Sociedade

Matagal e vândalos consomem o “castelo” que foi atribuído à Ordem dos Advogados

Se o antigo patrão da Roça Amparro II, ressuscitasse hoje, preferiria regressar ao sepulcro, assim que visse o estado, da sua residência, erguida como um castelo. Depois da delapidação total, há um ano, foi entregue a Ordem dos Advogados.

A casa de patrão da Roça Amparro II, localizada nos arredores da zona de Almeirim na ilha de São Tomé, cerca de 3 quilómetros da cidade de São Tomé, foi dos poucos edifícios de arquitectura colonial e singular das Roças, que resistiu até o ano 2007, ao saque e ao abandono por parte das autoridades são-tomenses. (Fotografia número 2 tirada no ano 2007)

Ainda na primeira república, funcionou como sala de formação para agentes do serviço de migração e fronteira e segurança do Estado. Antes disso, tinha sido uma das sedes da então milícia popular.

Após acelerada degradação, na segunda república, isto é apartir do ano 1991, o edifício foi reabilitado nos finais da década de 90, no quadro do projecto de reabilitação da cultura de cacau com financiamento do Banco Mundial. O projecto era executado por uma empresa francesa, que estava a gerir a Roça Santa Margarida, considerada na altura como sede da dependência Amparro II.

O edifício foi transformado no escritório principal do projecto de reabilitação do cacausal. Após a falência do projecto e a consequente retirada do grupo francês que geria duas grandes roças de São Tomé, e a suas dependências, nomeadamente Santa Margarida e Uba Budo, a casa grande e luxuosa, passou para as mãos das entidades nacionais.

Começou mais uma vez, o desmoronamento paulatino. Vândalos aproveitaram-se da situação de abandono progressivo, e levaram o que tinha restado. Portas, janelas, algumas vigas do teto, até que a casa grande se transformou num escombro. Um escombro, no entanto recuperável.

Algumas ONG que operam no país, na promoção da agricultura, propuseram ficar com a casa que deveria funcionar como escritório. A Ordem dos Advogados de São Tomé e Príncipe, que funciona num anexo do cinema Marcelo da Veiga, teve mais sorte e recebeu do anterior Governo de Patrice Trovoada autorização em 2012, para fixar a sua sede na casa grande de Amparro II. Gabriel Costa actual primeiro ministro era na altura Bastonário da Ordem dos Advogados, e recebeu tal oferta do seu antecessor Patrice Trovoada.

Um ano depois, da casa já em escombros, ter passado para as mãos da Ordem dos Advogados, a degradação se agudizou. O estenso quintal que no passado, era preenchido com jardim, que iluminava a beleza do edifício, transformou-se num matagal.

Capim com mais de 1 metro de altura, arbustos que evoluem para se transformar em árvores de grande porte, ocupam todo o espaço, onde no passado para além de flores, havia também um lindo aquário.

Geraldo André, jovem estudante que vive em Amparro II, disse ao Téla Nón, que até lagaia está a procurar abrigo na pequena selva que nasceu no centro da Roça Amparro II. «Já vi lagaia aqui. Grande lagaia. Eu regressava da escola e deparei com uma grande lagaia aqui. Isso está como uma floresta. Já aconteceu o caso de pessoas desconhecidas terem-se escondido nesse mato, para tentar atacar moças que vinham da escola», denunciou o jovem.

No último Domingo, os moradores de Amparro II, descobriram que a saudosa casa do Patrão, está a perder cobertura, ou seja, o telhado. Era o único bem, que tinha restado, após longos anos de vandalização e delapidação. Pessoas desconhecidas subiram ao tecto e retiraram dezenas de telhas, que ficaram amontoadas no chão.

Segundo os moradores os ladrões, deveriam ir buscar o furto na calada da noite, entrando pelo matagal, sem hipóteses de serem vistos. «Nós a comunidade estamos a recolher as telhas que foram roubadas, e vamos guarda-las a espera dos senhores da Ordem dos Advogados», acrescentou Geraldo André.

Populares mais idosos, não escondiam a frustração por ver a casa que marcou a história da Roça, transformada num pardieiro no meio de mato.

No entanto fonte da Ordem dos Advogados, contactada pelo Téla Nón, garantiu que já nesta segunda feira, serão entabulados contactos com os moradores de Amparro II, no sentido de juntos trabalharem no sentido de desbravar a floresta que está a nascer à volta da antiga casa de patrão.

Aliás face a insegurança provocada pelo matagal, os moradores reuniram-se no quintal da roça, para contribuírem financeiramente no sentido de pagar uma ou duas pessoas, para desflorestar a casa grande.

A fonte da Ordem dos Advogados, assegurou que a instituição vai se encarregar de pagar os trabalhos de limpeza. Segundo a fonte, a Ordem dos Advogados, tem procurado intensamente financiamentos para recuperar o edifício e instalar a sua sede, mas até agora sem sucesso.

Ordem dos Advogados, precisa de ajuda financeira, para se dignificar, através da recuperação de um dos edifícios mais emblemáticos das roças de São Tomé e Príncipe. Ajuda de todos é importante para que a Ordem dos Advogados e o sistema judiciário são-tomense, tenham o seu primeiro “CASTELO”.

Abel Veiga

    30 comentários

30 comentários

  1. som

    8 de Julho de 2013 as 9:23

    só para vermos e ter a noção,de como vai o pais e seus bens!ate os advogados ñ conseguem cuidar dos seus próprios bens!isto ñ é individual, por isso fica como fica!boa sorte a todas infraestruturas de São Tomé e Príncipe

  2. Tlachá

    8 de Julho de 2013 as 10:08

    Aonde está a Celiza Deus lima em travar a desflorestação no sul do País. Acho bem tb haver desflorestação aí no castelo atribuída a sede da bastonária.

    N.B- O que ela quer mesmo é ser ponto focal da PNUD em questões em defesa do meio ambiente.

  3. akeles

    8 de Julho de 2013 as 10:08

    Celisa, n gosta que derubem os capins….

  4. Caué

    8 de Julho de 2013 as 11:21

    Não desmatem a floresta por favor, senão Vocês vão apanhar com um processo crime ! Certamente, lá há galinhas de mato, digo cordoniz, gita,…e é preciso preservar esses animais!

  5. Lévé-Léngue

    8 de Julho de 2013 as 11:28

    Téla Nón, por acaso é um alerta à bastonária da Ordem dos Advogados que, ironicamente, lidera o movimento da sociedade civil contra a concessão de terras à Agripalma?
    Isso me faz lembrar a velha frase: “…não deixam comer e nem comem…”

  6. Felisberto Bandeira

    8 de Julho de 2013 as 11:34

    SAO Tome e Principe precisa da unidade dos seus concidadãos, os Sao.Tomenses não são unidos por isto e que o pais esta como esta.

  7. Bingo

    8 de Julho de 2013 as 12:12

    A Ordem dos Advogados deve, de facto, primeiro arrumar a sua casa se quiser ser levada a sério quando tentar arrumar outras.
    Mas não tentem usar isso para atacar a Celiza de Deus Lima. Ela vale de certeza muito mais do que os clandestinos opinadores do Tela Non…quando ela fala, fala cara a cara.
    Passar bem, fui.

    • linha

      9 de Julho de 2013 as 8:59

      Bingo, se ela não falar cara a cara não fazia sentido ela ser advogada de profissão.
      Quero lhe dizer que o independentemente de conhecer algumas posições digna que ela tem tomado a favor da sociedade civil, na verdade é que ouve ali um falhanço
      Enorme da parte da Bastonária em deixar o castelo nesta situação. Ao menos desflorestar o castelo.

    • Paracetamol 500mg

      9 de Julho de 2013 as 9:05

      Celiza de Deus Lima tem mascara na cara, por isso consegue falar face to face.
      Tem que haver uma boa gestão dos fundos atribuídos à OASTP.
      A bastonária deve abdicar dos benefícios atribuídos pela Ordem dos Advogados, como por exemplo, o pagamento de uma viagem anual ao exterior, para o efeito de gozar ferias.
      Com esse maneio, pode e muito bem recuperar o edifício.
      As conferencias realizadas, só servem as matérias tratadas em processos judiciais interpostas no tribunal, casos com alguma polémica no seio da sociedade politica…

  8. Zona Sul

    8 de Julho de 2013 as 12:20

    Porque a Celisa não pede apoio a Agripalma para recuperar a sua sede?
    Porque o dito movimento da sociedade civil não apresenta uma providencia cautelar contra maus tratos dos patrimónios do estado?

  9. pinta cabra

    8 de Julho de 2013 as 13:03

    é triste…. francamente! eu cresce e vive nesta roça…. não tenho palavras……

  10. Alberto C.

    8 de Julho de 2013 as 15:16

    Os advogados ganham pipas de massas ainda precisam de ajuda? Para ja prefiro ajudar a recuper a escola da Desejada. Os advogados que lutem para que a justica comece funcionar em STP e ajuda nao faltara para as vossas as causas

  11. Eu também sou filho da terra

    8 de Julho de 2013 as 15:57

    Que pena!!! À semelhança da Roça Amparo II, estão muitas outras roças coloniais. Será que é possível acreditar que os políticos são capazes de melhorar as nossas condições de vida se nem sequer foram capazes de preservar os bens que herdamos dos colonos?

  12. arlindo fernandes

    8 de Julho de 2013 as 18:14

    Nao e por acaso que os portugueses contratavam as pessoas de outros paises para trabalharem em s tome e principe . Os santomenses nao gostam de trabalhar todos sao politicos .E um dos paises mais pequeno do mundo e com 180 mil politicos e fofoqueiros

    • julio neto ambrosio

      8 de Julho de 2013 as 22:21

      senhor arlindo fernades,os politicos de s.tome e principe,nasceram cansados e REFORMADOS,por isso meu irmao,estamos a ver o k tem feito em 38 anos.o nosso vizinho cabo-verde k nao nasceu reformado nem casado ja esta no topo de paises em via de crescimento,la so se lambe o dedo,em nossa terra e com concha de servir………….

      • Zona Sul

        10 de Julho de 2013 as 9:54

        Nos temos tendência de fazer comparação com Cabo Verde e sempre culpabilizar os nossos políticos. Mas esquecemos que todos somos políticos. Somos 180 mil políticos e fofoqueiros. Somos todos culpados pela forma como vai esta terra. Criticamos tudo e não fazemos nada. Não fazemos e quando alguém tenta fazer criticamos.
        Acho que os Cabo-Verdianos (de Cabo Verde) não são assim.
        Se não mudamos de mentalidade? Hummmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!1

    • joão pedro

      9 de Julho de 2013 as 6:47

      A começar de ti.

  13. minus de aguamole

    8 de Julho de 2013 as 20:31

    acho que numa certa era remota ouvi falar de patrimonio cultural e algo do genero, gera dinheiro e lindas estorias… por que indecente razao uma obra de arte de tal calibre cai no desavergonhado abandono? essa gente nao faz a minima ideia de quanto muita gente, governos e/ou entidades singulares pagariam pra possuir uma herdade como essa algo que tem seu valor moral,cultural,historico pra citar apenas alguns e que a gente nem consegue ( nao quer ) supervalorizar, isso da-me nauseas de tanta raiva e vergonha, que pobresa de espirito, quanta falta de boa motivacao, quanta BURRICE! depois nao venham pra e pra ali blasfemar pelos quatros ventos se um tipo como eu decidir conprar o casarao e transforma-lo num casino luxuoso ( que nao abona nada a vosso favor )…

  14. Rodnusca

    8 de Julho de 2013 as 21:03

    Meus caros a ordem dos advogados com certeza tem uma explicação para isto, vamos aguardar pelas declarações da mesma antes de começar a fazer julgamento na praça publica ou juízo de valores,tendo em conta que esta instituição já provou ser séria e tem desenvolvido um excelente trabalho desde que foi fundada.E quanto a bastonária Celiza de Deus Lima essa tem mostrado ser uma mulher de fibra e de convicções, agindo com rigor isenção e mto profissionalismo como poucos naquela terra…….Esses comentários infelizes ao respeito da sua pessoa só prova que ela tem afligido mta gente com o seu trabalho .fuiiiiiii

  15. Hintze

    8 de Julho de 2013 as 21:44

    Há que se ter em conta, que n foi a ordem dos advogados que deixou a tal infraestrutura do jeito que tá, visto que do mesmo modo em que tal roça se encontra, muitas outras estão, fruto da má gerencia do passado , que tem tido repercursoes na actualidade. E tambem que a ordem dos advogados n é singular( Celiza de Deus Lima), e sim um conjunto de advogados que representam a mesma classe,no plano nacional e internacional, que ao contrario das outras instituições vem se mostrando credível, determinada, e justa.
    Ps: n usem essas oportunidades para usarem nick names, e atacar uma pessoa de tanto caracter como Dr. Celiza, deixem de ser covardes !

    • emigrado

      9 de Julho de 2013 as 9:04

      Francamente! E a liberdade de expressao é boa quando nos serve?
      Covarde es tu.

    • navegador

      9 de Julho de 2013 as 9:11

      Penso que não será ataque, no meu ponto de vista os líder é que são chamados as responsabilidade.
      Penso que ela é um líder e não chefe, que já é bom como santomense que é.

  16. julio neto ambrosio

    8 de Julho de 2013 as 22:09

    juridicamente.-constitucional,qual e o papel fundamental da ORDEM DOS ADVOGADOS em S.Tome e Principe.

  17. Stwart Neto

    9 de Julho de 2013 as 6:30

    Esse artigo, com devido respeito só veio é atacar a figura da Senhora Celiza. Não o Gabriel, pois esse está do lçado oposto. Atacam a Celiza, pois ela deu cara nos casos serios da nossa sociedade. Eu não tenho nada contra a senhora, mas convenhamos, que Pais é esse? Que triste jornalismo. Fazem tanta coisa para calar as pessoas até esqueceram que o actual Primeirop Ministro tem responsabiliodade nisso. Que vergonha, se é assim que pensam que vão calar as pessoas estão enganados. Olham para nossa praça, quantos advogados existem, será apenas a Sra Celiza é que é mau da fita.
    Olhem, desde este forom dou o meio apoio moral para a Dra Celiza, continue assim, pois temos poucas pessoas com o seu nivel e coragem. Vá em frente, pois, alguns filhos dessa terra têm que fazer algo para esse Pais. Deixem que critiquem pois assim terão algo por fazer

  18. paul

    9 de Julho de 2013 as 8:12

    ahhhhhhhhahhhhhhhhhhhh senhor jornalista obrigado por animar a minha manha gostei do inicio
    “Se o antigo patrão da Roça Amparro II, ressuscitasse hoje, preferiria regressar ao sepulcro, assim que visse o estado, da sua residência, erguida como um castelo.

  19. Assuncao

    9 de Julho de 2013 as 9:46

    Palavra de honra!!!Esses ataques a pessoa da Bastonaria ‘e desnecessario,nao acham?!Ja ‘e dificil o pagamento por parte das instituicoes privadas e do proprio Estado dos honorários dos advogados em tempo util,nao sao eles kem vao financiar uma obra dakela envergadura,podem sim contribuir;Deixem de ser injustos de estarem a criticar por criticar a pessoa da Celisa,k tem dado provas da sua cotribuicao como profissional,solidaria e patriota e competente,coisa k muitos nao sabem ou nao conseguem fazer,k facam melhor!!Ha muitas infraestruturas em degradacao,e isso deve constituir objectivo dos sucessivos governos,angariar fundos,trabalhar no sentido de…;se os tribunais funcionassem como deve ser,a corrupção instalada a cegas,os desvios vericados e toda a ma gestao,poderia colher resultados em confiscacao de bens e haveria receitas k pudessem contribuir para melhor rentabilizacao…e distribuição de riqueza do Estado,e seriamos mais felizes, nao venham ca falar por falar.
    Com cumprimentos.

    • Stwart Neto

      10 de Julho de 2013 as 18:24

      Muito bem dito. Aqueles que querem atacar pessoas de bem, esquecem o que aconteceu as casas por exemplo, em Agostinho Neto ( hospital) , hospital de Água Izé, Uba Budo e muitos outros. Não falam disso porquê? Vão ver o nosso hotel depois de Monte Cafe, a Pousada, tambem meus senhores jornalistas, quem é responsável? Se tiverem respeito pelas pessoas respondam…

  20. Sto Tomé

    9 de Julho de 2013 as 11:49

    Tudo isso e mt mais são problemas que os actuais Drº’s não conseguem resolver, enquanto que antes da nossa independência não havia tantos Doutores, coisas desse genero não existia. Actualmente dá-se a entender que cada um por si e DEUS por todos.

  21. Santomé Plodôsu

    9 de Julho de 2013 as 15:56

    Nasci e cresci em Almeirim tendo a ocasião de conhecer os verdadeiros proprietarios do imovel(Sr. Santos e a Dona Eugénia). Foi uma das poucas propriedades que escaparam a fúria das nacionalizações mas, infelizmente o Sr. Santos faleceu pouco tempo depois, ainda novo. Era muito simpático e empreendedor.
    É uma pena deixarem esses autenticos palacetes acabarem assim, pois há país onde essas casas seriam conservadas até ao limite com todo amor e carinho mas, nós banalizamos ou, mais grave ainda, vadalizamos com todo o escarnio que é possível num ser humano. Triste, muito triste a nossa forma de lidar com coisas que deveriam ser consideradas como “Património”.
    Até quando ?
    É de louvar a iniciativa dos moradores.
    FORÇA !

  22. almeida1964

    9 de Julho de 2013 as 19:34

    É o pais q temos

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