Opinião

Um olhar sobre opiniões jornalísticas

“Temos de ser capazes de assumir os erros cometidos com humildade porque todos o cometeram e a, partir daí, ultrapassar o passado, encarar com realismo o presente e construir, com esperança, o futuro”, palavras do Presidente da República Doutor Manuel Pinto da Costa, por ocasião do quadragésimo aniversário da Independência Nacional, em 12 de Julho 2015.

Cabe-nos — os sãotomenses — o dever  de exprimir nosso profundo reconhecimento, pelas suas palavras. Mas a honra que ele nos concede, conciona, sobretudo, uma convocação para servir São Tomé e Príncipe, em hora de apreensões, incertezas e dificuldades. Compreendo, que o seu intuito foi premiar em nós, os serviços prestados à Pátria ao longo destes anos de trabalho, de luta, de sacrifícios e de vida pública.

O prémio desses serviços está no privilégio de podermos, juntos,  prestá-los, hoje e sempre àNacão são-tomense. Juntos, tivemos de promover uma Revolução em 1974, e o fizemos conscientes de que não havia outro meio de evitar que o País mergulhasse no caos, evitando a tentativa de impor ao povo um sistema de vida e estilos de comportamento incompatíveis com a dignidade humana, ensombrado aos interesses daquele presente, contrários à vocação do seu futuro. E, juntos, quando pregamos a continuidade da Revolução, pretendíamos que significasse o imperativo de manter-lhe as inspirações, difluir-lhe aspirações e assegurar-lhe os ideais, para que ela não fosse um episódio perdido no decurso da nossa História.

A nossa Revolução teve profundas origens populares, num grandiosa Associação Cívica, que levou às empresas agrícolas, às ruas e às praças homens, mulheres, jovens e velhos, de todas as classes sociais, dispostos a lutar por Deus e pela Nação, unânimes no apoio e decisivos na solidariedade.

Não há poder político legítimo que se eleve sobre os Parlamentos. Nasceram para dar às sociedades as leis e as normas, reunir as experiências ao calor da inteligência, da competência e da razão, a fim de garantir a continuidade da vida nacional, na paz e na justiça. Daí,  as responsabilidades acrescidas..!

Ninguém se sente em segurança, e os mais fracos, devorados também pelo desespero da miséria, sentem-se tentados a colocarem-se sob a protecção de delinquentes que organizam simulacros ao Estado, disseminando o roubo e a violência sob o perverso pretexto de que substituem a justiça. É dever do Estado agir com todo o rigor para manter o monopólio da força, assegurando o cumprimento da Lei e eliminar esses focos de banditismo.

No entretanto, urgente se torna reconhecer que eles não surgem do acaso, nem se alimentam apenas da criminalidade organizada. A criminalidade encontra os meios de sua realização porque o nosso Estado se ausentou das questões fundamentais, suscitando, cada vez mais, a miséria e a pobreza.

Estamos, às vezes, alheios ao sentimento de que estamos diante de pessoas humanas iguais a nós, companheiras de nosso destino nestas terras, sob este mesmo céu e de comum história. A nossa sobrevivência como Nação depende da união de todos e do trabalho comum, da distribuição da riqueza ou da pobreza e de todos os recursos existentes.

Entre as providências de ajuste, inclui-se a incompreensível riqueza prosélita de dirigentes, dos gastos públicos que os detentores do poder político ostentam, de forma abusiva e ciclicamente.

O Estado deve investir obedecendo a critérios sociais, sobretudo, no emprego, e em todas as questões sociais (infra-estrutura, educacão,cultura, saúde, na agricultura), conducentes à recuperação da confiança da sociedade nos governantes, nos políticos, como condições indispensáveis à retoma do processo de desenvolvimento nacional.

Assistimos, todos os dias, os desafios dos políticos versus empresários que desistimulam os patronatos (cidadãos lúcidos, estimuladores da economia, que consideram a empresa como instrumento do progresso social e não como mera fonte de lucro). Julgo que deve ser garantido a estabilidade das regras económicas e assegurarmos que não serão tomadas decisões arbitrárias, nestes domínios. E, estaríamos certos de que esses agentes económicos e financeiros entenderão agora que a paz e a tranquilidade social são também de seu interesse permanente.

Há uma crise do Estado, em todas as latitudes, com a perda dos valores tradicionais de referência, como os de trabalho e de família, das organizações religiosas e das ideologias, das regras e de normas próprias, de administração saudável e da responsabiliade civil. Além dessas perplexidades, o progresso industrial e tecnológico nos trouxe outras, como as de possíveis catástrofes ecológicas e naturais, e comunicações instantâneas. De, igual modo, assistimos, de forma cobarde, odiosa, comportamentos doentios que têm sido dirigidos ao Chefe de Estado e da Nação são-tomense, de forma insustentável e pecaminosa.

A transição democrática de São Tomé e Príncipe, que culminou na Independência de 1975, teria sido inconcebível sem a vitalidade da Cívica, que logo (face aos pressupostos daqueles tempos!) permitiu a conversão em assembleia constituinte conduzida por (todos!) com vigor cívico que, graças ao trabalho diligente de todos, trouxe-nos a Independência fecunda e inspiradora.

Teria sido inconcebível, também, sem a severa vigilância dos riboquinos e jovens intelectuais, que através de actividades cívicas,  organizaram de modo tão correcto e transparente o pleito que restituiu ao povo de São Tomé e Príncipe, o direito de escolher seus governantes e seu destino.

Nem poderia a transição democrática chegar a termo sem tropeços institucionais se não houvesse firme vontade nacional. Meu respeito e minha consideração a todos os sectores organizados da sociedade que souberam lutar e trabalhar pela vitória da democracia.

Meu apreço e meu louvor, a cada um dos meus compatriotas, vivos ou mortos que, por não terem perdido a esperança, o equilíbrio e o espírito cívico, fizeram com que a transição pudesse ocorrer em paz, sem violência, apesar de grandes dificuldades económicas ao longo deste percurso.

Relembrando tudo isso, espero dos partidos políticos, das entidades e dos cidadãos que actuem com o melhor sentido de interesse público, a generalidade do pensamento do nosso compatriota, porque é de registo, de reflexão, de apoio politico e educativo as intervenções do Dr. Carlos Tiny, no acto de proclamacão da Liga dos Combatentes da Pátria. Não precisamos concordar com tudo, pois o contraditório faz parte da democracia.

As minhas saudações e o meu  apoio consciente, fundamentado e sincero, ao autor pela coragem e lembranças (..!); porquanto precisamos todos da crítica que nasça de uma avaliação objectiva e racional da grandeza deste povo. Tenho firme certeza de que o apoio e a crítica serão balizados sempre pela determinação patriótica de colaborar na construção colectiva de nosso futuro comum. Assim é nas grandes democracias. Assim é aqui, — na Europa. Assim há de ser, igualmente, em São Tomé e Príncipe.

Que a competição eleitoral de 2016 não seja mais uma fábrica de cisões e rancores insuperáveis. A nossa própria ideia da legitimidade do processo induz não apenas ao acatamento legal do resultado, mas também à apreensão íntima, pelos cidadãos e, em especial, pelas lideranças políticas, a sociedade civil organizada para que as eleições não  terminem com a celebração dos “vencedores” e o desânimo dos “vencidos”, mas como uma renovação da confiança de todos, irmanados pela vontade de construir um País melhor, mais justo e mais feliz.

O nosso primeiro compromisso inalterável é com a Democracia.

Ao restaurá-la em São Tomé e Príncipe, reatamos com o melhor da nossa tradição de direito, liberdade e justiça, procurando, doravante, não só mantê-la como aprimorá-la, não só honrá-la como enriquecê-la, estaremos colocando São Tomé e Príncipe na vanguarda de um processo histórico de escala inédita.

Vivemos, no século XXI, é uma era de democratização! Tenho a firme certeza que, juntos, vamos ruminar os autoritarismos do rufião, e vamos somando liberdades. Hoje, mais do que nunca, o princípio democrático se acha vivificado pela prática da cidadania.

São Tomé e Príncipe, pode não ser uma das melhores ou maiores  democracias do mundo, mas não pode figurar à traseira desse movimento universal de libertação da humanidade e de generalização da inestimável prática democrática de governabilidade, do estado de direito, em estrita observância dos direitos fundamentais.

Essa perversão das funções estatais —  agravada por singular recuo na capacidade extractiva do Estado —  exige que se redefina, com toda a urgência, o papel do aparelho estatal entre nós. Meu pensamento, neste ponto, é muito simples. Creio que compete primordialmente à livre iniciativa —não ao Estado— criar riqueza e dinamizar a economia. Ao Estado corresponde planear sem dirigismo o desenvolvimento e assegurar a justiça, no sentido amplo e substantivo do termo. O Estado deve ser apto, permanentemente apto, para garantir o acesso das pessoas mais desfavoráveis a determinados bens vitais.

Deve prover o acesso ao emprego, à moradia, à alimentação, à saúde, à educação e ao transporte colectivo a todos que deles dependam para alcançar ou manter uma existência digna, num contexto de iguais oportunidades — pois outra coisa não é a justiça, entendida como dinâmica social da liberdade de todos e para todos.

Pessoalmente, entendo assim o Estado. Não como produtor, mas como promotor do bem-estar colectivo. Daí a minha perpétua convicção de que a economia de mercado é forma comprovadamente superior e regenerante de riqueza, de desenvolvimento intensivo e sustentado enraizadas em economias  abertas, mais eficientes e competitivas, além de oferecerem bom nível de vida aos seus cidadãos, com maior e melhor distribuição de riqueza.

Não devemos, eternamente, abrigar, a propósito, nenhum preconceito colonial ante o capital estrangeiro. Ao contrário, devemos ser, cada vez mais, hospitaleiro em relação a ele, embora, é claro, sem privilegiá-lo, na base de transparência e do interesse nacional sobre o conceito de honrada gestão da coisa pública.

Não me anima a ideia de discriminar nem contra nem a favor dos capitais externos, mas esperamos que não falte seu concurso para a diversificação da indústria, a ampliação do emprego e a transferência de tecnologia em proveito da sustentabilidades do nosso país.

Contra o egoísmo doentio das elites autocráticas escrevo, e retrato a minha perspectiva e conhecimento de São Tomé e Príncipe. E é com a mesma convicção que escrevo despertando a atencão de todos os são-tomenses para à responsabilidade do poder político.

O meu avô, Sún Pianá, sacristão fiél da igreja católica da Trindade, foi pelos ditos um defensor das liberdades. Nas minhas intervenções (artigos de opinião) é costume, dirigir-me aos meus dignos leitores, retratando o país, as instituicões e os dirigentes. A única, simples e humilde manifestacão de uso das liberdades cívicas, que a Constituição e as leis me conferem.

Contudo, cabe a mim, igualmente, estender aos meus compatriotas o seu legado, um convite à participação política, a todos os níveis. Sei que, ao proceder assim,  desfrutarão de mais viva simpatia da sociedade e, particularmente, dos são-tomenses, sensibilizados para o esforço de integração social do País, cujo fundamentos de política, porém, jamais deixaria de ser a Soberania, o Desenvolvimento, a Paz e a Segurança nacionais.

Que as nossas elites, principalmente as políticas, saibam avaliar bem o momento histórico que vivemos  e estejam sempre à altura das generosas aspirações do Homem, do Povo e da Nação  — São Tomé e Príncipe.

Hämeenlinna, 24 de Julho de 2015.

Júlio Neto

    9 comentários

9 comentários

  1. Titus Andronicus

    26 de Julho de 2015 as 16:46

    Caro Júlio Neto,

    O amigo disse ”Que as nossas elites, principalmente as políticas, saibam avaliar bem o momento histórico que vivemos e estejam sempre à altura das generosas aspirações do Homem, do Povo e da Nação — São Tomé e Príncipe.”.

    Eu respondo-lhe: Não temos elite, nem elites. Também nisso somos um país original. Desgraçadamente, para nós.

    Abraço e obrigado pelo esforço.

  2. Ralph

    28 de Julho de 2015 as 6:25

    Gosto dos princípios neste artigo, incluindo o papel de governo na sociedade. É importante também assegurar que os políticos se lembrem que são servidores do povo e não o contrário. Estou certo que todos os políticos do mundo entram na vida política com a ideia de servir a sua população, mas isto rapidamente muda uma vez que têm estado no poder há alguns anos. Ficam acostumados aos privilégios de poder e começam a tratar os seus salários e abonos como direitos. Esquecem-se de que estão no poder para produzir resultados para os eleitores, não para forrar os seus bolsos.
    Aqui na Austrália, houve recentemente um caso de uma política que voou menos de 60 quilometros para assistir a um angariador de fundos partidário quando ela deveria ter levado o carro. E pior, ela não parece perceber que o público detesta este tipo de comportamento. E agora a classe política está a resistir reformas modestas ao sistema para reduzir a possibilidade destes abusos de privilégios porque todos os partidos gostam de aproveitá-los. A melhor solução para este problema é transparência, como disse o autor. Brilhando uma luz na situação é a melhor maneira para arrumar as corrupção e outras más ações de políticos. Eles precisam ser lembrados por quem trabalham e ser punidos quando erram. Apenas então os eleitores vão ter confiança no sistema político.

  3. MIGBAI

    28 de Julho de 2015 as 16:26

    Meu caro Júlio Neto.
    De uma forma geral leio tudo o que o meu amigo escreve, porque gosto da forma como o faz, levando-nos a meditar nas suas palavras.
    Geralmente não comento os seus escritos, porém hoje tenho que o fazer.
    Diz o meu caro Júlio Neto a dada altura da sua intervenção “A transição democrática de São Tomé e Príncipe, que culminou na Independência de 1975, teria sido inconcebível sem a vitalidade da Cívica, que logo (face aos pressupostos daqueles tempos!) permitiu a conversão em assembleia constituinte conduzida por (todos!) com vigor cívico que, graças ao trabalho diligente de todos, trouxe-nos a Independência fecunda e inspiradora.”.
    Meu caro Julio, não podia estar mais em desacordo consigo e sabe porquê?
    Ao atribuir-se á Cívica o que diz, o meu caro Júlio pura e simplesmente esquece o enquadramento político á altura que se vivia em Portugal, com a revolução de 25 de Abril 1974.
    Repare, se Portugal quisesse que STP continuasse fazendo parte do território português, não eram os elementos da Cívica que o iriam impedir, nem nunca teriam tido força para o fazer, nem a comunidade internacional iria impedir que STP continuasse português, já que era sabido por toda a comunidade internacional, que a dimensão de STP e a sua base produtiva, não tinha hipóteses de vingar e ser um pais independente ( e a prova está á vista passados 40 anos).
    Todos os Cívicos eram miúdos estudantes sem conhecimentos de guerrilha, aliás até fugiam e se borravam todos, caso ouvissem uma granada a estoirar perto deles, porém com a abertura de Portugal á descolonização, com o povo numa parte de Portugal a gritar e manifestar-se nas ruas para o regresso dos soldados do ultramar, a junta militar á altura vista como heróis da revolução tiveram que ceder ao que o povo lhes pedia.
    Sempre por detrás das manifestações do povo português a pedir o regresso dos militares, estava a máquina política do comunista alvaro cunhal, e tanto era assim, que no norte de Portugal, local mais conservador, as manifestações de rua quase que não existiam, ao contrário da zona sul de Portugal onde estava implantado o comunismo, com a ocupação das fabricas/empresas e roças (herdades).
    Quem deixou que STP seja o que é hoje bem como deu rédia larga aos cívicos, foi um homem chamado álvaro cunhal e outro chamado mário sores.
    Mais, o alvaro cunhal do partido comunista português, que veio da URSS e sempre fez questão de ceder á união soviética as ilhas de STP, para aqui se estabelecerem os russos, fazendo assim confronto geopolítico com a base das lajes situada nos Açores que pertencia e pertence aos americanos..
    Sabe sr.Julio Neto, nós aqui em STP, vemos tudo sempre pela rama, e não aprofundamos, e como é obvio, sai de vez enquando asneira.
    No melhor pano também cai a nódoa e eu que tenho tanta admiração por si, acabei agora por ficar um pouco triste com o seu trabalho, pois faltou-lhe profundidade jornalística, no aprofundar dos conhecimentos.
    Mas enfim, não vai ser este seu trabalho que vai mudar a minha forma de o admirar.
    Com os melhores cumprimentos,
    MIGBAI

    , porque somente

  4. De Longe

    29 de Julho de 2015 as 11:47

    É facil de se entender que a Associação Cívica como qualquer outra força política, associativista, grupal ou individual terá sempre contestatários e com razões justificadas. Todavia, torna de grande injustiça não reconhecer o papel da Associação Cívica na criação do sentimento de coesão populacional em direcção à construção de uma “Pátria Renovada”. Quando surgiu a Associação Cívica, foi também criada a Frente Popular Livre (FPL) com o objectivo de defender a federação com Portugal. Se houver quem sabe das coisas mais que pela rama, mas em profundidade, peço que nos expliquem se essa frente teria algum contacto com qualquer força política em Portugal e se haveria viabilidade política em Portugal e no panorama político internacional, para que tal federação acontecesse.
    Tenho a certeza de que se a decisão passasse apenas pela vontade popular, o rumo seria o mesmo que acabou por ser devido ao forte empenhamento da Associação Cívica. Acredito que sem a associação cívica a FPL teria usado o vazio formativo e informativo para conduzir o povo por um caminho exactamente oposto (falando apenas da manifestação da vontade).
    Agradeço a contribuição do sr. Júlio Neto e peço que me desculpe o facto de eu ter abordado só a questão da Associação Cívica num artigo tão pertinenete.
    O facto é que não sei avaliar o bem ou o mal da Associação Cívica como não sei avliar se foi bom ou mau termos tornado independentes com os resultados que estão à vista. Na verdade passo a perguntar:
    – Se um padrinho se esforçar tanto para dar um carro topo de gama ao seu afilhado e este perder a vida mum acidente com o mesmo carro poderemos dizer que foi má ou que foi boa a oferta?
    Ouso afirmar que a independência foi o melhor que podíamos ter tido e agradeço a todos que se envolveram na realização da mesma e reconheço também que estamos a fazer dela o pior que nos podia acontecer. Vamos muito a tempo de mudar o rumo dos nossos destinos.

    • MIGBAI

      30 de Julho de 2015 as 9:36

      Meu caro “De longe”
      Quem me dera poder responder ás suas dúvidas no primeiro paragrafo.
      Não sou político, nem muito letrado, para além da minha proveta idade, já não me permitir acalentar em ser jornalista de investigação.
      Mas acredite que estou a ficar com uma enorme curiosidade, e uma coisa a que me nego na vida é a comer o que me põe á frente dos olhos, sem saber o que é!
      Porém, faz o meu caro amigo uma pergunta que é a seguinte:
      “- Se um padrinho se esforçar tanto para dar um carro topo de gama ao seu afilhado e este perder a vida mum acidente com o mesmo carro poderemos dizer que foi má ou que foi boa a oferta?”
      Bom, aqui, deixe-me que lhe diga, que não há boa nem má oferta, pois o que esteve por base é a intenção em favorecer o afilhado com um bem que foi a viatura.
      Contudo, deixe-me que lhe faça duas questões.
      1ª O padrinho ofereceu a viatura ao afilhado, mas convicto que iria usufruir dela, quando e sempre que necessita-se?
      2ª O padrinho ofereceu a viatura ao afilhado, mas sabendo que iria sempre usufruir da mesma, tirando vantagem do sobrinho ter carta de condução e ele não?
      Repare que se olharmos para a viatura como sendo a independência, a Cívica o padrinho, e o povo sendo o afilhado, fique sabendo que o que está em causa é o oportunismo do padrinho, sabendo dos proveitos que vai tirar, com a oferta efectuada ao sobrinho.
      Faço-lhe agora a sua pergunta final: ” poderemos dizer que foi má ou que foi boa a oferta?”.
      Um grande abraço.
      Migbai

  5. De Longe

    3 de Agosto de 2015 as 10:36

    Caro “Migbai”
    Começo pelo fim para lhe agradecer o abraço porque prezo muito qualquer sinal que me faz sentir próximo dos são-tomenses. Também, agora no início, aproveito para pedir que me desculpe só responder neste momento depois de se ter dirigido directamente a mim. Ausentei-me durante uns dias e só vi hoje o seu comentário.
    No último parágrafo agradeci a todos os que se envolveram na realização da independência como sendo o melhor que podíamos ter tido mesmo entendendo que estamos a fazer dela o pior que nos poderia ter acontecido. A associação cívica cabe nesse agradecimento pelo seu contributo. Se basearmos no seu comentário vemos que ela foi não a responsável única pelo processo.
    Mesmo assim vou fazer um exercício de reflexão aceitando a sua permissa no sentido de a associação cívica ser o padrinho: a julgar que os humanos são corruptíveis, têm as suas sensibilidades e interesses pessoais e de grupos, um povo ainda por cima em regime democrático, nunca deve votar e descansar por considerar que o futuro foi entregue a alguém de confiança. É sempre necessário que a liberdade e a justiça social sejam reguladas pelo interessado: o Povo. Os dirigentes são trabalhadores do povo que apenas usam a impreparação da sociedade para o ter controlado. A preparação do povo exige muito tempo e dedicação mas nunca devia ser tão descuidada como fazemos em STP. Até estamos a colaborar activa ou passivamente na destruição da pequena preparação que o povo podia ter. Ex: o banho e a atribuição de cargos de responsabilidade sem qualquer noção da responsabilidade pelo benefício do patrão (POVO).
    Assim ouso afirmar que a oferta foi boa mas pessimamente controlada por quem de direito: o Povo.
    Se houvesse consciência social na altura (poderia dizer instrução da camada populacional, mas digo consciência porque maior instrução pode levar a maior capacidade de destruição) até podíamos dizer: “Estamos convosco mas não pensem que vão fazer disso o que quiserem.” Não acha “Migbai”?
    Acredito que vamos a tempo e devemos nos dedicar para inverter o rumo em vez de procurarmos os bons e os maus do passado. Temos um presente para preparar o futuro. Fazemos melhor se procurarmos pensar e usar apenas o que há de bom em cada um. Não quis ser extenso, sei que o fui, mas evitei imensas coisas boas sobre as quais devíamos e acho que teremos ocasião para ir partilhando.
    Retribuo, sinceramente
    O Abraço, meu conterrâneo

    • MIGBAI

      4 de Agosto de 2015 as 10:07

      Meu caro “De Longe”.
      Muito obrigado pelas suas palavras sensatas.
      É um prazer enorme expormos os nossos pontos de vista sem sermos atacados, muitas vezes injustamente.
      As suas palavras são sinónimo de maturidade, responsabilidade e acima de tudo educação.
      Aceitar os diferentes pontos de vista numa análise adversa á nossa, é sinal de que se está preparado para comungar da democracia.
      Bem haja irmão.
      Migbai

  6. De Longe

    4 de Agosto de 2015 as 13:59

    Caro “Migbai”
    Agora sou eu a quem cabe dizer: Muito obrigado pelas suas agradáveis palavras.
    Há dias li uma frase de sabedoria que agora partilho: “O teu amigo não é aquele que diz sim a tudo o que pensas, mas aquele que pensa contigo.”
    Acredito na frase cujo teor já pratiquei desde a infância com os meus colegas e acredito também que quem tiver ideias opostas às minhas trar-me-á mais conteúdo para esse nosso crescimento que nunca está acabado.
    Espero falar brevemente da democracia neste espaço e quero contar com a sua contribuição.
    Grande abraço, meu compatriota.

    • MIGBAI

      6 de Agosto de 2015 as 9:59

      Meu caro “De Longe”
      Como lhe disse acima, a minha proveta idade, já não me permite acalentar projetos a curto prazo, muito menos a longo prazo.
      Contudo, quando o meu amigo escrever de novo aqui, penso estar ainda entre os vivos para ler e se possível comentar.
      Acredite meu jovem, que foi e é um prazer lidar com quem sabe pensar pela sua cabeça, como o meu amigo o faz.
      Um grande abraço de amizade, e que venha lá esse novo escrito sobre a democracia.
      MIGBAI

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