Sociedade

“Pensar que hoje nós possamos estar a tirar as pessoas do local para preparar novo investimento é perfeitamente descabido e extemporâneo”

criancas-do-ilheu.jpgPalavras do administrador do grupo Pestana em São Tomé e Príncipe, Pedro Martins. O responsável que acompanhou a visita da quinta comissão do parlamento ao ilhéu, diz que tudo ficou bem explicado e esclarecido. Reconheceu no entanto que a população deixou de ter acesso a água canalizada e a energia eléctrica. Quanto a continuidade do processo de afastamento das pessoas através do pagamento de indemnizações, o administrador, diz que são acções do passado. A administração do grupo Pestana em São Tomé e Príncipe considera que os habitantes do ilhéu das rolas foram afastados na base de um processo justo. «Este processo começou há cerca de 4 anos e muitas pessoas terão efectivamente trocado a sua residência do ilhéu das rolas para um outro sítio em São Tomé, por troca de um valor pecuniário significativo», declarou Pedro Martins.

O administrador, rejeita por outro lado a ideia de que existe uma contenda entre os habitantes e a empresa. «Nós enquanto gestores, temos contra-propostas das pessoas que ainda hoje habitam a ilha para efectivamente deixarem a ilha. Tivemos oportunidade de esclarecer isso a 5ª comissão. Se bem que a diferença que eu quis deixar notória é que muito embora tenhamos contra propostas das pessoas que lá estão para sair, o grupo pestana vai fazer mais do que isso. Nós ao acordarmos com alguém que queira efectivamente sair do ilhéu, para ir morar em Porto Alegre, ou para vir morar em São Tomé, vamos dar um passo além, que é saber o que é que a pessoa vai fazer em termos de substituição de rendimento», afirmou.

Pedro Martins, apresentou um exemplo do que poderá ser a substituição de rendimento das pessoas que vão deixar o ilhéu. «Alguém que está hoje a trabalhar no Pestana Equador, e que vive na ilha, que é nosso carpinteiro ou jardineiro, essa pessoa querendo sair terá o seu trabalho assegurado nos hotéis que temos na cidade», pontuou.

A situação social dos habitantes do ilhéu é má. O administrador confirma. «Quanto a questão da água potável, tive a oportunidade de esclarecer que nós damos água potável as pessoas. O que terá sido dito é que não existe canalizada, e terá existido antes. A questão da energia esclarecemos que há cerca de 1 mês trouxemos um novo gerador para o ilhéu porque efectivamente a capacidade energética não é a melhor. Agora é facto que a questão de energia ela não é dada já há muitos anos. São questões antigas», explicou.

Por outro lado, salientou algumas acções de apoio social. «Damos também o acesso ao transporte para escolas. Transportamos as crianças do ilhéu das rolas para Porto Alegre todos os dias que é onde está a escola secundária, e também temos o acesso a saúde, temos no local um enfermeiro e uma clínica no local», referiu.

Segundo Pedro Martins, o propósito do grupo pestana é rentabilizar o hotel do ilhéu das rolas. «Nós não temos previsto fazer mais investimento no hotel pelo menos até o momento em que consigamos rentabiliza-lo. A logística não é fácil e ainda mais com a energia cara porque ela é produzida no local». Disse.

Por isso a administração do grupo pestana em São Tomé, descarta a possibilidade de prosseguir com o afastamento da população autóctone do ilhéu. «Pensar que hoje nós possamos estar a tirar as pessoas do local para preparar novo investimento é perfeitamente descabido e extemporâneo e não é nem tem sido esta a nossa actuação em todos os países onde estamos», concluiu.

Abel Veiga  

  

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