Independentismo Catalã

Penso  que o chamado nacionalismo que tem a ver com as especificidades de cada comunidade terá tido a sua razão de na vida das comunidades situadas num espaço geográfico, nos séculos passados.

Hoje, os povos estão unidos num só espaço territorial, onde estão formados os Estados, nomeadamente os que hoje têm regiões autónomas como a Espanha.

Há quantos anos que as comunidades ou mesmo as nações existem numa Espanha unida? Com tanta convivência plural naquela sociedade?

Qual o valor supremo que leva os “espertos/cabecilhas” dos independentistas encontraram para por em causa essa convivência, sobretudo povos da União Europeia, mundo civilizado, altamente democrático e avançado?

Não posso estar de acordo com as esses independentistas misteriosos que manipulam populações para os seguir nessa aventura a priori abortada.

Tenho pena que isso aconteça. Pessoas foram feridas (agredidas) por enfrentarem a autoridade de um Estado que tem um Governo mundialmente reconhecido, consolidado, altamente democrático.

O problema é que o Estado tem que impor o cumprimento das regras, em último recurso com uso da força que deve ser proporcional e necessária. Até pode envolver morte se estiver em causa a vida dos outros, sobretudo polícia – legitima defesa.

Uma coisa é certa. Nada pode ser feito contra as autoridades já instituídas, sobretudo com decisão da mais alta instância judicial que é o Tribunal Constitucional de Espanha.

Há uma Constituição em Espanha que baliza a forma como a sociedade e as instituições devem se comportar. E enquanto não for alterada, tem que ser rigorosamente cumprida. O contrário seria tudo menos o Estado de Direito.

“Dura lex cede lex”. As regras já estão estabelecidas. Quem violar acarreta com as consequências que é o rigor da lei e pode culminar com o uso da força.

Aí de um Estado dos EUA que venha a pedir independência! Tudo está estabelecido há século! .

Venham, Açores e Madeira pedir independência! Venham!

Primeiro em todos os país há o crime de atentado contra unidade do Estado. Daí que os “Chico-espertos” que promoveram referendo e depois querem declarar independência com menos de metade de população, hão-de responder na justiça. Penso, aliás, que ainda não são “arrastados” para evitar problemas de ordem públicas, segurança e integridade física das pessoas.

Vejam que mesmo em Catalunha – Barcelona há grande manifestação pela união de Espanha.

Penso ser irracional agir, assim.

Uns “especialistas” cá da banda dizem que é liberdade de voto, de escolha e decisão.

Outros parvamente invocam  direito da autodeterminação dos povos? Qual povo! Um Estado unitário, ,mesmo regionalizado só tem um povo. E este povo só exerce direito à luz das regras já estabelecidas. Nenhuma comunidade pode querer decidir ou votar o que quer fora do quadro legal. Há casos de referendos locais para algumas decisões para cuidar das comunidades etc.

Agora, direito a autodeterminação é até do Direito Internacional – Carta das Nações Unidas.

Esse direito foi proclamado na década 60, se não me falha a memória, quando havia países colonizados por outros. Ex. Africa, a luta dos povo africanos pela sua independência.

A autodeterminação é uma confrontação entre um povo contra o domínio de um Estado, como se passou com PALOP. Não funciona dentro de um mesmo país mesmo com regiões autónomas, ou Estados nos EUA.

Receio que essa confusão dos independentistas venha a degenerar em confrontações graves.

O Estado Espanhol não cederá nunca! Ao menos que se reforce a autonomia da Catalunha em vários domínios.

Hilário Garrido

 

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    Txe Responder

    O Sr. Garrido o a mediocridade disfarçada de “cientificismo” … escreve sobre a Catalunha
    Todos tem ideias, é claro. Mas há alguns que parecem ter ideias, outros que copiam ideias e outros que disfarçam as suas ideias por conveniência. Depois, há aqueles que acreditam que as suas ideias são “científicas” e não se cansam de querer mostrar-se como se realmente o fossem, mas na sua “santometitis”, eles confundem as suas ideias com argumentos. É o caso do senhor Garrido?
    O Sr. Garrrido parece, com suas ideias, um “grande” defensor da monarquia espanhola, esse regime restaurado pelo golpista e ditador Francisco Franco e que, juntamente com o Camboja é o o país que mais desaparecidos políticos tem no mundo:miles e miles de cadaveres ainda sem desenterra e dar sepultura, de acordo com a agência correspondente das Nações Unidas. Garrido e um grande defensor desse regime cujo poder político atual tem mais de setecentos processos de corrupção, que não avançam porque os tribunais estão nas mãos do governo, nem mais nem menos, e nos quais o próprio Rajoy está envolvido. O regime em que a irmã do rei é liberada porque “ela não sabia” que estava cometendo vários crimes, provados, mesmo se beneficiou do dinheiro que a sua empresa adquiriu ilegalmente com as suas assinaturas. Garrido chama de “sociedades altamente desenvolvidas” a este regimen e toma como argumento para dizer que a Catalunha não tem direito à autodeterminação. Cuitado de meu amigo Garrido.
    Garrido confunde e mistura muitas coisas, por ignorância, penso, como a Infanta Helena, mas nós não confundimos aquilo que pensamos com nossa própria cabeça e não temos medo de correr riscos para fazer um mundo melhor. Por exemplo, chama “comunidades” a Nação Catalã;. ele não leu que a própria Constituição espanhola afirma em um dos seus artigos que a Catalunha é uma “Nacionalidade histórica”.
    A partir dessa ideia das “comunidades”, é óbvio que nem as comunidades de santomenses no exterior têm direitos naturais, nem direitos históricos, nem direitos culturais ou sociais ou políticos para pedir a autodeterminação de sua comunidade em Portugal, Angola, Gabão … Como ele diria: Que parvicie!. Mas ele não percebe, é claro, e ele não vê quem é o tolo nesta história. É claro que ele escreve para agradar aos “espanholistas”: essa mistura dominada hoje pelos Nacional-Fascistas de suástica que no Dia da Hispanidade semeia o terror em algumas ruas de Barcelona. E, tomando o exemplo dos EUA, todos sabem que é um Estado-Nação formado com populações de emigrantes e escravos, pessoas vindas de todo o mundo e que, portanto, não tem problemas de independentismos porque as “Nações indianas”, isso seria aqueles que teriam alguma legitimidade, foram aniquiladas ou assimiladas. Os Estados Unidos são um Estado-Nação composto de estados federais que tem sua “Nação Americana” em comum, não é o caso de espanhoeis e catalaens que ten uma historia de naçoes diferentes.No dia 15 de octubro, amanhá, os catalaens tem o o 77 avo aniversario do Presidente Companys, fusilado pelas tropas franquistas tras ser detido na France pela gestapo e entregue ao fascismo espanhol.
    Não nos meta medo ou confunda-nos, Sr. Garrido. Seja humilde e não disfarçe a ignorância. A Constituição ou “Magna Carta” é algo feito por poderes politicos e não precisa ser justa. Não tente vender que a Constituição é um livro sagrado e que não podemos fazer nada para mudá-la. Nas sociedades modernas, é claro que homens e mulheres perceberam que existem direitos fundamentais e direitos universais que são superiores ao ponto de vista da convivência e que são realmente bases para o verdadeiro desenvolvimento em igualdade e equidade. O direito dos povos à sua autodeterminação é um deles porque está circunscrito no quadro dos direitos humanos. Na Europa existem muitos exemplos: a autodeterminação da República Tcheca ou da Crimeia entre outros. Sobre a ideia de “legalidade”, outra coisa que o Sr Garrido gosta de mostrar contra a Catalunha, é afirmar que: a escravidão era legal, o feudalismo era legal, o colonialismo era legal, o fascismo era legal, o apartheid era legal, as ditaduras eram legais … e isso, apesar de a “legalidade” ser uma questão de poder e não de justiça. Como diz Mahatma Gandhi: Quando a legalidade é injusta, resta-nos a desobediencia civil. E o que os catalaens praticam até agora.
    O Sr. Garrido insulta e mancha o nome de todos aqueles que lutaram e lutam contra a injustiça chamando de “expertos/cabecilhas” as autoridades que legitimamente representam (eleitos nas eleições) ao povo catalão; Eu sei, ou imagino, por que ele faz isso. Mas não são os catalães que invocam “valores supremos”, não, como ele diz, são pessoas como o Sr Garrido que, em sua mediocridade, pensam que uma Constituição é um livro sagrado. Os catalães estão no seu território, não invadem outro, e defendê-lo com serenidade, desobediência e determinação. Um exemplo que os medíocres não entendem.
    Alfonso

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      Cobra branca Responder

      Voce esta falar bue de falsedades. Nao é naçao catalana, nao existe a naçao catalana, nunca existio catalunha como estado independente. A monarquia española foi restaurada por el povo español, nao por Franco, junto com a Constituçao aprobada por todos os españoles e que em catalunha teve um apoio do 90%. É falso que tenha miles e miles de desaparecidos políticos, no qano 1936 ao 1939 hubo una guerra civil e murieram muitas pessoas mas nao ha desaparecidos. De facto no governo de Zapatero aprovouse a lei de Memoria Histórica que elimina todo símbolo franquista das ruas do país e ajuda a procurar aos mortos da guerra que foram enterrados no campo e ainda nao foram desenterrados. Os procesos de corrupçao avanzan muito bem, de facto ha muitos políticos na cadeia, do Partido Popular, do PSOE e do partido do Governo catalán que cobrava um 3% a todas as empresas que queriam fazer obras publicas e tinham seu dinero em paraísos fiscais, é seu máximo líder Jordi Pujol quem ainda esta na rua. A irmá do rei nao fiz nada, foi o marido dela e voce nao sabe se ela sabia ou nao sabia o que seu marido estava a fazer.
      Companys fusilo muitas pessoas tambem, na aquela época era común a pena do norte, mas agora nao. Tambem ha que dizer que companys promoveu um golpe de estado e foi para cadeia no ano 1934, quando Espanha era republica, nao ditadura.
      quando fala de “O direito dos povos à sua autodeterminação é um deles porque está circunscrito no quadro dos direitos humanos” falta por dizer que ese dereito é no ámbito das colonias e dos povos oprimidos, neste caso nao é nenhumo.
      Por ultimo nao sao os catalanes os que querem ser independentes, é só o 40% do povo catalán, nomeadamente partidos políticos anarquistas e anti-sistema.
      Aquí fica claro que voce nao conhece Espanha e tem un odio grande contra ela, só mentir e mentir. Espanha é uma das melhores democracias do mundo, de facto é considerada a quarta melhor do mundo, exemplo de transiçao da ditadura a democracia, transiçao estudada nas universidades de muitos países do mundo.

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    Toussaint L'Ouverture Responder

    Mas que violino tão mal tocado…

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    António Serrano Responder

    Li de uma ponta à outra. Excelente reflexão. Não há na Catalunha qualquer colonialismo, antes chicos espertos, como bem escreveu, que querem cavalgar a onda do poder para proveito próprio. Todos conhecemos exemplos semelhantes. O referendo foi uma palhaçada de mau gosto, pois a maioria da população, num referendo com as devidas garantias democráticas, vai responder NÃO. Eles sabem isso e daí terem engendrado aquela pantomina. Arriba, Espanha!

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    MIGBAI Responder

    Meu caro conterrâneo Hilário Garrido.
    Estou plenamente de acordo consigo.
    Deixe os cães ladrarem, desde que não mordam está tudo bem.
    Eu faço a pergunta por si, a estes eunucos revolucionários que por aqui surgem, sem avaliarem as consequências dos textos que gatafunham.
    Aqui vai a pergunta; Mas porque é que, tendo ganho o referendo com 99% dos votos a favor da independência, o governo da Catalunha ainda não declarou a independência, quando antes do pseudo referendo dizia que em 48 horas declararia a independência???
    A resposta será tão simples quanto a pergunta; Porque a Catalunha iria destabilizar toda uma europa, porque iriam destruir-se como povo, porque estagnariam a sua economia, ingressando no grupo dos países dependentes de outros, como é o caso de são Tomé e Príncipe e não só.
    Por isto tudo meu caro Hilário Garrido, deixe esses viveiros de pulgas vira latas dizerem o que querem, pois ladram sem terem a noção do que ladram.
    Bastava eles olharem, com os olhos bem abertos, para a miséria humana e social que vivemos em Stp, fruto de uma (in)dependência oportunista, e desnecessária, para querendo, poderem mudar de ideias.
    Estes comentadores de roça, pretendiam ver uma Espanha toda retalhada e como tal, desaparecer como pais.
    São estes meu caro Hilário Garrido, que com bilhete de identidade de STP numa das algibeiras e um bilhete de identidade de Portugal na outra, tornaram-se a verdadeira vergonha destas ilhas.
    Força meu caro, continue escrevendo as suas ideias.
    Viva a Espanha unida!!! Para desgraça já basta a nossa (in)dependência.
    Aquele abraço.

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      Ralph Responder

      A resposta à sua pergunta sobre a não declaração de independência na parte do governo da Catalunha, na minha opinião, é que os Catalãos não falam com uma única voz em relação à independência. Muitos sabem que provavelmente vão ser melhores como parte da Espanha em vez de a região se tornar um país independente. A mesma coisa aconteceu no referendo do Reino Unido acerca de independência da Escócia, e também na Canadá em relação ao estado de Quebec. A única diferença entre os três casos é que os governos do Reino Unido e da Canadá teve a coragem de pôr a questão ao seus próprios povos, arriscando que tudo pudesse ter resultado mal.

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    Xavier Responder

    Vocês talvez não sabem que o saludo dos fascistas em Espanha na época da ditadura de Franco era “Arriba España!”, como responde precisamente o Sr. António Serrano em um alarde de subconsciente (o de consciente reconciliação com a sua ética) que claramente o delata. Assim va Espanha, cheia de rémoras que nada tem a ver com o exercício da democrácia e da sua garantia. Repugnante, vergonhoso o seu “Arriba España!” sr. Serrano que lembra os 40 anos de repressão e violência franquista em Espanha, e que certifica que ainda há infelizmente muitos que pensam na involução e no exercício cobarde da violência para esconder a sua incapacidade para dar solução a um problema que é político. Talvez o refrendo com garantias poderia dizer outra coisa, mas quem impedeu celebrá-lo com essas garantias foi o próprio governo espanhol, mesmo com inusitada e raivosa violência à vista de todo o mundo contra pessoas normais, pacíficas (famílias, gente velha, jovens) que iam a exercer o seu direito democrático.

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    Toussaint L'Ouverture Responder

    MIGBAI, MIGMAI, quem és tu?
    - Sou um frango maltês, toco piano e falo francês…

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    MIGBAI Responder

    os cães ladram, e a carava passa!

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    Van Responder

    Dignissimo Juiz Garrido, lhe invito a que venha a Barcelona e contraste in situ as suas informções, que acho erradas e superficiais por pouco ou nada documentadas no aspecto político e social. Eu, são-tomense, e resido em Catalunha, e estou sofrendo nas próprias carnes os efeitos de uma repressão que não posso compreender num país que deveria ser essa “democrácia consolidada” da que fala… E me parece não ser assim. Amigos nossos receberam paus por votar num referendum. As ruas se enchem de gritos pela liberdade e a independencia . Mais agora quando, a maiores abusos, foram presos lideres de movimentos pacificos, não violentos. Venha a Barcelona, e julgue por si próprio frente factos humanos, frente ao clamor popular que está a pedir a garantia de direitos fundamentais entre os quais está o pedido da independencia.

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      sotavento Responder

      Caro sr Van
      Sou de STP y tambem vivo en Bcn e as coisas nao sao bem como diz.

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    Ralph Responder

    É verdade que nenhum país está obrigado a ceder a nenhuma chama pela independência de uma região dentro das fronteiras daquele país. Ao mesmo tempo, porém, uma região de um país deveria sempre ter o direito de exprimir a sua vontade de se tornar independente por qualquer razão ravoável. O que acontece depois de uma declaração de independência dependerá no tamanho da região e no poder que possui.

    Nalguns casos, como a Escócia no contexto do Reino Unido e o estado de Quebec no contexto da Canadá, as regiões têm o tamanho e/ou o poder económico suficiente para suscitar um referendo nacional para decidir o assunto. Outros regiões internas não possuem o poder necessário para exigir que um voto fosse tomado para resolver a situação. Por estas regiões, a situação é menos agradável. Por exemplo, há uma área no sul da Tailândia (um país de maioria budista) povoada maioritariamente por muçulmanos. Noutro caso recentemente destacado nas notícias mundias, os Rohingyas que estão a fugir ao Mianmar para procurar refúgio na Bangladeche. Depende também na vontade do próprio país para ceder parte do seu território se o resultado de um voto ou referendo acabasse por ser mau.

    Parece que o Reino Unido e a Canadá têm estado preparados, às vezes, para a decisão sobre a independência de uma região interna ser esclarecida pelo eleitorado. Estes países estiveram prontos para ceder se os cidadãos tivessem escolhido tornar-se independentes. Noutros casos, tais como a Catalunha, os Rohingyas e os muçulmanos Tailandeses, o governo do país em questão parece menos inclinado a aceitar a vontade daqueles povos e vai resistir ao apelo à independência o máximo possível.

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