O culto de personalidade nas dores do parto de Patrice Trovoada

Confesso! A estabilidade governativa que goza São Tomé e Príncipe, um dos atributos que se possa advogar ao povo são-tomense no cumprimento do serviço prestado à Nação,não deveria ser traduzida de testamento do poder esmagar a minoria nem tão-pouco a exclusão da cidadania nas grandes opções para o país.

Ao retirar da estradaos detritos dos desgovernos da república que não lhe direccionou o caminho de desenvolvimento económico e social ao par de cumprimento dos actos eleitorais aplaudidos pela comunidade internacional, jamais uma clara vitória de desenhar o país do futuro, levar-nos-ia aoparto “destrambelhado”, mais um, da criatura de sorriso aberto.

As contas por que, tiveram de pagar aos eleitores, os partidos PCD, MLSTP, MDFM, recuperando a tabela eleitoral desde 1991 – a nossa elegância e alternância governativa entre os PALOP para São Tomé e Príncipe ver e crer à Africa e ao mundo – aquando das primeiras idas ao voto livre, ficaram saldadas no dia 12 de Outubro de 2014 e o último veredicto datado de 7 de Agosto de 2016.

O distrito de Mé-Zóchi em testes permanentes com o de Água Grande tem pautado como um verdadeiro balão de oxigénio da democracia conquistada pelos eleitores no dia 22 de Agosto de 1990. Nisto, as longas noites eleitorais são evidências inegáveis.

De lá, vinham surgindo deputados juntando aos demais do país apetrechados de argumentos convincentes ao debate político, económico e social na casa parlamentar de tirar fome a qualquer analista ou jornalistamesmo de obediência governativa, mas de gabarito profissional reconhecido. Ou seja, sem fronteiras, distinguia a mão direita da esquerda na verdade dos factos informativos e investigativos.

A súbita gravidez do Primeiro-ministro cuja terra do leve-leve nunca rejeitou a placenta seja qual fosse a parturiente, apanhou o país desprevenido, desconfortado e fora de época eleitoral, não pelo auto ser por si desproporcional à natureza humana apesar de avançados testes da ciência.

Tão-somente, o autor da “barriga”, Peter Lopes, um antigo “guarda-costas”e homem de confiança de Patrice Trovoada, vir à praça pública, em pleno frio da gravana, quebrar o sigilo de ser o pai da fecundação bombástica e anormalíssima em contrária direcção de dois colegas do extinto Búfalo, estes subordinados às finanças do chefe do governo.

Até aqui tudo bem,podia ser política, não fosse o engasgamento panfletário dos deputados da maioria parlamentar que jorraram na sala de partos ao mesmo jeito dos aplausos aquando, recente, de ADI meter rasteira à China Taiwan, por uns milhões de dólares, para receber de volta a Grande China, repetindo a deselegância diplomática das cenas obscuras do pai, nacionalista, na altura do anterior jogo sujo que arruou esta última das ilhas.

Desconhecedores dos segredos de romance havidosou não em 2003, no mais concreto sono do escuro-din da terra do meio do mundo, no dia 16 de Julho, os deputados da maioria vieram ao público em catadupa.

Com o rabo metido entre as pernas num grito aflitivo e de desonestidade políticapara com o povo que lhes mandatou recado de responsabilidade e elevaçãono parlamento,e rasurados dos mais elementares conceitos de entendimento da democracia, choraramem simultâneo a dor de parto do Primeiro-ministro.

A confiança e a aposta na maioria parlamentarao favor de ADI sem qualquer critério de qualidade dos portadores do cheque-em-branco, tão cedo,vieram a demonstrar estes seremgrandes larápios e polegar dos dedos (de cabeça cortada devido ao espírito ganancioso segundo gen grande).

Os olhos de gigante com que açambarcam os postos públicos duplicando os salários chorudos a deixar a juventude sem emprego. Os gastos desnecessários nas viagens seguindo as pisadas do chefe para sugarem o débil Tesouro,exibindo o luxo e o poder da gravata nos pescoços sem pena dos hospitais e centros de saúde. Nem o mínimo de decência pela imundice pública contradiz tudoaos juramentos de cortes com o passado.

Mas, para permanecerem no “regabofe” da política, os deputados e demais servos,serão mesmo forçados, num tom cabisbaixo e de calças areadas, chorar copiosamente as dores de parto do chefe que não presta contas nem abre boca à imprensa livre e independente?

Quem mantem reservas que se dispa da cobertura partidária e vasculhe a declaração de um lambe-botas, não há terminologia mais adequada das que me foram chegando nos últimos dias, a lagrimar choro de “criança difitchin”, umauto jornalista, dirigente oriundo de Mé-Zóchi e deputado de ADI, Abnildo d’Oliveira, sentenciando, sem dó, nem piedade muito menos deontologia,o extermíniobrutal do seu colega jornalista da rádio Jubilar, Waldyner Boa Morte, o produtor da “Resenha da Semana”.

Não ficou pelo envenenamento, frio e cruel, do colega de formação. Foi mais longe ao declarar, uma vez mais, guerra à diáspora que não reivindica direitos nenhuns a dar mãos contribuintes aos governos, aliviando o pânico alimentar e medicamentoso dosfamiliares, e muito mais, notificada enes vezes a atestar a responsabilidade pelos estudantes bolseiros e até doentes de junta médica, compromissos fugidos do Estado.

É uma aberração inquestionável, os ganhos da nossa democracia no tocante a independência de pensamento e o direito ao contraditório estarem a ser postos a prova de balas, apenas porque nem todos os cidadãos aceitam curvar-se à dinâmica totalitária do partido do poder.

Mas deve haver limites para a tamanha incompetência. Ao menos, senhor deputado, um pedido de desculpas pela inconveniência de ter agido, eventualmente, no calor de parto do chefe.

“Okêi!” A opção é livre ou deveria ser no cumprimento das leis da república, cada um morrer de dores de parto mesmo misterioso de quem entender ser devoto, já que, estamos no paraíso que até muitos diplomados aceitam submeter-se ao “rei de um olho na terra de cegos”.

Todavia, no interesse estritamente pessoal sujeitar-se ao extremo de arear as calças na sala de partos sem condições mínimas às jovens mães que só Deus tem sido a salvação- as deputadas de ADI são merecedoras da minha cultura de cidadania não lhes especular os gestos, apesar doutros tempos as mulheres, sim corajosas, terem simbolizadas o levantamento das saias até cabeça no dia 19 de Setembrode 1974 como acto reivindicativo de acelerara “dependencha non”– é indecência gratuita, cheira a insanidade e em nadaabona aos deputados da Nação, como se diz na terra, os senhores saíram bastante feios nas fotografias.

Até a segunda semanadesde que o vídeo de Peter Lopes tornou-se viral, ainda não ouvimos o mais alto magistrado da Nação dizer da sua fé ou do seu juízo concernente ao preocupante alarido, de mãos de sangue contra os seus dois antecessores e um antigo ministro, manchando ao chefe do executivo que, em defesa de honra,apressou-se a qualificarao seu antigo “vencha” de maluco, eventualmente, por trair ao pacto de silêncio.

No mínimo os assessores, na modernidade global, são mandatados acriar uma página institucional de Chefe do Estado em qualquer dos sítios das redes sociais para jogar palpites circunstanciais com a cidadania sem a necessidade de juntar a comunicação social no quintal do palácio.Os berros do Presidente da República, Evaristo Carvalho, fazem-se sentir no juramento e na cultura do Estado de direito democrático.

Para o efeito, a notificação do senhor bispo da diocese de São Tomé, o chefe máximo da rádio do Vaticano nas ilhas, apanhado no fogo cruzado,para autorizar a audiçãodo pai da gravidez, quem mais cedo ou mais tarde, seguindo as diligências do Procurador do Ministério Público, haverá de assinar ourejeitar a criança, se necessário com testes de ADN, deve ser de urgência.

O“povo pequeno” sujeito aobanhocíclico, espera os convites de baptismo assim como o país não aguenta ter mais nascidos sem registo e sem pai.

A solidariedade que haveria de chegar de fora para autenticarmosou não a cantiga do pai da gravidez, vamo-nos acostumandode que apenas Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde, o poder, a oposição e a sociedade civil gozam,nos últimos tempos,de direitos iguais na democracia, não obstante continuarmos fiéis assíduos nas mais ousadas das missas.

Enquantoo Chefe de Estado não enviar um fôlego à democracia que anda de dia para dia em corda bamba devido aos caprichos aventureiros do seu partidoADI, em rasgar com “chingá” e “kôkôidimon”, chutos e cotoveladas, aos olhos do árbitro, a Constituição da República com diplomas caríssimos e armadilhados de granadas atentatórias à unidade nacional e convivência democrática, ficamos com olho no chefe do governo.

O senhor Primeiro-ministro,ávido do seu presidencialismo de sete anos da breve agenda parlamentar, que chore, que entre em pânico, que assobie sozinho a dor do seu parto e faça o especial favor aos são-tomenses.

Ordene, sem perca de tempo, aos seus deputados e ao rebanho,a subir as calças evitando o gemido sufocantee o risco de “mijo”, porque a atitude ajustada para calar a democracia deixou-nos todosindignados e de queixo caído a suportar, por este mundo fora,muita vergonha na cara.

Os tempos mudaram velozes para os erros contínuosda maioria a trazer novidades inimagináveismerecerem o silenciamento da opinião pública no debate livre dos pensamentos e assuntos da terra. Só noutros tempos engaiolados num só pensamento ideológico, vergava-se ao chão sob o risco de mostrar o indevido traseiro para anunciar o amor ao querido chefe.

As dores de parto de mulheres são verdadeiras, dolorosas e milagrosas a respeitar por todos, mas o parto de um homem e mais, político, deixa muitas dúvidas quando mais esconde-se ao povo o registo e a paternidade da criança.

Pelo que se sabe não houve aborto para demasiado culto de personalidade.

21.08.2017

José Maria Cardoso

 

Notícias relacionadas

  1. img
    Guadalupe Responder

    Uma crónica muito importante para os santomenses de Cawé à Pagué. Embora o povo pequeno se acha no direito de se isolar dentre os de Cawé a Pagué.
    Tal e qual como dizia uma outra de agosto de 2015 e que tivera contestação de alguns leitores.
    “O povo deu um salto importante seguindo um indivíduo que é muçulmano, que nasceu no estrangeiro, nunca viveu em STP, que tem uma mulher estrangeira, que não foi à escola com eles, que vive um pouco retirado quando não ostenta poder, que esteve sempre no mundo, sempre a viajar.
    Mas, esse homem é que queremos seguir?
    O caminho que ele nos indica é o que prefiramos?”.
    Apenas pergunto: Ainda não é suficiente para aprenderem?

  2. img
    Maria Silva Responder

    Pois…. nón gólúê nón bélê , e nón s’cabí conté nì tudu nozadú!
    N’ guê cu tè ópé cá côlê, n’ guê cu ná téfà ca guadá motxí!!!!!

  3. img
    explicar sem complicar Responder

    Salá Malêcum, Patrice Trovoada.

  4. img
    Reflexão Responder

    Parece que aqui este senhor não veste estas roupas para não o identificar como verdadeiro Muçulmano q é.

  5. img
    Diasporano.CV Responder

    Gostei imenso da crônica, pois,a meu ver, ela representa o que, para muitos, é o grande mal por que passa STP e que preocupa os mais sensatos.
    Espero que a grande massa , que é ” o povo”descubra, enquanto tempo, se é que esse tempo ainda está a tempo, que à ele é que se está a retirar o direito de progresso,de prosperidade e de orgulho, orgulho esse que muito existiu no DNA dos santomenses, alimentando um fanático e um bando de eleitos que vêem deturpando o sentido democrático da palavra ” eleição/ democracia”
    Até quando….?

  6. img
    Original Responder

    Único País no mundo onde presidente da república e de assembleia, ( com letra minúscula porque têm desempenhado um papel de fiasco) prestam
    vassalagem a um 1º ministro.

    Verdade ou mentira?

    • img
      WXYZ Responder

      Mentira. Esqueceste de Angola, Guinea Equatorisl, Correia de Norte, etc…

  7. img
    seabra Responder

    …….PT está chegando a hora ….o seu marabu já foi dominado e o seu fim já está marcado.
    Prepare a sua partida de STP…vá-se jantar aos seus irmãos soldados islamistas.

  8. img
    Nelo santos Responder

    Só de pensar na grandeza e segnificado desta crónica fico a pensar do porquê não ter havido preservativo naquele tempo e utilizado na hora H para que hoje se pudesse estar a sombra de uma arvore qualquer e apreciar o quão belo é esta ilha e o seu povo. Meu caro obrigado pela crónica.”cadê os descendentes do Rei Amador”.fuiiiié

  9. img
    adi a comer no prato que sempre cuspiu Responder

    Patrice Trovoada,
    FAZ, SAI.

  10. img
    Raul Cardoso Responder

    Subscrevo a tua carta José Maria.
    Nos regimes democráticos e onde há uma verdadeira Democracia não há lugar para o culto de personalidade. Mas se houver regimes democráticos, onde se verifica esta prática é sinal que a Democracia pode estar em perigo.
    Procurei uma breve definição de culto de personalidade e encontrei esta que me parece ser muito explicita: “O conceito de culto de personalidade se remete a uma forma de propaganda que eleva a figura de líderes políticos a dimensões quase religiosas. Os discursos desse tipo de propaganda procura promover de forma exagerada os méritos e as qualidades dos líderes em questão, ocultando sempre quaisquer críticas ou defeitos que possam fazer parte de sua personalidade e história. O culto de personalidade parte da concepção errónea de que a história não é feita pela sociedade em si, mas unicamente pelas acções de grandes figuras capazes de manifestarem a vontade geral. Essa concepção não é um erro acidental, mas uma forma estratégica de legitimar a dominação exercida pelo líder, pré-justificando as suas acções e criando uma atmosfera de adoração e medo”. De forma sucinta esta é a definição do conceito de culto de personalidade. Será que é isto o que se está a verificar em São Tomé e Príncipe? Se assim for, então estamos sim, perante manifestações de culto de personalidade, o que constitui um grande perigo para a nossa jovem Democracia.
    Que Deus abençoe o Povo de São Tomé e Príncipe!

  11. img
    Abebe Aliko Ayo Responder

    Eu não percebo nada. Porquê que este meu compatriota Obasanjo veio meter nesta coisa. Até parece que ele foi preparado para falarou então têm rabo também nesta estrada.
    Será que ele acompanha tanto assim a vida politica e social de são Tomé and Principe para ouvir isto e interessar por isto que passa em são Tomé and Principe?
    Se ele trouxe Fradique, quer dizer que ele sabe quem apoiou e deu dinheiro para o golpe de estado de 2003? Porquê que ele não fala?
    Quando ele diz que os golpista são pessoas irracionais ou marginais que deram o golpe, porquê que ele não fala de outro meu compatriota escritor que fez a sua Tese sobre este assunto e publicou no USA?
    Na altura ele era presidente e o vice presidente do meu pais Nigeria era ATIKU Abubakar. Ele também não sabe de nada?
    Eu não acreditar. Patrice Trovoada era amigo do embaixador PINDAR gente ligada a ATIKU. Como então?

    Abebe Alika Ayo

Deixe um comentario

*