Política

“O mundo está a mudar de maneira radical num sentido que muita gente não esperava a cinco ou 10 anos atrás”

A decobama.jpglaração é do Primeiro-ministro Rafael Branco, quando saudava a eleição do afro-americano Barack Obama, como Presidente dos Estados Unidos de América. Rafael Branco que recordou a exclusão social que os negros viviam nos Estados Unidos durante a década de 60, considera que Obama é uma oportunidade que a América tem para reconquistar a confiança dos cidadãos do mundo. A festa da vitória de Obama em São Tomé ficou marcada por uma manifestação de rua e muitas reuniões de celebração organizadas por cidadãos anónimos. Está previsto para esta semana mais um jantar – festa no hotel pestana par celebrar a eleição histórica nos Estados Unidos.

Um grupo de cidadãos santomenses reuniu-se na zona Oque-del-rei num jantar para comemorar a vitória de Barack Obama. Uma de muitas manifestação que demonstra o interesse de um dos mais pequenos países do mundo, São Tomé e Príncipe, pela subida a casa branca do primeiro negro norte-americano.

É mesmo uma manifestação de orgulho de raça, porque muitas pessoas contactadas pelo Téla Nón, não acreditam que Barack Obama poderá fazer muito pelo desenvolvimento do continente africano. A satisfação explica-se fundamentalmente por ser um descendente directo de queniano a ser Presidente da maior potência económica e militar do mundo. Um país onde as decisões tomadas acabam por influenciar o mundo inteiro.

O primeiro-ministro Rafael Branco, confirma a mudança que está a acontecer no planeta terra. «É um sinal que o mundo está a mudar, e está a mudar de maneira radical num sentido que muita gente não esperava a cinco ou 10 anos atrás. As pessoas da minha geração seguiram o que foi o movimento pelos direitos cívicos nos Estados Unidos. É preciso lembrar que no início dos anos 60 em muitos estados americanos o cidadão afro-americano não tinha direito ao voto, não podia andar em autocarros com pessoas de raça branca, não tinha direito a escola. E 50 anos depois temos um cidadão afro-americano na presidência dos Estados Unidos», declarou o Chefe do Governo.

Para o Primeiro Ministro trata-se de uma vitória sobre todos os preconceitos raciais. «Não foi um negro americano que ganhou, foi um cidadão no uso dos seus direitos que conquistou a maior parte do eleitorado americano que não é eleitorado negro, é diverso. Há muito mérito para o senador Barack Obama mas sobretudo está reflectido nessa eleição um desejo profundo de mudança na sociedade americana e internacional», reforçou.

De acordo as palavras de Rafel Branco, as portas se abrem para os Estados Unidos, recuperarem a esperança de um mundo mais pacífico e solidário. «Eu acho que América tem com esta eleição a oportunidade de reconquistar a confiança dos cidadãos do mundo, espero eu envergando por uma política mais multilateral dos problemas internacionais abandonando aquele unilateralismo, aquela primazia do interesse americano isolando os interesses dos outros países. Porque essa mudança é fundamental. Não há nenhum problema do mundo, quer no domínio do ambiente, no domínio da resolução dos conflitos, quer para estabilidade do sistema financeiro, não há solução sem ser através do multilateralismo, e esta foi uma via que a antiga administração recusou em seguir», concluiu.

Ainda para esta semana está marcado um jantar-festa numa das instalações do grupo Pestana em São Tomé, para celebrar as eleições que colocaram a primeira família afro-americana como inquilino da casa branca.

Abel Veiga

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