Luto nacional para celebrar 42 de anos de sofrimento e miséria

A Republica Democrática de São Tomé e Príncipeé um Estado soberano e independente, empenhado na construção de uma sociedade livre, justa e solidaria, na defesa dos direitos do Homem e na Solidariedade activa entre os homens e todos os povos. Cf. Parte I, sob epígrafe Fundamentos e Objetivos do Estado São-tomense…art. 1 da lei n 1 2003. Constituição da Republica Democrática de São Tome e Príncipe.

Mas, para que fosse possível atingimos esta condição de soberanos e independentes, houve a necessidade de lutarmos contra o domínio colonial português,quemaltratou-nos ao ponto de massacrar os nossos pais e os avôs, no seu próprio território.

Porém, com a Independência Total conseguida em 12 de Julho de 1975, adquirimos uma nacionalidade, um Estado soberano, Independência e dignidade de pessoa Humana, o que não tinhamos durante todo o período da colonização portuguesa.

No calor da construção da nova nação, traçamosobjetivos a atingir, dentre eles: o fim da exploração do homem pelo homem, erradicação da pobreza e da miséria, fim da escravatura, auto determinação e liberdade de expressão, educação para todos, trabalho em condições humanas, segurança e solidariedade social, saúde e proteção social, cultura e os princípios indentitarios são-tomenses que foi-nosdenegado durante o períodocolonial, defesa nacional contra invasão dos outros povos, respeito pela condição individual e pessoal de cada cidadão nacional enquanto homem e membro da sociedade, conjugação dos esforços individuais para o coroamento e materialização dos desideratos do Estado, (…)etc.

Declaramosao mundo que, enquantosão-tomenses, adoptamos os princípios enformadores da civilização humana e do direito natural, dentre eles … somos todos iguais em direitos e deveres, sem distinção de origem social, raca, sexo, tendência política, crença religiosa ou convicção filosófica.Cf. Parte II. Direitos Fundamentais e Ordem Social, sob epigrafe princípios de Igualdade.art. 15º da Lei nº 1 2003. Constituição da Republica Democrática de São Tome e Príncipe.

Na altura, também assumimos diante do mundo que os cidadãos são-tomenses teriam igualdades de oportunidades para desenvolverem as suas aptidões em prol do Estado e da coletividade, exercendo as profissões que melhor enquadrassemas suasqualificações ou dons naturais, sem que para tal fossem humilhados ou prejudicados por esta escolha.

Hoje, 42 anos depois, o que somos enquanto povo Soberano e estado independente?

Para onde foram as nossas aspirações, compromissos assumidos diante do mundo e os objetivos traçados em 1975?

Hoje o que nos resta é: cada por si e Deus por nós.Porque?

Salve-se quem poder. E quem não puder?

Seráque esta Nova Ordem de construção social serve aos desígnios nacionais e de um Estado Soberano e Independente?

Será que desta forma estaremos em condições de defendermo-nos duma possível invasão dos outros povos ou até mesmo duma nova colonização?

A Nova Ordem Social é contraria a tudo o que plajamos a 42 e anos atrás.

Hoje, já não sabemos para onde vai o país.

Assistimos, completo desleixo dos atuais dirigentes do Estado no que respeita aos assuntos do interesse nacional e coletivo.

Dirigentes irresponsáveis que não assumem os seus próprios actos.

Cidadãos que concorrem paraassunção de responsabilidade de cargo de Estado já a pensar no enriquecer fácil e desvio de bens públicos. E para não sofrer as consequências de tais práticas, neutralizam os mecanismos de garantia e depunição criado pelo Estado(oMinistérioPúblico e os Tribunais), Instituições de suma importância para garantia colectiva.

Hoje, o que nos resta éa fome, pobreza, promiscuidade, bufaria, prostituição, doenças, desemprego, perseguição, escravatura, humilhação, violência, incertezas, medo, insegurança, criminalidades, precariedade,(…) etc.

Seráque esta é a melhor base para fundar a Ordem Social e Publica Nacional? Que sociedade teremos dentro de cinco anos?

Estamos em condições de participar na cruzada dos povos africanos e dos outros povos e hasteando, com dignidade, a bandeira nacional?

A resposta é não.

Alguns cidadãos são-tomensesfrustraram as nossas aspirações como povo, enganado-nos, inverteram a ordem social e a conquista da nacional.

Os seus interesses pessoais e de grupos sobrepuseram os interesses colectivos e a luta de mais de cinco séculos.

Desrespeitaram a alma e o sangue de todos os são-tomenses que sacrificaram as suas vidas em prol da nossa independência e danossa auto determinação como povo.

Hoje, mais do que nunca estamos dependentes de tudo e de todos (China Popular, Taiwan, Portugal, Angola, França, Patrice Trovoada, Gabão, EUA,… etc.)

Os homens e mulheres são-tomenses já não conseguem colocar comida na mesa sem se ajoelharem para os outros.

É o momento de dizer um Basta.

Os desmandos edesrespeito às normas sociais e jurídicas do Estado não podem ficar impunes, nem tão pouco beneficiaremos seus infratores, sob pena da inexistência da sociedade como tal e de servir para formaçao de maus costumes para as gerações vindouras.

Pelo que, urge sancionar os infratores de uma ou de outra forma, já que os órgãos criados pelo Estado para efeito estão a ser bloqueados (sobretudo o Ministério Publico). Ex: Se o Procurador-Geral da República acusar os dirigentes, será imediatamente demitido das suas fuções, pelo que não devemos contar mais com Ministério Publico Nacional.

Não devemos, também, esperar apenas pela abertura das urnas, até porque, existem expedientes a serem feitos pelos atuais dirigentes do Estado no sentido de desrespeitarem a vontade popular expressa na urna e apodrecerem no poder, de forma ilegítima, contra a vontade do povo.

O que significa dizer que nem na urna os são-tomenses mandarão mais.

A participação, o envolvimento directo e ativo dos cidadãos na vida política nacional, constitui condição fundamental para a consolidação da Republica.Cf. art. 66º da Lei nº 1 2003. Idem

Os cidadãos podem eleger outros cidadãos para tratarem da sua representação e salvaguardar os seus interesses, mas também podem dentro da lei fazê-lo por si próprio.Pelo que, todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direção dos assuntos de São Tomé e Príncipe, diretamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos. Cf. art. 57º da Lei nº 1 2003. Ibidem

Face a actual conjuntura que vivemos, cumpre tomar medidas e dizer um Basta.

Por isso, vimos na necessidade de lançar a primeira ação colectiva em torno da melhoria das condições de vida dos nossos irmãos e resgatar o orgulho nacional.

Vamos reacender a chama da pátria e unimos em conjugação de esforços para o progresso da Nação e desta forma quebrar o famoso aziago da Independência que não é nada mais do que a incompetência, má-fé, arrogância, ignorância, miserabilidade, mediocridade e outros males que existem dentro de cada dirigente são-tomense, salvo a alma que não merece.

Non as ningue cu te vlegonha.

Devemos limpar a nossa imagem junto aos outros povos e demonstrar-lhes que sou um povo bom, humilde, afável e credível.

E que estes atributos são nossos por natureza e nenhum político poderá retirar isso de nós.

Para efeito, pedimos que cada cidadão, em gesto de protesto,use luto no dia 12 de Julho de 2017, data em que se comemorara os 42 anos da Independência Nacional; porque Indepêndencia Nacional não foi apanhada no chão, conquistamos.

O luto simboliza tristeza.

O luto simboliza dor.

Dor da pobreza extrema a que estamos reduzidos.

Dor de vermos os nossos entes queridos a morrer de fome e de falta de paracetamol no único e maior centrohospitalardo país, Hospital Dr. Ayres de Menezes.

A dor de ver os nossos pais, filhos,irmãos, irmãs, primos, primas e outros familiaresterem que enveredar para caminhos da delinquência, prostituição, toxicodependências, alcoolismo e não só, como forma de sobrevivência e destrair dos problemas.

A dor de ver os nossos irmãos na diáspora serem vilipendiados pelos cidadãos de outros países por causa do que se passa,atualmente, em São Tomé e Príncipe.

Caros concidadãos, meus irmãos e as minhas irmãs, não é justo continuarmos a ser tratados como estrangeiros na nossa própria terra.

Vamos exercer a nossa cidadania de forma responsável e activa, protestando contra actos irresponsáveis e irrefletidos dos dirigentes que tem levado o nosso pais a Pik, fiscalizando as suas ações e omissões.

Se no passado alguns indivíduos entendiam que São Tomée Príncipe era a sua propriedade ou do seu pai, chego a hora de corrigir-lhes.

São Tomé e Príncipe é a nossa propriedade (coisa pública). Por isso é uma República e não a Monarquia ou Império.

Não se esqueça,no dia 12 de Julho de 2017, você que é do MLSTP, do PCD, do ADI, do MDFM, do CODO, UDD, outras forçaspolíticas, que não tem partidos,da sociedade civil organizada, que vive na diáspora(Angola, Portugal, Franca, Espanha, Cuba, Inglaterra, Cabo Verde, Rússia, Moçambique, Guine Bissau, Gabão, Congo…etc.), vista se de Luto em protesto contra a governação em São Tomé e Príncipe.

A todos que se dirigirem a Praça da Independência no dia 12 de julho de 2017, pedimos que vão de luto.

Seja uma camisola, uma camisa, uma calca, uma saia, um vestido, uma blusa, um chapéu, um lenço, um cachecol … etc., qualquer peça de roupa que seja visível.

Ninguém será preso ou detido por vestir roupa preta.

Se não queres fazer por si, faça pelos seus parentes mais próximo ou mais distante, seus amigos e conhecidos que estão a sofrer ou pelos nossos heróis do massacre de 03 de fevereiro de 1975.

Unidos por um São Tomé e Príncipe melhor e rumo ao progresso.

São Tome, 29 de Junho de 2017.

Autoria

Dr. Miques de Jesus Bonfim

Jurista e Advogado de Profissão

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    Tony Responder

    Bom trabalho, deixaram os “colonos” ir embora por ganância de ficarem com as terras, cuidado não foi para o povo, e agora está tudo destruído, e estamos a falar de um País com cerca de 180.000 habitantes, se calhar o mesmo que algumas freguesias do distrito de Lisboa.

    Agora vamos ser colonizados por outros, concordo, começa com a China, que vai pescar o que quiser e vai mandar em tudo. Está é a escolha dos Santomenses.

    Assim se faça a sua vontade!!!

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    varela antonio Responder

    Muito bem. Povo santomense acorda. Chega de abuso de poder e humilhação do ADI e do seu chefe Patrice Trovoada.

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    boca pito Responder

    Lamentavelmente chegamos a esse ponto:
    Mas hás muitas causas para tal, senão vejamos:
    1. O maior número da população votante é analfabeta intelectual e comprada para satisfação do agora.
    2. A camada política que deve ajudar a por o país a andar, não está interessada, pelas suas acções como por exemplo, interporem propostas de Leis no Parlamento para discussão, votação e aprovação da Lei Especial que pune os Dirigentes Políticos, governantes e altos funcionários no cargo do Estado em casos de cometerem qualquer delito criminal ou cível .
    3. Não se vê essa iniciativa por parte de uma associação de juristas ou a ordem dos advogados.
    4. Portanto, enquanto não houver esse instrumento, e cada órgão de soberania exercer o ser poder com lisura e todos outros órgãos do estado estiverem a trabalhar como deva ser, com competência, responsabilidade e elevação, este país nunca mais desenvolverá.

    5. PRECISAMOS VER A INTERVENÇÃO DA ORDEM DOS ADVOGADOS E OUTRAS PESSOAS COLECTIVAS PARA MOSTRAREM AS SUAS COMPETÊNCIAS NA ÁREA DE DIREITO, ASSUNTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DIPLOMÁTICOS , NO QUE CONCERNE A INTERVENÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS

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    Eu sou cego pelo Dólar e Viagem Responder

    Muito ainda bem, pessoalmente vou vestir de preto sim. É de mais…

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    Brasileiro Responder

    Reflexões sempre são importantes…cada um de nós deve mudar o mundo para o melhor a partir de nosso próprio quintal.

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    Dende Responder

    Vc escreve artigo e assina ” Dr. Miques de Jesus Bonfim”?
    Que raio de Dr. É vc que não sabe assinar um artigo?
    No teu bilhete de Identidade está la Dr.?

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    Joaos Responder

    Oh jovem não se coloca Dr. ao assinar um artigo de opinião. deves meter apenas o teu nome. Nem isso aprendeste na Universidade? Vc fez curso domingo?

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    Luizf Responder

    Esse so diz besteira, ainda coloca Dr. Vc é Dr e escreve artigo tao fraco?
    Olha vai aprender a assinar corretamente um artigo. N deve estar Dr.

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    Carlos Responder

    40,anos de sofrimento? Vc faria pior. Burro

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    Danco Responder

    Vai po c**ralho Dr dos raios

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    verdade Responder

    Com o partido ADI as coisas estão pior. Patrice Trovoada Ruaaaa

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    STP Responder

    NOSSO PAÍS ESTÁ MUITO MAL COM ESSE GOVERNO DE PATRICE

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    Fugii Fala Responder

    Li atentamente a sua exposição, conclui que não se deve excitar o povo que sempre revelou bom censo, espírito patriotismo e boas maneiras de solucionar os problemas, com a ideia “tendência a violência”. O senhor como homem de lei acha que esse dia tão sagrado, que o povo escolheu o seu destino, consagrando aqueles que viram a morte em 3 de Fevereiro de 1953 merece ser comemorado de pesares e dores? Como patriota, sei que o desejo deste povo liberto em 12 de Julho de 1975 não foi, nem é, o que tem sido ao longo destes anos. Mas acho, que embora as coisas não foram, nem são as expectativa deste povo, não é digno que se comemora o dia de “”Luto. É mesmo que dizer, “maldita independência”.

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    Tony Responder

    Continuo a não entender o espanto destas declarações.

    Sim Stp conquistou a sua independência, mas não teve qualquer tipo de luta armada, os Portugueses á altura é que se viram livres de Stp, seria mais algo para sustentarem, não confundamos as lutas em Angola, Moçambique e Guiné Bissau, esses lutaram e morreram pela sua independência.

    Em Stp, só quiseram ficar com as terras dos colonos para não fazer nada, e o resultado é fome e pobreza do Povo, e neste momento não há remédio nem Santo para virar isto….infelizmente, está muito enraizado.

    Logicamente estamos a partir para nova colonização, com novos métodos, porque somos dependentes de tudo desde comida a energia. Isto não é um Estado independente.

    Desculpem, ás vezes quem me dera que Stp fosse uma região autónoma de Portugal, as que existem estão a anos de luz acima de Stp.

    Fico triste com isto.

    Fui

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    Nuno P Responder

    Meus camaradas, não sejamos ignorantes, intolerantes, o Dr. Sim porque estudou, problema de quem que não estudou, e outra, o texto esta muito bem elucidado, penso que todos os santomenses deveriam sim ter entendido e apoiado,mas como sempre a bufos, qie não querem que as coisas aconteçam porque não querem que o povo ganhem consciência do que esta acontecendo, pediram mairia povo deu, pediram presidencia povo deu, chatice, têm o pão e o queijo na mão comam, ou seja não existe conversa. Quero desenvolvimento, quero me sentir verdadeiramente livre, quanfo falo de livre, falo de saude, da educação, de tudo.

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    zagaia Responder

    Nós não podemos estar sempre agarrados ao passado e desculpar sempre com o colono. Os outros países também tiveram problemas e foram ultrapassados e nós somos diferentes dos outros? A independência era necessária, sim, mas na altura, os nossos líderes por falta de experiência e capacidade de organização e reflexão não foram capazes de arquitectar o nosso STP para o rumo ao desenvolvimento. Eu acho que a nossa insularidade,de que muitos falam não é desculpa!!!!!!, Ora vejamos, as ILHAS de CABO VERDE e as ILHAS SEYCHELLES,exemplos de alguns países insulares que conseguiram ultrapassar alguns obstáculos, apresentando hoje, bons indicadores macroeconómicos que ajudam no seu contexto internacional como maior procura externa para investimento estrangeiro que as nossas empresas tanto precisam de capital e know how de forma a aumentarmos o nosso produto interno bruto, SIM, SOMOS CAPAZES….

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    Sócrates Responder

    Dr. Miques, parabenizo te pela profunda e excelente opinião/reflexão.
    Povo Santomense não vale nada, somos maus, desunidos, invejosos e iguistas. Misturamos o pessoal com o legal. Por isso este país continuará sempre na miséria, posso resumir a tua reflexão em uma única frase: ” o país precisa ser reconolizado”. A matemática do Santomense é a seguinte : povo inculto e mau + dirigente oportuno e impunidade absoluta= miséria, desgraca e pobreza. obrigado.

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