Opinião

Algumas reflexões sobre as elites de São Tomé e Príncipe

Adrião Simões Ferreira da Cunha

Estaticista Oficial Aposentado – Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

12 de Setembro de 2017

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE AS ELITES DE SÃO TOMÉ E PRINCÍPE

Nas minhas já 10 idas a São Tomé e Príncipe em missões de assistência técnica ao Instituto Nacional de Estatística, a 1ª em 1994 e a última em 2009, fui ouvindo alguns comentários desfavoráveis sobre as Elites Santomenses, pelo que escrevo este Artigo numa tentativa de estimular a necessária reflexão sobre o papel fundamental das elites políticas, sociais, culturais e económicas de São Tomé e Príncipe no processo do seu desenvolvimento.

Abordo neste artigo alguns aspectos da realidade de São Tomé e Príncipe, tendo presente que os Órgãos de Comunicação Social Santomenses, de acordo com a respectiva linha editorial, abordam por vezes alguns aspectos positivos e negativos da realidade Santomense, mas tanto quanto sei não dão relevo à Taxa de Analfabetismo e à Taxa de Universitários Diplomados, que são determinantes para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

A Taxa de Analfabetismo exprime a % da população que não sabe ler nem escrever sobre a população com 15 e mais anos, e segundo o Recenseamento da População e da Habitação de 2012 (RPH) era 9,9%, contudo, por probidade intelectual, impõe-se reflectir sobre qual seria se o conceito usado no RPH integrasse, além das pessoas que não sabem ler e escrever, as que sabendo ler e escrever, não sabem interpretar um texto corrente e efectuar um cálculo mesmo que simples, o que traduz o conceito de Analfabetismo Funcional.

A Taxa de Universitários Diplomados exprime a % da população possuidora de um curso superior universitário sobre a população com 25 e mais anos, e segundo o RPH era 3,1%, indiciando a necessidade de mais elites políticas, económicas, sociais e culturais que são fundamentais para acelerar o desenvolvimento.

O Analfabetismo é um dos factores que dificulta a capacitação para acelerar o processo de desenvolvimento face às mutações a que o País está sujeito, agora mais que nunca pela mundialização dos problemas e das respectivas soluções, cuja análise não pode centrar-se sobre aspectos parcelares e sem relevar a diferença dos conceitos de desenvolvimento e crescimento, já de si de extremas algo difusas.

O desenvolvimento exprime o nível de qualidade de vida da população medido pelo grau de satisfação das suas necessidades [rendimento, habitação, saúde, educação, lazer], enquanto o crescimento exprime a riqueza produzida por um país de bens e serviços, podendo não haver preocupação na forma como está distribuída pela população.

As limitadas vantagens comparativas de São Tomé e Príncipe no competitivo processo da globalização obriga a investimentos estratégicos na Educação para converter o capital humano em capital socioeconómico e cultural porque as Taxas de Analfabetismo e de Universitários Diplomados dificultam ainda a aceleração do desenvolvimento iniciado com a Independência, cuja relação de diferença com os países mais desenvolvidos considero de grau e não de natureza, assumindo que os desníveis existentes relativamente a esses países prendem-se mais com diferenças a nível das situações políticas, sociais, económicas e culturais, do que a nível da mentalidade profunda.

De facto a Educação é um atributo da Sociedade para que contribuem a cultura, as tradições, os valores do povo, e as políticas públicas para atender às necessidades do desenvolvimento e às expectativas de realização pessoal e profissional de cada cidadão, sendo um factor determinante do desenvolvimento, enquanto principal ferramenta para capacitar capital humano qualificado, cada vez mais necessário, uma vez que sem qualificação é impossível a um país competir nesta “Era do Conhecimento“.

Assim, Educação e Sociedade estão indissoluvelmente ligadas, condicionando-se mutuamente, em que o ritmo de evolução de uma determina o ritmo de evolução da outra, sendo a Educação determinante para afirmar a identidade nacional, transmitir valores cívicos, e formar os recursos humanos para enfrentar o desafio do desenvolvimento.

Com a Independência São Tomé e Príncipe alargou o acesso à educação, mas o ensino superior é ainda frequentado por uma camada restrita vinda das classes económica e culturalmente mais providas, embora existam alguns mecanismos de incorporação de membros de classes mais modestas.

A capacidade de raciocínio em termos de futuro [abstracção-concepção-antecipação] exige a posse de muita e variada informação sobre o mundo [local, regional, nacional e internacional], numa perspectiva do passado como do presente, capacitadora de exercícios de análise, síntese e prospectiva, que permitem uma atitude crítica sobre o presente e consequente actuação visando construir um futuro colectivo melhor.

A incapacidade de assimilar informação, que cada vez mais está disponível, impede a formação deopinião e, consequentemente, a assunção de atitude, ou seja, de participação, só se podendo participar quando se tem voz sempre que se tem vez, sendo que nas Sociedades abertas ter vez é possível de se procurar e encontrar para expressar a voz, tendo presente o poder da palavra sobre a palavra do poder.

Ainformação segundo é veiculada pela imprensa, rádio ou televisão impõe às pessoas vários requisitos para a assimilar, em que a televisãoremove em parte o analfabetismo na medida em que, não exigindo uma audiência adestrada, que os destinatários saibam ler e escrever pelo menos, é potencialmente apreensível por todos: iletrados e instruídos, massuprime o mecanismo da reflexão e, como tal, é redutora da racionalidade na produção de efeitos na opinião e no comportamento dos indivíduos e dos grupos que integram a Sociedade.

Nas Sociedades democráticas a Educação toma o indivíduo como referência fulcral, procurando transmitir-lhe a memória, valores e saberes do seu tempo, mas procura também ensiná-lo a aprender e sobretudo “aprender a ser“, o que implica adquirir o sentido da solidariedade e da cidadania, sendo um factor fundamental de desenvolvimento, como meio de emancipação plena do ser humano, com vista à sua libertação das forças opressoras, sejam de natureza física, biológica, social, económica, ou cultural, que limitam o seu bem-estar.

As Taxas de Analfabetismo e de Universitários Diplomados são ainda uma das dificuldades de São Tomé e Príncipe para acelerar o desenvolvimento, e a informação apresentada a seguir mostra a posição de São Tomé e Príncipe relativamente aos outros Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, salientando que, com Cabo Verde, tem a melhor posição nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa:

Taxa de Analfabetismo (ordem decrescente): Moçambique 49,9%; Guiné-Bissau 45,8%; Timor-Leste 34,5%; Angola 34,4%; Cabo Verde 17,2%; São Tomé e Príncipe 9,9%; Brasil 9,1%; Portugal 5,2%.

Taxa de Universitários Diplomados (ordem crescente): Moçambique 0,4%; Guiné-Bissau 1,1%; Angola 2,5%; São Tomé e Príncipe 3,1%; Timor-Leste 5,2%; Cabo Verde 7,6%; Brasil 11,3%; Portugal 15,9%.

Já dizia o poeta popular português António Aleixo na 1ª metade do século XX: “Não sou esperto nem bruto, nem bem nem mal educado. Sou simplesmente o produto do meio em que fui criado“, o que consubstancia que o homem é, sobretudo, o resultado da sua circunstância, entendida como um conjunto complexo de informações, normas, valores, comportamentos e realizações materiais que diferenciam as sociedades humanas e que actuam sobre cada indivíduo levando-o a adoptar uma estrutura de valores pessoais que lhe permite conjugar atitudes de pertença e diferenciação relativamente à comunidade de referência da sua circunstância.

Havendo vários períodos de formação ao longo da vida de cada indivíduo admite-se que há uma capacidade de actuar no domínio da circunstância através de forças de partilha e troca de informações que se situam no exterior da família e da escola, as quais, embora cimentadas numa herança cultural comum, deverão actuar respeitando o valor da diversidade enquanto elemento capacitador do florescimento do pensamento divergente susceptível de proporcionar o desenvolvimento permanente da circunstância que propicia o desenvolvimento do próprio Homem.

Na verdade, o pensamento divergente é um valor fundamental das sociedades democráticas caracterizadas pela capacidade de lidar pacificamente com conflitos, e preocupadas com a procura do rigor e as actividades de reflexão, numa dimensão cultural alargada onde, a par da defesa dos valores de cultura própria, se procura o diálogo entre as expressões políticas, culturais, económicas e sociais diferenciadas, embora o conflito possa ter sentido pejorativo, mas divergir é inerente às sociedades democráticas que respeitam o pensamento divergente, isto é, os vários discursos, sendo o conflito resolvido pelo confronto de opiniões.

Assim, a melhoria da formação educacional do povo Santomense é a orientação estratégica que mais poderá diminuir resistências ao desenvolvimento, na medida em que permite aos cidadãos compreender os processos em causa, como lhes alarga as possibilidades de intervenção na Sociedade, tendo presente que nas sociedades democráticas os cidadãos participam nas decisões políticas sendo ao mesmo tempo sujeitos delas.

Este esforço é determinante para criar a massa crítica indispensável à formação das futuras Elites Dirigentes capazes de produzir racionalidade e orientação para a evolução da Sociedade, tendo presente que o processo do desenvolvimento, por estar sujeito à internacionalização é muito rápido, pelo que esse esforço só terá sucesso com o contributo dos que estão nos patamares educacionais e culturais mais elevados, logo as elites políticas, sociais, económicas e culturais, apelando aos valores mais sublimes da sua cidadania.

O conceito de elite social possui várias definições: como um grupo situado numa posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e económica; como um grupo localizado numa camada hierárquica superior numa dada estratificação social; podendo igualmente ser o grupo minoritário que exerce uma dominação política sobre a maioria num sistema de poder democrático.

Elite pode também ser uma referência a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendida como os que têm capacidade de tomar decisões políticas, económicas ou sociais com impacto nacional, podendo ainda designar as pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da Sociedade, e neste caso Elite seria um sinónimo tanto para liderança como para formadora de opinião.

Neste contexto penso que os comentários que fui ouvindo sobre as Elites Santomenses não radica propriamente nelas mas de parecerem estar distantes do que se passa no País como até de não conhecerem bem o País profundo, e a ser assim qual será a motivação para tal comportamento?

Além da competência técnica as Elites Santomenses têm de cumprir diariamente com deveres que abarcam valores e padrões de comportamento, ou seja, trata-se de ética, e o sucesso delas na vida académica, nas profissões liberais, na área financeira, económica, social e de gestão, tem de ancorar aqui, partir daqui e retornar sempre aqui.

Na verdade o povo não pode deixar de pensar que os concidadãos que constituem as Elites Santomenses são os que podem ser desempenhar um “serviço cívico” em nome da responsabilidade da cidadania no sentido mais profundo de solidariedade nacional, pelo que é concebível que o povo na situação mais desfavorecida possa pensar que as Elites Santomenses se deveriam dispor a perder alguma coisa em nome das reformas necessárias para o desenvolvimento do País visando o combate efectivo de redução da pobreza.

Mas para isso as Elites Santomenses precisam de eleger uma causa de conduta verdadeiramente nacional, como p. ex. uma reforma da Administração Pública capaz de transformar uma administração poder numa administração prestadora de serviço, que seja leve, eficaz e útil, porque a Administração Pública deve ser útil e não um peso inútil.

A Administração Pública é nos países em desenvolvimento o sector que presta mais serviços aos cidadãos, devendo dedicar uma atenção particular ao seu grau de satisfação pois assumem o duplo papel de contribuintes e beneficiários do Serviço Público, tendo presente que o cidadão contribuinte paga pelos seus impostos o funcionamento da Administração Pública, sendo legítimo que quando necessita dos Serviços Públicos exija qualidade nos serviços que estes lhe prestam.

É necessário que as Elites Santomenses desempenhem o referido “serviço público de solidariedade nacional”, e para lá da causa subjacente é de esperar que despertem para a responsabilidade social da sua existência perante o povo que dizem querer servir, devendo ter presente as palavras das seguintes personalidades:

 

Martin Luther King

O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética.O que me preocupa é o silêncio dos bons.

Nelson Mandela

Não pode haver maior dom do que o de dar o próprio tempo e energia para ajudar os outros sem esperar nada em troca.

Samora Machel

O poder que rodeia os governantes pode corromper facilmente o homem mais firme, e por isso queremos que vivam modestamente e com o povo, não façam da tarefa recebida um privilégio ou um meio de acumular bens ou distribuir favores.

Agostinho Neto

Nãobasta que a nossa causa seja pura e justa, é necessárioque apureza e ajustiça existamdentrode nós.

Ximenes Belo

Os seniores nunca estão a mais naSociedade. Os mais velhos,os mais idosos, têm a sabedoria e experiência. Por vezes, há o choque de sensibilidades entre novos e seniores, mas todos temos de aprender uns dos outros. Dos jovens, aprendemos a esperança, a ousadia, o entusiasmo, a aventura. Dos seniores, aprendemos a sabedoria, a sapiência, a guardar a memória e, sobretudo, a transmitir aquilo que é positivo e que vale para todos os tempos.

Amílcar Cabral

Jurei que tenho que dar a minha vida, toda a minha energia, toda a minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem, até ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo. Ao serviço da causa da humanidade, para dar a minha contribuição, quanto me é possível, para a vida do homem se tornar melhor no mundo.Este é que é o meu trabalho.

Manuel Pinto da Costa

O interesse nacional e o sentido de Estado devem prevalecer sobre quaisquer interesses particulares.

    8 comentários

8 comentários

  1. Riboqueano

    13 de Setembro de 2017 as 18:32

    Muito boa reflexão. Os meus parabéns!!

  2. STP

    14 de Setembro de 2017 as 13:38

    Muito boa reflexão, mas parece-me que esses dados estão tanto quanto desatualizados. O acesso ao ensino superior já é mais generalizado, principalmente devido o surgimento de universidades no país e nos últimos anos têm regressado muitos diplomados universitários ao país. Creio que a taxa de Universitários Diplomados seja maior.

  3. HILÁRIO GARRIDO

    14 de Setembro de 2017 as 18:09

    Mas que reflexão! Quem me dera se nós, os Santomenses, embebêssemos isso e que fosse objecto de estudo desde o secundário até as universidades!

    Aqui está a súmula do que devemos ter como farol, se de facto queremos desenvolver o nosso país.

    Obrigado Dr. Adriano Cunha, pela sua sapiência e preocupar-se em deixar essa dica ao meu país. Bem haja!

  4. Horácio Will (preocupado)

    17 de Setembro de 2017 as 11:38

    Muitos agradecimentos, Dr. Adrião Cunha.
    Verifiquei a forma enfática com que usou a palavra “Educação” e a necessidade da mesma. Vejo duas vertentes da Educação que considero serem distanciadas quando se refere à palavra em si:
    1- A “Educação” como um conjunto de habilidades adquiridas através do hábito orientado para fazer frente às situações quotidianas. É processo cujo resultado poderá caracterizar um indivíduo por: sentido prático, civismo, elegância de modos, princípios de justiça e de coerência… o que é mormente adquirido no seio familiar.
    2 – A “Educação” como aquisição de nível técnico, académico adquirido no meio escolar.
    Já escrevi neste jornal sobre a ética e o subdesenvolvimento de STP dando conta da preocupação que sinto no desfasamento destas duas vertentes da educação.
    Ex: Quanto maior for o número de economistas e de outros quadros superiores, mais favorável serão os dados estatísticos a confirmar um bom nível educacional duma sociedade levando a boas espectativas em termos de desenvolvimento. Se esses mesmos economistas tiverem uma educação de âmbito caseiro menos cívica, sem princípios de coerência e de justiça, a sua grande Educação de âmbito académico poder-lhe-á conferir habilidades para destruição mais intensiva da economia nacional em prol de interesses individuais ou de grupos.
    Sr. Dr. é com esta visão que lhe agradeço muito, além de todo o artigo, os últimos parágrafos da sua reflexão e as citações de diferentes pensadores.
    Ainda preocupado, pergunto:
    Se não cabe a cada professor debruçar sobre o processo sócio-educativo pelo qual não serão avaliados (só a assimilação dos conhecimentos técnicos pelos alunos é exigida a cada docente) e tendo em conta que muitas famílias não reúnem sensibilidades para torcer de pequeninos os pepinos no sentido de se preocuparem com o bem comum, aonde iremos implementar os princípios éticos que não são menos importantes que os técnicos?

  5. Jorge Torres

    17 de Setembro de 2017 as 20:47

    Felicito o autor pela reflexão que faz sobre a realidade são-tomense.
    Contudo, a experiência mostrou-me que de uma maneira geral os dirigentes políticos estão mais interessados em atenderem os seus compromissos do que darem valor aos pareceres técnicos dos quadros nacionais.
    Sendo assim, de que vale ter especialistas, ou mesmo, licenciados com conhecimento sobre determinadas áreas de conhecimento?
    Os que ousaram defender os seus pontos de vista, mesmo que devidamente fundamentados foram marginalizados.
    Espero que os políticos são-tomense “caiam na real” e passem a adoptar o caminho que nos leve efectivamente ao desenvolvimento.
    Um bem haja.

  6. Jorge Torres

    18 de Setembro de 2017 as 6:25

    Queria dizer ‘…políticos são-tomenses…’

  7. Fernando Simão

    18 de Setembro de 2017 as 13:14

    Os pareceres técnicos não têm valor aqui em São Tomé e Príncipe. Os Responsáveis só querem que se escreva ou que se diz aquilo que vai de encontro com os seus interesses ou de grupo. Por vezes acham que o facto de serem Chefes tem o direito de violar as normas e a Lei, chegando muitas vezes a utilizar a seguinte frase: “quem manda sou eu”, se o técnico insistir em contraria-lo. Como consequência, o técnico é pura e simplesmente marginalizado e considerado com sendo contra o Governo e o partido no poder. Muitas vezes inventam factos para denigrir e manchar o seu bom nome, simplesmente porque ele não se alinhou a situações pouco claras. Essa é a nossa pura realidade.

  8. Ralph

    19 de Setembro de 2017 as 3:18

    Como já disseram vários outros comentadores, este artigo levanta muitos pontos bons, enfatizando a importância de alfabetismo e educação como os condutores de desenvolvimento. Não há nenhuma dúvida de que melhor educação é muito importante no desenvolvimento de qualquer país. Na minha opinião, porém, toda a educação ao mais alto nível apenas dará fruto se haja empregos e atividade económica suficientes para utilizar toda a gente bem educada. Se isso não ocorre, só haverá uma população muito educada que não pode encontrar empregos e alimentar as suas famílias, talvez levando a um sentido de desespero e dúvidas acerca da necessidade de dedicar tantos recursos à educação sem parecer receber os benefícios. É também um assunto de identificar e criar vantagens estratêgicas, quer rotas de negócio quer o estatuto como um offshore quer um porto a nível global quer qualquer outra coisa, que possam trazer benefícios ao país. É apenas então que melhor educação poderá verdadeiramente começar a dar fruto.

    O autor refere-se também à necessidade de melhorar a eficiência e a utilidade do serviço público, sendo, como o artigo diz, ao mesmo tempo a maior empregador e a maior prestador de serviços. Mas isto apresenta o que seja talvez o problema maior em países pequenos em desenvolvimento. A falta de oportunidades para enriquecimento para a população em geral leva a um desejo na parte dos políticos e dos gerentes do serviço público (e não só eles) para abusar as suas posições para se beneficiar. Isto, por sua vez, aumenta o nível de corrupção e criminalidade porque há pouco outras oportunidades para ganhar dinheiro suficiente para ter uma vida confortável. E eis temos um cíclo vicioso que é muito difícil parar. Melhor educação é parte da solução, claro, mas os problemas encarados por enfrenta São Tomé e Príncipe são muito complexos e requererão muitas soluções integradas para chegar a um futuro melhor.

Deixe um comentário

Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo