Escuta Santomense

Como todos os seres humanos da terra tens virtudes e defeitos, não foges à tua condição de mortal.

Como todos os seres, nasces, cresces e morres, não escapas a este percurso.

Como toda a gente sofres e tens momentos de alegria, corres nu ainda inocente e dás cambalhotas e flik flaks na praia, cores no mato e corres bançá, despreocupado da vida. Comes o que apanhas, caroço, ou comes a banana com peixe e o azeite de palma, ou sendo filho do senhor ou senhora de tal e qual, comes pão com manteiga e bebês leite ou chá ao pequeno almoço, comes ao almoço, lanche e jantar, ou comes aquilo que os teus pais te podem por na mesa, ou até comes ” barriga vazia” e bebes água e vais para a cama.

Andas quilômetros para a escola, com pouco na barriga, nada ou pouco aprendes, pois é difícil aprender quando se não ensina bem e se não puderes frequentar o”ensino de qualidade”

Como em todo o mundo, aqueles que mais teem são muito,poucos e os que “quase” nada ou nada  teem são muitos e o que existe nunca chega a todos nem é repartido por todos.de insulta modo.

Assim corre a tua infância.

Vais crescendo e vais vendo que uns da tua cor e iguais a ti andam sempre bem vestidos e calçados e comem bem e tudo do bom e tu comes migalhas e sempre o mesmo que nunca te satisfaz e que a planta dos pés que é apesar de tudo igual a tua é desigual porque anda no chão.

Aí, santomense, sentes a “diferença” e começas a sofrer, com a diferença, a perguntares a ti mesmo sem resposta porque é que não és “igual” apesar de te veres e seres na carne  “igual”.

Aí sofres e com este teu sofrimento vem a “raiva” de te conheceres igual e não seres “igual”.

Aí nasce a tua revolta pela diferença, perdes a tua Inocencia. aí começas a querer ter e possuir e ter mais e entras nos “esquemas” para te manteres pior do que estas e as vezes consegues sair para o teu desejo, uma bolsa para “estudares” fora. Começa sem volta o teu apelo por “sair” a tua atração pelo que está fora.

Sofres “fora” sem dinheiro para as propinas, para te agasalhares, comer e as dificuldades que apesar de tudo  não te matam, ficas mais “calejado” aprendes a “desenrascar” aprendes “esquemas” de pedir, de fingimento, de conseguir a “qualquer meio” e assim começas o caminho do fingimento, da maldade até o teu coração humano se fechar e endurecer como pedra.

Formado ou não e sabes-se lá em quê e como, já então te sentes com todos os direitos de ser “alguém” aspiração legítima, porém no teu íntimo estas disposto a conseguir vendendo até a tua alma ao diabo.

Guardas para ti o pouco que aprendeste. Deixas de ter tempo para ler e cultivar te, o estudo diário e continuo das matérias da tua formação inicial, cede por completo as típicas ocupações diárias, já não tens tempo para ler, para estudar e julgas que já sabes tudo não precisas de “aprender”mais.

Os anos vão passando e vais perdendo hábitos de estudo e exército mental, paraste no tempo.

Tudo quanto surge de novo é um perigo para ti, pois mostra a tua “fraqueza” e como te tornaste “estúpido”.

Por isso “atacas” tudo quanto é novo, tudo quanto é jovem com capacidade que há muito perdeste.

Fechas todas as portas, usas o teu poder e influência para não permitir que a verdadeira competência se mostre.

Dizes mal, colocas aqueles que são verdadeiramente competentes e capazes em lugares menores por causa do teu medo de ser exposta a tua incapacidade, incompetência e ignorância.

Aí tornas te político ou bisneiro e sem consciência social e moral, pois não queres lembrar nunca mais o teu passado.

Matas a partida toda e qualquer possibilidade de ser desenvolvido um bom trabalho.

Preferes deixar tudo na mesma pois só assim podes continuar a “mandar” a ser tu o chefe.

Preferes não  mexer em nada, não alterar o que sabes que está mal para não te expores, com medo de mostrar que nunca foste ou já não és capaz de fazer e por isso matas à nascença qualquer hipótese de colaboração de qualquer jovem que mostre ter ideias, afogas a sua capacidade num mar de coisas inúteis que lhe arranjas para nada ele fazer unicamente para continuares no teu lugar.

Se ré saíres bem, tens carros grandes, casa grandes, muito dinheiro, mulheres em quem fazes filhos e abandonas, só para teu bel prazer.

Tornaste te num ser egoísta, nada te chega e não deixas que qualquer outro seja sequer uma pessoa.

Pensas que todos são teus inimigos, deitas todos em baixo e intrigas pois és o homem forre e rico e poderoso.

Mas iludes te até mais do quando nada tinhas,

Maltratas os outros teus semelhantes porque te vês como o ser superior.

Mas sabes ? Tu não és nada, sendo assim. Vives na ilusão, do poder, do dinheiro, do malefício, e não sabes que te estás a iludirte a ti mesmo. Pois tudo quanto comes e negas aos outros.  Tudo quanto acumulas, não levas para debaixo da terra. Iludeste e enganaste te a ti mesmo. Pois olhando pára ti não és feliz e nunca serás assim um ser humano completo  vives no medo de te tirarem as coisas, de descobrirem que tudo é falso que a tua riqueza não pode dormir descansada.

E depois estas velho, vais morrer como todos os outros, e não tens tempo de gozar mais, pois a vida não é eterna.

Para quê santomense ?

Pergunta a ti mesmo se vale a pena, fazeres o bem e fazeres aqueles que como tu nada tiveram ser felizes, com o que conseguiste, com toda a tua riqueza e poder, se não serás também um ser feliz.

Pensa santomense o que mais vale? A tua morte dizerem em abono da tua memória” este homem” foi um homem bom, ajudou muita gente, deu o sorriso a muitas crianças e a muitos velhos, ou até mesmo a todo um povo ? O teu povo de onde saíste, pela terra que te há de comer.

Pensa santomense em ser feliz,  ou pelo menos tenta ser feliz e ser uma boa alma.

Só assim serás um verdadeiro homem.

Carlos Semedo

 

 

 

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    Ma Fala Responder

    Acho o vosso artigo oportuno, mordaz, assas e acima de tudo de vertente reflexiva, um retrato fiel da matamorfose dos Homens santomenses detentores do poder, todavia o mesmo na minha opniao tambem e contraverso uma vez que inumeras vezes o articulador ao ser criticado nas anteriores publicacoes agiu de forma inusitada, recorendo a insultos, linguagens de ruas -etc o que desvirtua a brilhante corente de pensamento.
    Sapere Aude!

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    Solrac Responder

    Sábias palavras Sr.Dr.Juíz. Espero que todos leiam o seu artigo e para bom entendedor meia palavra basta.

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    manuel costa Responder

    …pode tudo isto ter uma redação bem estruturada, mas a mim me parece uma visão demasiado catastrofista, e de desalento para quem lê e vê o reflexo de si próprio como estivesse em frente a um espelho.
    De uma maneira geral não é isto que que o santomense é, e não é isto que o santomense quer ler.O Povo quer explicação, sem complicação.
    E depois de o mundo lhe cair em cima, ao dar conta de tanta desgraça,
    “Pensa santomense em ser feliz, ou pelo menos tenta ser feliz e ser uma boa alma.”
    Esta receita em nada vai resolver, e se frustração existe, ela aumentará com certeza.

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