Política

Covid-19 – China cria comunidade sino-africana de saúde e perdoa dívidas de África

No quadro da luta contra a Covid-19, a República Popular da China juntou-se nesta semana ao continente africano, numa cimeira extraordinária, para cimentar a solidariedade na luta contra a Covid-19.

Na sua intervenção na cimeira que se realizou na quarta – feira, por videoconferência, o Presidente da China Xi Jinping, anunciou a criação de uma comunidade sino-africana de saúde.

Dentre várias medidas de solidariedade para com o continente africano, na luta contra o novo coronavirus, o Presidente da China apresentou aos Chefes de Estados Africanos que participaram na cimeira digital, o perdão da dívida  resultante de empréstimos contraídos pelos países africanos junto ao Governo da China.

Para conhecer a nova parceria entre a China e África, e as diversas acções definidas para lutar e vencer a Covid-19, o leitor deve acompanhar o teor do discurso do Presidente da China Xi Jinping na cimeira extraordinária China – África.

 

Excelentíssimo Sr. Presidente Cyril Ramaphosa,

Excelentíssimo Sr. Presidente Macky Sall,

Excelentíssimos Chefes de Estado e de Governo,

Excelentíssimo Sr. Moussa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana,

Excelentíssimo Sr. António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas,

Excelentíssimo Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director-Geral da Organização Mundial de Saúde,

Num momento importante da luta global contra a COVID-19, estamos reunidos, através de vídeo, nesta Cimeira Extraordinária China-África com os amigos antigos e novos, a fim de abordar a nossa resposta conjunta à COVID-19 e renovar a fraternidade entre a China e a África. Agradeço ao Presidente Ramaphosa e o Presidente Sall por se terem juntado a mim para a iniciativa desta cimeira, e à participação de todos os colegas presentes. Gostaria também de expressar os meus sinceros cumprimentos aos dirigentes africanos que não estão presentes hoje.

O surto da COVID-19 tem afetado todos os países no mundo e causado a perda de várias centenas de milhares de vidas preciosas. Queria expressar as condolências aos falecidos e a solidariedade aos seus familiares!

Perante a COVID-19, a China e a África resistiram ao desafio severo. O povo chinês envidou árduos esforços e fez enormes sacrifícios para colocar sob controlo a situação no país. No entanto, continuamos a enfrentar o risco de ressurgimento. No mesmo espírito, os governos e os povos africanos conjugaram uma frente unida e, acrescidos com uma coordenação efectiva da União Africana, tomaram medidas firmes para aliviar eficazmente a propagação do vírus. Estas são, sem dúvida, as conquistas obtidas nada fáceis.

Perante a COVID-19, a China e a África têm oferecido apoios mútuos e lutaram ombro a ombro. A China lembrará sempre o inestimável apoio da África no auge da nossa luta contra a COVID-19. Em contrapartida, face ao surto da COVID-19 na África, a China foi a primeira a chegar com assistência e, desde então, tem-se mantido firme com o povo africano.

Perante a COVID-19, a China e a África manifestam ainda mais solidariedade e reforçam ainda mais a nossa amizade e confiança mútua. Permitam-me reafirmar a valorização da China à sua amizade tradicional com a África. Independentemente da evolução da cena internacional, nunca se muda a determinação da China de fortalacer a solidariedade e a cooperação com a África.

Colegas,

Atualmente, a COVID-19 ainda está a propagar-se pelo mundo. Tanto a China como a África enfrentam as tarefas árduas de combater ao vírus, estabilizar a economia e assegurar a subsistência do povo. Devemos priorizar sempre as vidas do povo, mobilizar todos os recursos, manter a solidariedade e a cooperação, fazer o máximo que pudermos para proteger a vida e a saúde do povo e minimizar as consequências negativas da COVID-19

Primeiro, lutaremos veementemente contra a COVID-19. A parte chinesa continuará a apoiar todos os trabalhos da parte africana para o controlo da situação e implementará mais rápido possível as medidas que anunciei na abertura da Assembléia Mundial da Saúde, fornecendo materiais essenciais, enviando equipas de especialistas médicos aos países africanos e auxiliando a aquisição dos materiais de biossegurança na China.

A parte chinesa adiantará para este ano a construção da sede do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), e trabalhará junto com a parte africana para implementar a iniciativa de Acção de Saúde e Higiene, no âmbito da Cimeira de Beijing do FOCAC e acelerar a construção dos Hospitais de Amizade Sino-Africana e o mecanismo de cooperação para hospitais chineses emparelharem-se com hospitais africanos, construindo juntos uma comunidade sino-africana de saúde. A parte chinesa promete que, assim que a vacina chinesa esteja concluida o seu desenvolvimento e pronta para ser aplicada, os países africanos serão os primeiros beneficiários.

Segundo, impulsionaremos inabalavelmente para reforçar a cooperação sino-africana. A fim de aliviar o impacto da COVID-19, fortaleceremos a cooperação do Cinturão e Rota, acelerar a implementação dos frutos da Cimeira de Beijing do FOCAC e dar maior prioridade à cooperação na área da saúde e higiene, a reabertura económica e melhoramento de subsistência do povo.

No âmbito do FOCAC, a China perdoará a dívida de vários países africanos na forma de empréstimos governamentais sem juros que vençam antes do final de 2020. A parte chinesa está disposta a trabalhar em conjunto com a comunidade internacional para dar maior apoio aos países africanos mais atingidos pela COVID-19, através de meios como mais prolongação do período de suspensão da dívida, para os ajudar a superar as dificuldades atuais.

A parte chinesa encoraja as instituições financeiras chinesas a ter a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) do G20 como referência e manter consultas amistosas com os países africanos conforme os princípios do mercado, para elaborar disposições aos empréstimos comerciais com garantias soberanas. Trabalhando juntos com outros membros do G20, a China implementará a DSSI e, apela a que os membros de G20 estendam ainda mais, na base atual, a suspensão do serviço da dívida dos países abrangidos, incluindo os países africanos.

A China espera que a comunidade internacional, especialmente os países desenvolvidos e as instituições financeiras multilaterais, ajam com mais esforço na suspensão e alívio da dívida da África. A China trabalhará com a ONU, a OMS e outros parceiros para ajudar a África responder à COVID-19 e tudo isso será feito de uma maneira que respeita a vontade da própria África.

O que importa ao longo prazo é promover o desenvolvimento sustentável na África. A China apoia o desenvolvimento da Zona de Comércio Livre Continental Africana, o reforço da construção da conectividade e fortalecimento das cadeias industrial e de suprimentos na África. A China está disposta a, em conjunto com a África, explorar novas formas de cooperação, tais como a economia digital, a cidade inteligente, a limpa energia e as comunicações de 5G, impulsionando o desenvolvimento e a revitalização da África.

Terceiro, defenderemos inequivocamente o multilateralismo. Face ao surto da COVID-19, a solidariedade e a cooperação são as nossas armas mais fortes. A China está disposta a trabalhar com a África para defender o sistema de governança global centrado na ONU e apoiar a OMS nos seus esforços para contribuir mais para o combate mundial à COVID-19. Opomo-nos à politização e estigmatização da COVID-19 e somos firmemente contra a discriminação racial e os preconceitos ideológicos. Salvaguardaremos firmemente a equidade e a justiça na comunidade internacional.

Quarto, promoveremos firmemente a amizade China-África. O mundo de hoje está a atravessar grandes mudanças sem precedentes nos últimos cem anos. Enfrentando as novas oportunidades e desafios, necessita-se mais do que nunca do reforço da cooperação entre a China e a África. Estou disposto a manter estreitos contactos com todos os colegas, para consolidar a nossa amizade, confiança mútua e os apoios recíprocos nas questões sobre os nossos interesses essenciais, salvaguardando os interesses fundamentais da China, da África e de todos os países em desenvolvimento. Desta forma, poderemos levar a parceria estratégica e cooperativa abrangente China-África a um nível mais elevado.

Colegas,

Na Cimeira de Beijing do FOCAC, concordámos em trabalhar juntos para construir uma comunidade de futuro compartilhado China-África mais estreita. A Cimeira Extraordinária China-África sobre a Solidariedade contra a COVID-19 é a nossa acção concreta para implementar os compromissos que assumimos na Cimeira de Beijing e para nós encarregar mais praticamente as responsabilidades na cooperação internacional contra a COVID-19. Estou convicto de que a humanidade acabará por derrotar o vírus, e o povo chinês e o povo africano abraçarão um futuro mais brilhante.

Obrigado!

    6 comentários

6 comentários

  1. luisó

    19 de Junho de 2020 as 19:22

    A parte chinesa promete que, assim que a vacina chinesa esteja concluida o seu desenvolvimento e pronta para ser aplicada, os países africanos serão os primeiros beneficiários…..
    E mais não digo…….

  2. J. Fernandes

    20 de Junho de 2020 as 0:16

    Frase para pencar e reflectir …

    A parte chinesa promete que, assim que a vacina chinesa esteja concluida o seu desenvolvimento e pronta para ser aplicada, os países africanos serão os primeiros beneficiários.

    SERA MERECE COMENTARIOS ! ?…

    Quem viver vera !…

  3. Axiel Camble

    20 de Junho de 2020 as 12:00

    Coitado da África e dos Africanos…

    Porquê que a liderança africana não usa os recursos africanos em prol da melhoria das condições basicas dos povos africanos?

    Porquê?

  4. SEMPRE AMIGO

    20 de Junho de 2020 as 18:19

    QUE BELA INICIATIVA!O! O Covid-19 veio reforçar a nossa convicção de que o multilatârismô é a saída acertada para o reforço da cooperação entre as Nações.O domínio hegemónico já pertence ao passado.As actuais super-potências não conseguirão entender-se.Já nos anos 60,em em1960,num debate na Camara dos Lordes sobre o tema(A China) ,o Lorde Kenneth disse 0 seguinte:”Os dois países não conseguem compreender-se.A América só fala de paz, mas bombardeia o vizinho da China.A China vê as acções e ignora as palavras.A China só fala da guerra, mas não há um único soldado chinês fora da China.A América ouve-lha as palavras,mas ignora as acções”.A pandemia Covid-19 veio fortalecer ainda mais a minha convicção de que o multilateralismo é a via mais segura para reforçar uma cooperação multiforme entre as Nações.Toda tentativa das forças hegemónicas de querer aproveitar-se da miséria dos países mais pobres para aumentar e consolidar o seu poder está condenada ao fracasso.
    A criação de uma comunidade sino-africana de saúde é uma iniciativa louvável e oportuna.É sabido que a China,durante a sua longa história,na sua política externa nunca utilizou a agressividade.O elemento mais constante na sua política externa tem sido exercer um poder brando de atração,em vez de um poder duro de coação.Segundo os dizeres do CONFÚCIO ,”consiga que os que estão perto estejam contentes e os que estão longe se sintam atraídos….;o homem virtuoso ,(o jungi),não deve buscar o poder mas sim o bem de toda a sociedades sua bondade interna(Rew) manifesta-se no respeito externo(Li).Quando um Estado civilizado ,quer dizer virtuoso, exerce no mundo uma influência benéfica:ESTABILIDADE,PAZ E HARMONIA.Obrigado CHINA.J untos defenderemos inequivocamente o multilateralismo.

    • Amaro Couto

      22 de Junho de 2020 as 8:45

      Gostaria de saudar esta importante licao do Sempre Amigo sobre a politica externa da China.

  5. Martina Dolo.

    22 de Junho de 2020 as 20:53

    Ouvimos q vários países queriam ajudar a STP, até hoje, só vimos o apoio da China e OMS! Obrigada CHINA e OMS! VIVA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE!

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