Economia

Crise do Cacau debatido no parlamento

O Governo anunciou na Assembleia Nacional que está a procura de uma solução sustentável para a crise que se abateu sobre a produção e comercialização do cacau no país.

Alguns deputados aproveitaram o debate em torno da Moção de Censura, para interpelar o Governo sobre a questão da crise do cacau, que está a lançar milhares de agricultores na pobreza profunda.

Um assunto divulgado em primeira mão pelo Jornal Téla Nón, com base na reclamação dos produtores de cacau, que  não tem conseguido vender o cacau, faz já um mês.

O Ministro da Agricultura, Francisco Ramos, reconheceu que a decisão da empresa SATOCAO em suspender a compra do cacau complicou a situação de vida dos agricultores. «É verdade que a SATOCAO foi um dos grandes compradores do cacau, e a saída da SATOCAO trouxe para o país um problema. Muitos agricultores encontram-se impedidos de vender a sua produção», afirmou o ministro.

O Ministro acrescentou que o problema é mais complicado. «O problema não é por causa da saída da SATOCAO, o problema é mais grave. O problema é que o cacau está nos armazéns sem poder vender. Não há comprador para o cacau seco».

A crise do novo coronavírus, provocou uma redução drástica da procura do cacau convencional no mercado Europeu. «Não é a primeira vez que isso acontece. Na década de 90, o preço do cacau baixou e muitos compradores abandonaram o negócio e tivemos muito cacau estragado», sublinhou o ministro.

Actualmente toda a produção do cacau convencional do país está condenada a fracasso. O cacau está a estragar. Os agricultores não têm comprador para o produto.

O Ministro da Agricultura considera que a solução para o problema com o cacau convencional, passa pela adopção pelos produtores das técnicas de produção biológica.

«Temos que trabalhar na perspectiva de uma produção biológica. Pois nas fileiras da produção biológica nunca haverá este tipo de situação. Enveredar para a produção biológica é uma das formas de evitarmos essa situação», frisou o ministro da agricultura.

A CECAB, cooperativa de exportação de cacau biológico, já se manifestou disponível a incorporar nas suas fileiras cerca de 600 agricultores que até agora produzem o cacau convencional.

A CECAB, e a CECAQ-11 (cooperativa de exportação de cacau de alta qualidade), são duas cooperativas agrícolas que produzem cacau segundo os princípios de cultura biológica. Ambas estão certificadas a nível internacional como produtoras de cacau biológico. Uma produção que tem mercado fixo, e preço justo.

O Ministro da Agricultura, garantiu que as empresas que compram o cacau convencional, estão todas falidas. SATOCAO, é uma delas, e já pediu ajuda financeira ao Governo, para tentar retomar as suas actividades. O crédito financeiro solicitado a um banco comercial santomense, está avaliado em 800 mil euros. Dinheiro que até agora não foi disponibilizado a SATOCAO.

Abel Veiga

 

    3 comentários

3 comentários

  1. Pedro Costa

    2 de Agosto de 2020 as 21:39

    Com 45 anos de independência e com a monocultura de cacau já é tempo de termos industria de cacau mais bem implantado no país e não estarmos constantemente a contar com a exportação da matéria prima. Depois dá nisto.
    Será que a quantidade produzida não é suficiente para estes 2 campos ( exportação e consumo interno nas industrias)? Desconheço, mas contudo deve-se pensar mais à frente e não ficarmos estagnados.

  2. SEMPRE AMIGO

    3 de Agosto de 2020 as 12:09

    “Um assunto divulgado em primeira mão pelo jornal TÉLA NÓN,com base na reclamação dos produtores de cacau, que não têm conseguido vender o cacau, faz já um mês” ,fim de citação. SENHOR PRIMEIRO MINISTRO! Cá está um assunto que deve merecer uma atenção urgente e prioritária do GOVERNO.Eu diria mais:Tendo em conta que ,na receita de exportação do nosso país, o rei CACAU ocupa uma elevadíssima percentagem e ao mesmo tempo assegura a sobrevivência de numerosa família santomense, um CONSELHO DE MINISTRO EXTRAORDINÁRIO seria recomendável.Seria também uma desejável oportunidade para serem analisados os efeitos provocados com o lançamento do desafio feito ao país pelo chefe do Governo com a palavra de ordem BAMU CHIMIA PA NON BÊ CUA CUMÉ e as necessárias medidas que deverão ser tomadas para assegurar uma acertada gestão dos resultados.

  3. Ralph

    5 de Agosto de 2020 as 0:27

    Pelo menos o vosso parlamento ainda está a reunir-se. Na Austrália, os políticos decediram que o risco de se contrair o coronavírus é demasiado grande para convocar o parlamento.

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