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“A questão que foi levantada de que o leite é impróprio para consumo. Não. Não é não. Isso é uma ilação inverídica que não tem menor procedência”

caruso.jpgA declaração é de Aléssio caruso Filho, o representante do escritório brasileiro de advogados que fez o negócio de importação de bens alimentares para São Tomé e Príncipe. O jurista enviado a São Tomé para acertos com a STP-Trading, pôs em causa a decisão do governo de Rafael Branco que mandou retirar o alegado leite do mercado. A manteiga que o CIAT, considerou como imprópria para consumo, também é considerada pelo representante da AW Galvão como sendo boa.

O representante do escritório AW Galvão, abriu a conferência de imprensa com alguma tranquilidade, mas depois ficou nervoso. A cor da pela ficou vermelha, por causa das questões de fundo que os jornalistas começaram a colocar. Aléssio Caruso Filho, pôs em causa as decisões do governo são-tomense e do centro de investigação agronómica e tecnológica a propósito dos milhares de sacos de leite considerados impróprios para consumo humano e também da manteiga. «Eu bebo este leite diariamente. É leite vegetal. É leite que agente vende por mundo inteiro. A questão que foi levantada de que ele é impróprio, não. Não é não. Isso é uma ilação inverídica que não tem menor procedência», declarou Aléssio Caruso Filho.

O representante da AW Galvão, acrescentou ainda que o leite em causa é de soja. E que a manteiga também é vegetal. «O leite de soja é largamente consumido. Não só consumido no Brasil como vendido para todos os continentes do planeta inclusive a África», precisou. Visivelmente irritado, o jurista brasileiro enviado pelo escritório de advogados que recebeu procuração da STP-Trading para realizar o negócio, disse que ao persistir nesta posição de que os produtos são impróprios para consumo, as relações entre os dois países podem ser afectadas. «Impropriedade para consumo humano é impossível, justamente porque assim está-se a colocar em causa as autoridades brasileiras, sejam elas alfandegárias ou fitossanitárias. Como é que o Brasil vai permitir que saia um produto para consumo humano mas que não pode ser consumido por humanos? Os produtos que vieram são perfeitamente consumíveis pois as autoridades brasileiras não permitem a saída. A fiscalização é dupla e até tripla», frisou.

Caruso, fez questão de afirmar que se as empresas seleccionadas para importação dos produtos não fossem idóneas, o Banco do Brasil não teria pago a encomenda na ordem de 5 milhões de dólares. Questionado sobre o facto de no saco do alegado leite estar escrito que «esse produto não é leite» e por outro lado «está proibido a venda deste produto no Brasil», Aléssio Caruso Filho, explicou que «o carimbo de proibição de venda no Brasil, é por razões tributárias. Porque aquele produto foi adquirido sem imposto nenhum», pontuou.

O representante do escritório brasileiro, esquivou-se sempre das questões dos jornalistas, sobre a forma como a transacção financeira e comercial foi feita. Uma das questões de fundo tem a ver com o facto da própria STP-Trading ter exibido documentos, incluindo lista que provam a encomenda de leite em pó em lata e leite magro enquanto que o fornecedor brasileiro enviou em sacos, um produto que Aléssio Carujo Filho diz ser leite de soja, mas que as autoridades nacionais ainda estão a investigar para conhecer o nome do composto químico. «Em todo lugar do mundo nas operações comerciais existem divergências quanto aos produtos que chegaram e não chegaram. Eu acho que isto é uma questão comercial, então deve ser tratado de forma comercial», defendeu.

Apesar do escândalo, o jurista brasileiro, considera que a operação da STP-Trading em parceria com o seu escritório foi um êxito. «Foi um êxito porque a STP – Trading abriu uma janela profundamente exitosa nas relações comerciais Brasil-São Tomé. Acho que é isto que deve ser ressaltado», afirmou. O escritório AW Galvão é o representante da STP-Trading no Brasil.

Abel Veiga

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