais incomodados e inconsolados; pois que, o ambiente variegado no que tange à cores políticas, desajusta-se às vezes por efeitos de certos desconfortos emocionais que essas situações e dizeres obviamente provocam, sobretudo se houver alguém da família apanhado na onda do afastamento imprevisto nos cargos de direcção na administração pública; aqui inclui-se se empresas públicas.

Tudo volta de repente ao normal com a intervenção daquele que é mais autoritário, normalmente dono do lugar, que impõe autoridade, geralmente nos seguintes termos: não liguem isto, é uma brincadeira e aqui é sempre assim: – estamos aqui, para gozarmos a (nossa vida não temos nada com política). São todos iguais.

Hoje, fora das lides da política, entendo melhor essas pessoas; vão vivendo e se distraindo assim, como se o mundo começasse e terminasse nesses «opúsculos e crepúsculos» quadrados ou rectângulos, ou círculos de gentes simples que na verdade não querem senão um pão e «maxipombo», (peixe voador que enche o estômago de ar, de baixa qualidade nutritiva, prá pessoas de baixa renda) como várias vezes bem expressam.

E eu, no entremeio que fazer? O que dizer se não fui poupado, pese embora positivamente? Fui apanhado, e aí, que reacção podia ter? Intuitivamente pensava em tudo que vi, vivi na política e ainda hoje vejo e vivo fora do privilegiado palco. Pois que abrir à boca naquele lugar era motivo para receber cascata de críticas, teria criado uma soberana ocasião para o efeito; não seria fácil porque, quer, queira, quer, não, fiz parte da TROIKA.

O que importa é que conheço o meu grau de responsabilidade e envolvimento em tudo isto, e não me arrependo de nada, por ter colhido dele ensinamentos que só àquele momento histórico me podia proporcionar. Outros, certamente, como eu, aprenderam também… Aprenderam a lição da vida e do comportamento na política; afinal, é tudo luta pelo poder, e pelo exercício do poder político; o que não é de todo mau quando feita em democracia, com total respeito pelas pessoas, e pelas leis.

Mas, o mais importante é, do que extrai desse convívio em particular; em primeiro lugar, que as pessoas não são tão ingénuas e inconscientes como aparentam ser; sabem muito bem interpretar o actual momento político e convergem no que se refere ao futuro próximo; em segundo lugar que (ao meu ver), tudo aponta para uma nova surpresa benigna; em terceiro lugar, que oxalá esteja eu enganado!

À parte, como é que vêm as substituições dos diferentes responsáveis na administração pública. As opiniões divergem atendendo a qualidade da sua fonte polissépala; sou no entanto, forçado a aceitar, o que é tido e visto como mais certo: quem atira a primeira pedra?

Na verdade, este é o cerne do problema; todos fazem-nas ou fizeram-nas após às eleições, com maior ou menor grau de profundidade, e em todas as latitudes políticas, com vista à satisfação dos seus membros e ou, militantes políticos.

Pese embora pessoalmente, tenha dado um certo exemplo porque não sou favorável a esse tipo de acção na administração pública, antes privilegiando certa estabilidade e passagem gradual entre gerações, tenho como aqueles também, dificuldades em censurar honestamente, (pelo menos à luz do que tem sido prática na realidade são-tomense) os que hoje procedem do mesmo modo e forma em respostas às situações anteriores, ou, ao que julgam ser mais eficaz, relativamente aos seus propósitos político-administrativos. Todavia, se foram produzidas dias antes, um discurso diferente do que à prática se vem revelando, seria mais natural e até muito benéfico e plausível que agissem de conformidade, em favor da diferença que o país bem merece.

Disse – Dr. Ângelo Correia em Portugal, que há discursos que não se devem ter, quando a prática pode desmentir as palavras…

Porém, estamos em sede da política.

 

Eugénio Tiny

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    Dondo Responder

    Encontra-se ferrido, desilidido e desnorteado.A culpa e sua, porque nessa cabeca ainda existe a ideia de que os lugares sao cativos, nao obstante referis que nao frequenta os lugares de ma -fala, o que acho, muito bem. Quem quizer ter uma personalidade propria, que nao e de igualdade ao tudos outros, no deve passar por aqules lugares. Ai, nao ha o respeito pela diferenca; somos todos iguais,etc O resto e da politica. Como politico deve entender isso .

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    Chaves e Madruga Responder

    Mas sincerramente o que é que essa cara vem escrevendo!
    Ele tá louco ou quê!.
    Oh senhor Tiny, procure urgentemente um serviço psiquiatrico para se tratar.
    Cuidado porque o meu primo cinco que vivia no Riboque começou assim.
    Tenta dizer coisa com coisa e não procure subterfúgios para inteligent5emente tentar cuspir no prato que comeu…..olha,….e que comida! Comida que nunca imaginaste que seria para o seu bico se não fosso o teu paro de oportunismo(quando ainda estavas razoável).

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    Santola Responder

    Eugenio Tiny, o senhor calado é um poeta.

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    Maria silva Responder

    Será que não somos mesmo ingênuos?
    Ou compraram alguns a preço de banana?

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    Fernando Castanheira Responder

    Devias e calar e nao fazer espectaculo. Queres encostar ao Patrice? Tal como fizeste com o Fradique? Seja claro.

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    seabra Responder

    …..mister Tiny, o OPORTUNISTA – Camaleão, paga muito caro na sociedade de Malandros, quando a porca torcer o rabo…Artchung!

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    sotavento Responder

    Este sr. deveria ter mais respeito aos leitores do tela non.
    Deveria pensar um pouco antes de escrever essas churradas porque
    se visitamos esta pagina é porque queremos saber da nossa terra e nao de coisas sem pés nem cabeca.

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    paulo pedro Responder

    a 1ª pedra,2—todas para essa sua cabeça

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    Geri Responder

    Este TINY deveria é ter vergonha e pagar o que deve no Banco…

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