Economia

Crise energética ameaça bloquear São Tomé e Príncipe

Apagões regressaram a ilha de São Tomé. A empresa de electricidade, EMAE, e a empresa de combustíveis, a ENCO estão a beira da falência.

A crise energética aprofunda-se em São Tomé e Príncipe. O arquipélago está afundado em dívidas para com a empresa de combustíveis. O Governo avisou que para salvar a ENCO, tem que haver mais um aumento do preço dos combustíveis.

A crise energética agudizada pela guerra no leste da Europa, ameaça bloquear São Tomé e Príncipe económica e socialmente.

Wando Castro, ministro da presidência do conselho de ministros, liderou a reunião que juntou na mesma mesa, o conselho de administração da ENCO, a direcção geral da EMAE, a direcção do tesouro e do orçamento, e o gabinete da dívida do Ministério das Finanças.

Ministro Wando Castro

O ministro Wando Castro, anunciou para a imprensa que o aumento dos combustíveis realizado no mês de abril último, foi irrealista. Por isso a empresa ENCO dominada por capital angolano(Sonangol), tem somado prejuízos.

«Tomando o preço de barril de petróleo praticado hoje no mercado internacional, o gasóleo deveria ser vendido na bomba a 48 dobras, mas está a ser a 30 dobras. A gasolina deveria ser vendida a 55 dobras o litro, e está a ser vendida a 35 dobras. O petróleo para cozinha, deveria estar a ser vendido a 38 dobras e está a ser comercializado a 17 dobras o litro», referiu o ministro.

Segundo Wando Castro o mecanismo de actualização automática do preço dos combustíveis, foi criado, mas nunca funcionou.

O governo que limitou a subida do preço de combustíveis em Abril passado, não pagou à ENCO a diferença. A dívida para com a empresa de combustíveis já atingiu 32 milhões de dólares.

«Para manter este preço o governo está a acumular dívidas em relação a ENCO. O diferencial de preço que a ENCO deveria vender não foi pago, e consubstancia num aumento da dívida do Estado para com a ENCO que está neste momento em 32 milhões de dólares», precisou o ministro da presidência.

O Governo reconhece que o seu comportamento pode matar a empresa de combustíveis.
«Continuamos a acumular dívidas e a ENCO encontra-se hoje numa situação complicada», reforçou.

Dados avançados pelo Governo indicam que desde o ano 2019 que a empresa angolana SONANGOL, detentora de mais de 80% do capital social da ENCO, deixou de fornecer combustíveis a crédito.

«O Estado aumentando a dívida com a ENCO, a empresa fica sem liquidez», alertou o ministro da presidência.

Uma crise energética com vários ciclos. A situação da empresa de combustíveis, fica mais complicada, quando o seu maior cliente de gasóleo, a empresa de electricidade, EMAE, também não paga a avultada dívida acumulada nos últimos 30 anos.

«A própria EMAE tem uma dívida com a ENCO de 158 milhões de dólares. Há mais de 30 anos que a EMAE não consegue honrar os seus compromissos com a ENCO», confirmou o ministro Wando Castro.

O Governo deu conta que a empresa de electricidade não paga as dívidas para com a empresa de combustíveis, porque a tarifa de energia que é praticada no país, é incompatível com o custo de produção de energia térmica.

«O próprio Banco Mundial há mais de 3 anos deu indicações que deveria haver um aumento da tarifa da EMAE em 108%. Mais do dobro. Sabemos que a actual tarifa da EMAE já é insuportável para a maioria da população», explicou o ministro da presidência.

O Governo diz que não actualiza as tarifas da empresa de electricidade para evitar convulsão social.
A mesma EMAE, também não consegue pagar as dívidas resultantes do fornecimento de energia, porque muitas instituições do Estado não pagam as tarifas de energia. Isso há cerca de 15 anos.

Instalações da EMAE – Pagamento de facturas

«Empresas do Estado que não pagam a EMAE, porque dependem das transferências do Orçamento Geral do Estado, que nem sempre o Estado consegue alimentar», frisou.

O Governo recordou que a maior parte das receitas do Estado é canalizada para o pagamento do salário dos funcionários públicos.

Para evitar o colapso geral, a empresa ENCO reduziu o fornecimento de gasóleo para a empresa de electridade, EMAE, que por sua vez, começou a racionalizar o fornecimento de energia eléctrica à população. Os apagões regressaram.

«Por isso estamos a verificar cortes de energia. Esta é a dura realidade. Estamos numa situação muito complicada», pontuou.

Na reunião com as duas empresas e os departamentos do ministério das finanças, o governo colheu propostas de solução, que deverão ser aprovadas na próxima reunião do conselho de ministros.

O ministro Wando Castro, disse à imprensa que está praticamente sozinho, no terreno são-tomense. O Primeiro-Ministro Jorge Bom Jesus está ausente do país, o mesmo acontece com o ministro das infra-estruturas e recursos naturais, Osvaldo Abreu, que tutela o sector da energia, e também o ministro das Finanças, Eugénio Graça, que continua ausente do país.

O Governo espera que Bom Jesus regresse mais rápido possível, para tratar da crise energética, que ameaça bloquear o arquipélago.

Abel Veiga

14 Comments

14 Comments

  1. Pedro Costa

    7 de Julho de 2022 at 10:11

    Podem fazer todo aumento do Mundo, enquanto nao melhorarem a gestao de nada valera….
    A EMAE tem de ser privatizada, nao percebo como o Banco Mundial que tanto financia o Pais nao impoe isso ao Governo.
    A ENCO tem de ser gerida como empresa privada que e…..

    • Ana

      7 de Julho de 2022 at 13:21

      Ainda há gente que responde por pinta cabra. O homem deixou o país um caos

  2. folha seca

    7 de Julho de 2022 at 11:18

    Se a EMAE não paga divida a ENCO o que fazem com o dinheiro das cobranças.cobranças. Ha falta de seriedade e de uma sindicancia geral na Empresa. Não é admissível isso o que vemos na EMAE. Aumento dos números dos trabalhadores salários praticados etc…
    A que se rever isso. Não é nada de tarifário como querem-nos fazer engolir.

  3. Matabala

    7 de Julho de 2022 at 12:43

    Porque divida tem 30 anos? Que todos os governos fizeram com tantos apoios recebidos em todo esse tempo? Prado, boquita e casas no campo de milho e em Portugal. Assim temos os nossos ricos a viver fazendo dividas. Sector já há muito tempo devia ter recuperado hidricas para abastecer comunidades- dinheiro entra só no bolso de patricio e nada é feito. EMAE e ENCO já devia ter sido privatizada há muito mas permanece saco azul para sucessivos governos. Se tudo tivesse sido feito com honestidade e sem roubo descarado não teríamos chegado a este beco sem saida. Agora é chorar. ..entreguem país para ser governado a CV. Incompetentes e parasitas

  4. Docas

    7 de Julho de 2022 at 13:44

    Dois pontos que eu achei curiosos neste artigo:
    1 – Se a EMAE tem tamanha dívida (para com a ENCO) como é possível particarem ordenados que paraticam para os gestores?

    2 – Acho muito infantil o ministro dizer que está praticamente sozinho no país. Qual é o propósito desta afirmação? É por esta razão que há problemas dos cortes de energia? Qual é a relação desta afirmação com o conteúdo do artigo?
    Sinceramnete, Telanon, já é tempo de melhorar a qualidade dos seus artigos.

  5. Andorinha

    7 de Julho de 2022 at 15:10

    Nunca em S.tomé e Príncipe desde a nossa independência chegamos a esta situação, isto é o resultado da gestão danosa e corrupção nas empresas públicas Santomense olha para hospital olha para Enaport olha EMAE olha para ENCO ,é para isso que a nova maioria encabeçada pelo MLSTP queimaram carro da juíza isto é o resultado.
    Em um país aserio toda esta corja da nova maioria estariam presos mas preferem nos destrair com histórias falças de 30 milhões.
    Rua com este governo de Jorge bom Jesus já.

    • Sem assunto

      12 de Julho de 2022 at 5:47

      Andorinha, sua bicha!
      Tome nota: Falsa e não Falça.
      Assério e nao Aserio.
      Os teus erros são baixos como a cor da camisola que vestes e defendes, queres governar o país assim sem saber ler e escrever?

  6. Pierre Faleiro

    7 de Julho de 2022 at 15:40

    Pedro. Sim a ENCO é uma Empresa gerida por uma outra de um outro pais, mas gerida como se fosse privada. O nosso Estado tem uma pequena fatia no capital social, que embora insignificante, também não reivindica e nem aporta nada para melhorar a gestão, só quer dar calote e indicar administradores e fiscais politicos e incompetentes

  7. Fuba cu bixo

    7 de Julho de 2022 at 16:07

    É caso para dizer Mário e Patrice Trovoada volta estas perdoado.
    A Elsa Pinto que é do MLSTP disse os camaradas comem tudo,agora quem é doido para voltar a votar nestes partidos da nova maioria só mesmo aqueles que Jorge bom Jesus mudou vida.

  8. Carlos Alberto do Espirito Santo

    7 de Julho de 2022 at 21:49

    O actual Presidente da Republica, nāo deve explicaçāo a esse povo?

    O povo paga a sua luz, mesmo nāo usando, a EMAE, cobra, o povo paga a àgua, como EMAE, têm divida?

    Aonde foi o valor cobrado? O que os senhores fizeram ai dinheiro?

    Como uma ESTADO, deixe uma empresa que dà prejuizo pagar o que ganha o director da EMAE ele e os seus comparsas ganham.

    È preciso o ESTADO, meter ordem nesta desgraça que è EMAE.

    Se o ESTADO, nāo inventar uma guerra em Sao Tome e Principe, aonde dar tabanca, paço fogo, matar esse aldrabons fogo, queimar està porcaria toda, Sao Tome e Principe, ñ vai a lado menhum. Continuamos nesta cruzada que fim a vista.

    Ae voçê leu e ñ gostou, vai queixar o papà

  9. Paulo antonio

    8 de Julho de 2022 at 0:11

    Não há dinheiro mas passam toda vida a viajar com subsídios gordos e depois o povo é que é palerma.
    Bandidos

  10. Margarida Lopes

    8 de Julho de 2022 at 2:32

    Esta dívida deve-se ao CAMBALACHO dos vários governos…todos eles são responsáveis uns mais do que os outros. Aqueles que mais desviaram os BENS do ESTADO foram os TROVOADA pai e filho, e o Fradique de Menezes,que tinha mais confiança em guardar o dinheiro ( nas malas)nos quartos luxuosos que ele ocupava( como presidente), pois que não queria que os seus ministros o guardassem. Mas no dia seguinte desapareciam as malas de dinheiro,ele tornava-se “amnésique” sem saber do paradeiro delas…assim era que o Fradique de Menezes desviava as ajudas atribuídas para o país/STP.
    Este TRIO MT+PT+FM = CAOS de STP.
    Bem haja!

  11. Mepoçom

    8 de Julho de 2022 at 12:08

    Tudo quanto herdamos de colonos em bom estado, foi um desastre total a sua conservação. Enquanto o serviço de água e electricidade estava sob gestão da antiga Câmara Municipal tudo funcionou, embora hoje a expansão é maior, até peças sobressalentes de manutenção haviam nos armazéns. Ainda lembro-me de cobradores que burlaram o dinheiro da cobrança que foram parar a calabouço. Herdamos a central hidro do contador com as turbinas em funcionamento pleno, mini hidro de Guegue e de Bombaim também em funcionamento. Criaram a EMAE, empresa pública para compadres e amigos, nepotismo total, com altos salários e regalias, esquecendo que qualquer empresa que sustenta o custo de produção entra num colapso total. Tanto negativismo contra Patrice Trovoada, quando deveriam elogiar o seu trabalho de substituir todos os condutores obsoletos pelos novos e de electrificar quase 80% do país. Se há problema se alimentação, pelo menos os condutores de qualidade estão garantidos. Se as pessoas não têm memória curta, ainda se lembram de tantos electrodomésticos que iam à vida por má qualidade de alimentação, muitas vezes nem com estabilizador para que tinha, escapavam. Se o mal vem de longo tempo porque condenar a pessoa que uma legislatura completa de quatro anos?

  12. José Manuel

    8 de Julho de 2022 at 21:49

    Isto tudo é uma verdadeira brincadeira. Como é possivel que uma empresa falida meta mais de 150 trabalhadores em menos de um ano. Vão a EMAE e vejam quantos funcionários haviam antes desta nova gerencia da EMAE e veja quantos existem atualmente. Os militantes e as militantes, os filhos e filhas, as namoradas dos responsáveis e amigos dos responsáveis inundaram a EMAE.
    O roubo de combustivel é pai nosso de cada dia. Roubaram camiões completos de combustivel que deveriam descarregar na central de Santo Amaro e os responsáveis sabem disto e não tomaram medidas nenhuma. O Director aluga a sua propria viatura mais de 50 euros por dia para a empresa quando a empresa tem muitas viaturas disponiveis.
    Vários militantes do partido, vão a EMAE todos os meses receber dinheiro sem trabalhar, nomeadamente, o tal dito jornalista Borboleta, o Dendê, um tal Rioua de Bairro da Liberdade etc. etc recebem mais de 15 mil dobras todos os meses cada um sem serem funcionários da EMAE.
    O Banco Mundial quero fazer reformas na EMAE, mas os responsáveis bloqueiam tudo, porque o Banco quero colocar mecanismos de controlo de entrada e saida de combustivel e eles não estão de acordo
    Portanto, a preocupação doGoverno é apenas lagrimas de corcodilo

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