Opinião

A eutanásia pode ser uma solução para o momento político actual?

POR : Joaquim Rafael Branco

Eutanásia é o acto de interromper a vida de um paciente de forma intencional para aliviar o seu sofrimento. É um procedimento que envolve considerações médicas, éticas e legais e que é realizado em circunstâncias específicas e com protocolos rigorosos.

Existe uma diferença entre a eutanásia activa– quando se administra uma substância com o propósito de causar a morte e a passiva quando são retirados determinados recursos que mantinham a pessoa viva.

Na sua origem grega eutanásia significa “boa morte”.

O suicídio assistido acontece quando o paciente recebe os meios para que ele próprio seja o protagonista da sua morte.

Estas definições retiradas da internet oferecem parâmetros para, com discernimento, encontrar uma solução para a encruzilhada política que vivemos em São Tomé e Príncipe.

O Presidente da República tem fundamentos constitucionais, éticos e institucionais para demitir o Primeiro-Ministro. Agindo assim iria aliviar o sofrimento do povo e quem sabe do próprio Primeiro-ministro que dá poucas pistas sobre a sua  tão propalada solução. Está sem dúvida à deriva. Mas o Presidente ficaria com um enorme problema: como enterrar o Primeiro – ministro, perito consumado em ressurreições, depois da demissão.

O suicídio assistido poderia ser uma alternativa para o Presidente. Neste caso é fácil constatar que lhe estão a ser retirados todos os meios legais para desempenhar o seu papel de mais alto magistrado da nação, Comandante em Chefe das Forças Armadas, e garante do regular funcionamento das instituições. Paralelamente é-lhe retirada gradualmente também a dignidade solene do cargo e a dignidade pessoal.

Existem outras alternativas, como a distanásia, que é morte lenta, ansiosa e com muito sofrimento, um prolongamento exagerado da agonia, sofrimento e morte de um paciente.

Entendo a complexidade das escolhas do Presidente.

Em relação a eutanásia ele tem consciência que foi escolhido e colocado na sua posição actual com o apoio e a força política do Primeiro-ministro. Sabia certamente ao que vinha porque o Primeiro-ministro nunca escondeu que ele é o “dono disto tudo” e quem não obedece cegamente, quem não cumpre, sucumbe.

O Presidente está assim duplamente preso. Preso porque deve a sua eleição ao Primeiro-ministro e preso também porque querendo eventualmente fazer um novo mandato não sabe com que apoios contar.

Ele poderia invocar o voto do povo que lhe deu legitimidade e o cumprimento da Constituição que jurou defender. Há precedentes na nossa história democrática envolvendo nalguns casos familiares. Mas para o povo isto é uma luta de elefantes e as formigas é que sempre padecem. Além disso existem os representantes do povo na Assembleia Nacional, uma maioria, que tem voz, mas não fala, e quando fala é para dizer o que foi mandado dizer, está confortável com os privilégios que usufrui.

A outra alternativa seria o suicídio assistido. São evidentes os actos para levá-lo ao suicídio do seu papel constitucional sujeitando-o a mais indecorosa existência. Os factos são inúmeros, públicos e algumas claramente abusivas. Mas todo o homem tem, no limite, a defesa da sua dignidade pessoal, um orgulho inato em ficar na história deixando um legado. Ponderando tudo, esta solução não resolveria nada e colocava o país numa situação com consequências imprevisíveis e gravosas.

Portanto a alternativa parece encaminhar-se para distanásia: um apagamento sereno, calculado, prolongado, uma agonia diária, um engolir doloroso e consciente de faltas de respeito, a aceitação das ofensas à dignidade do cargo e pessoal. O Presidente cumpriria o seu mandato até ao fim, engolindo tudo que houvesse a engolir, evitando no extremo a indigestão com alguns espasmos episódicos inconsequentes.

Alguns poderão dizer que ainda resta a alternativa de ser responsável perante o país, o povo que o elegeu, à Constituição e leis, resgatando a dignidade do seu cargo e da sua pessoa, e responsabilizando cada um pelos seus actos diante da história.

É que o agir humano, para além dos preceitos morais de cada sociedade e dos diversos credos tem de ser suportado pela ética. Um dos grandes desafios da ética é estabelecer um princípio que possa ser utilizado como critério para orientar a acção, um critério que diga como devemos agir para atingir determinados fins.

A ética tem como seu principal suporte a liberdade que por sua vez está atrelada ao conceito de responsabilidade. A meu ver estamos perante a exigência de uma ética de responsabilidade.

O Presidente pode libertar-se da dependência actual praticando a ética da responsabilidade. Responsabilidade perante o seu povo que clama pelo fim do sofrimento, responsabilidade perante as gerações futuras e responsabilidade pessoal usando a honestidade intelectual para concluir que no estado actual das coisas é preciso agir.

A ética da responsabilidade exige que ao agir se amadureça e se pondere as consequências das decisões que tomamos e dos compromissos que assumimos.

O Presidente precisa de libertar-se da dependência que levou a sua eleição, mas também precisa de libertar-se de quaisquer calculismos em relação a uma eventual candidatura a uma reeleição. Só assim estará livre para agir com responsabilidade.

Como vão agir os outros não é sua responsabilidade. Cada um deve assumir as suas responsabilidades e cada um será julgado pela maneira como assumir as suas responsabilidades. Podem perguntar: numa sociedade em que os protagonistas não assumem os valores essenciais da condição humana e adiam os compromissos urgentes com o futuro orientando o seu agir por interesses egoístas, é possível exigir responsabilidades?

Sim, é possível e é urgente assumir e exigir responsabilidades. Temos todos, a começar pelos militantes do ADI e seus apoiantes, com a legitimidade ganha nas urnas, os partidos da oposição, capturados ou não, os intelectuais amordaçados, e o povo, têm de assumir a responsabilidade de exigir que aqueles que nos governam e aqueles que aspiram a governar-nos assumam a suas responsabilidades perante o país, a sua consciência cívica e o destino das gerações futuras.

7 Comments

7 Comments

  1. Joao Batepa

    10 de Dezembro de 2024 at 17:29

    O erro de qualquer homem é de ter medo do futuro! O presidente Carlos Vila Novs é um homem de bem e agirá pelo bem da nação com as ferramentas que tem à mão. O primeiro ministro é um morto político!

    • joao

      12 de Dezembro de 2024 at 16:15

      Morto Político ganha com 4 eleições consecutivas, e ainda duas com maioria absoluta? Maluco, fique quieto reze para que ganhe as eleições em 2026.

  2. Miki

    10 de Dezembro de 2024 at 22:18

    Muito bem escrito. Pelo bem do futuro do país, espero que o presidente leia este artigo.

  3. Renato Cardoso

    11 de Dezembro de 2024 at 9:17

    Mas o ator do referido artigo e os da vossa geração salvo raras excepções são todos os maiores responsáveis desta desgraça institucionalizada nas Ilhas virgens e maravilhosas de São Tomé e Príncipe!
    Estiveram à frente dos destinos destas durante vários anos e o que fizeram!!!????
    Não foram capazes de resolver os desafios que eram capazes porque existiam objetivas e o contexto social económico e financeiro,e,político para tanto.
    Escolheram os caminhos fáceis e enriqueceram suas contas e suas vidas e as dos amigos!
    Promoveram o personagem que hoje está destruindo tudo e que não é natural das Ilhas !
    Sejam honestos e assumam as vossas responsabilidades!

  4. WXYZ

    11 de Dezembro de 2024 at 10:53

    Deixa estar como está para vermos como fica. Muitos Santomenses conhecem mal o Sr. Carlos Vila Nova.

  5. juvenal bestial

    11 de Dezembro de 2024 at 11:06

    Rafael Branco, haja paciência. Vai se ver ao espelho pelo menos um minuto. Tenho a certeza que depois deste minuto o próximo passo será a sua própria eutanásia. Deixa de escrever besteira homem.

  6. Maria da Fonte

    12 de Dezembro de 2024 at 23:53

    Rafaël Branco, outro bandido desgraçado,você faz parte dos bandidos da República de STP, hommes de pouca ou seja sem nenhuma moral, não têm nenhum valor moral,você RB,Guilherme Posser, Delfim Neves, Gabriel Costa, Afonso Varela,Lévy Nazaré, Jorge Amado….fiquem mas é caladinhos até quando vocês forem julgados, do como e do porquê. São os dinausoros da política implatada em STP.

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