Pensando a Unidade no MLSTP/PSD

Por Amaro Couto

No MLSTP/PSD, formaram-se várias correntes de opinião que dificultam ou impedem a formação de convergências para a ocorrência de uma só posição do partido.

Não sendo possível a emergência da posição partidária, o partido vem perdendo a sua grandeza de antes, sendo que, de fato, não se tem podido afirmar, na medida em que cada uma das suas correntes de opinião habituou a falar a sua própria linguagem.

Para além da sua sigla e denominação, o MLSTP identifica-se hoje graças aos seus feitos anteriores relacionados com a conquista da independência nacional e com a implantação da democracia plural. A própria direção do MLSTP vê-se diminuída pelo disfuncionamento que afeta o partido.

A correção da situação, impõe, em primeiro lugar, a associação ou a cooperação entre as diferentes correntes de opinião para que de tal expediente emirja a unidade do partido.

É importante que este se apresente num só corpo unindo todas as suas componentes. É importante que o partido transmita uma só posição para a sociedade e para os seus parceiros do exterior.

A realização da unidade passa por um percurso a ser feito. Isto supõe a concertação para a convenção de um procedimento a ser respeitado por todas as correntes de opinião ou, ao menos, pelas mais importantes dentre elas.

O percurso fundamenta-sena salvaguarda do partido e na satisfação dos interesses partidários, que todos os envolvidos devem entender e respeitar. A confrontação deve ser evitada, pelo que os interesses específicos de cada corrente de opinião devem se subordinar aos interesses superiores do partido.

Existem opiniões diversas dentro do MLSTP. As dificuldades estão em identificá-las assim como em identificar-se os aspetos por onde residem as diferenças entre elas.

As correntes de opinião foram num tempo traduzidas por tendências nos estatutos do partido. Operou-se uma evolução, tendo-se depois estatuído o seu reconhecimento em termos de pluralidade de opiniões.

Que se chame corrente de opinião, tendência, sensibilidade ou pluralidade de opinião, o certo é que os estatutos do partido admitem a diferença de opinião.

Os estatutos limitaram-se por aí. Não previram as condições para a formação de corrente de opinião, nem o seu registo, organização e funcionamento.

Não há diferenças que se evidenciam, entre as correntes de opinião, quanto as soluções para os problemas da sociedade. Não porque as suas posições sejam idênticas, mas simplesmente porque nenhuma delas se esforça em propor tais soluções.

É verdade que o partido tem um programa político, mas tanto a direção como as outras opiniões que nele se exprimem se distanciam desse programa ou simplesmente não o valorizam por estarem mais atarefados em superiorizar o que os especifica.

Não havendo fundamento ideológico para diferenciar as correntes de opinião, só restará a identificação da personalidade que representa cada uma delas para, a partir daí, reconhecer a existência de tal ou tal corrente de opinião.

A personalidade em questão será aquela que congrega a sua volta um conjunto de militantes questionando a situação do partido e do país. Será também a pessoa que se expôs à sociedade solicitando os votos dos eleitores para representar o povo.

É importante evitar-se as questões, embora reais, que conflitualizam. O importante será o estabelecimento de um clima de paz para proporcionar a confiança, necessária à harmonização das ideias a volta do partido. As questões conflitualizantes surgirão naturalmente no decorrer do percurso.

Todas as soluções não estatutárias são geradoras de conflitos. Elas só poderão ser acolhidas no congresso e depois de o congresso rever os estatutos para as legitimar.

É o que se passa em relação a proposta,posta a circular, para a constituição de uma comissão de gestão alternativa à atual direção. Trata-se de uma dessas questões que só dividem, logo, no interior da própria direção, e que, no mínimo, não contribuem para a unidade.

Olhando especialmente para a proposta, compreende-se, sem dificuldade, que em nada melhorará situação do partido e nem a situação do país.

Não encontrando assento no foro estatutário, a partida, a proposta não teria validade. Por detrás das “propostas” não estatutárias compreende-se que estejam interesses especiais para fazer perdurar as práticas contrárias aos estatutos, que se vêm observando.

Para mais, tal proposta mais não podia ser do que uma solução transitória, enquanto não fosse encontrada uma solução estatutariamente válida.

Ora,sendo transitória, a proposta seria também provisória e, como tal, não inspiraria confiança nem dos eleitores nem dos parceiros externos do partido. Estes querem soluções definitivas e legitimas, ou seja, aquelas donde, com segurança, resultam as orientações a seguir-se.

A unidade é cooperação e não confrontação. Ela é cooperação entre as correntes de opinião de que o partido se compõe.

A unidade responde, por aí, a imperativo de ordem prática. Unir as diferentes representações da vontade popular existentes no partido, para fazer emergir uma única representação dos eleitores, resultante da soma das representações populares das suas componentes.

 

 

 

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    FCL Responder

    Sextas feiras.. Dias dos cornos…

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