Opinião

Algumas reflexões sobre as elites santomenses e o país

Adrião Simões Ferreira da Cunha

Estaticista Oficial Aposentado – Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

Lisboa, 1 de Junho de 2018

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE As ELITES SANTOMENSES E O PAÍS

Nas minhas já 9 idas a São Tomé em missões de assistência técnica ao Instituto Nacional de Estatística fui ouvindo alguns comentários sobre as Elites Santomenses, o que me levou a escrever este Artigo numa tentativa de estimular a necessária reflexão sobre o papel fundamental das elites políticas, sociais, culturais e económicas de São Tomé e Príncipe no processo do seu desenvolvimento e modernização.

O conceito de elite social possui diversas definições: como um grupo situado numa posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e económica; como um grupo localizado numa camada hierárquica superior numa dada estratificação social; podendo igualmente ser o grupo minoritário que exerce uma dominação política sobre a maioria num sistema de poder democrático.

Elite pode também ser uma referência a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendida simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas, económicas ou sociais com impacto nacional, podendo ainda designar as pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da Sociedade, e neste caso Elite seria um sinónimo tanto para liderança como para formadores de opinião.

Neste contexto penso que os comentários que fui ouvindo sobre as Elites Santomenses não radica propriamente nelas mas no facto de parecer que não conhecem bem o País profundo, e a ser assim qual será a motivação para tal comportamento?

Além da sua competência técnica as Elites Santomenses, para o serem verdadeiramente, têm de cumprir diariamente com deveres que abarcam valores, atitudes e padrões de comportamento, ou seja, trata-se de ética, e o eventual sucesso das Elites Santomenses na vida académica, nas profissões liberais, na área financeira, económica, social e de gestão, tem de ancorar aqui, partir daqui e retornar sempre aqui.

Na verdade, o povo não pode deixar de pensar que os seus concidadãos que constituem as Elites Santomenses são os únicos que podem ser chamados a desempenhar um “serviço público”, um “serviço cívico”, como que uma “comissão de serviço”, em nome da responsabilidade da cidadania e do sentido de Estado no sentido mais profundo de solidariedade nacional.

Mas para isso as Elites Santomenses precisam de eleger uma causa de conduta verdadeiramente nacional, como por exemplo uma verdadeira reforma da Administração Pública capaz de transformar uma administração poder numa administração prestadora de serviço, capaz de ser leve, eficaz e útil, porque a Administração Pública deve ser útil e não um peso inútil.

Na verdade, a Administração Pública é nos países em desenvolvimento o sector que apresenta maior oferta de serviços aos cidadãos, e como tal deve dedicar uma atenção particular ao nível do grau de satisfação dos seus utentes, pois estes assumem o duplo papel de contribuintes e beneficiários do serviço público, tendo presente que o cidadão contribuinte paga, através dos seus impostos, o funcionamento da Administração Pública, sendo legítimo que quando necessita dos Serviços Públicos exija qualidade nos serviços que estes lhe prestam.

Acresce que nos países em desenvolvimento é na Administração Pública que se encontra uma parte significativa das elites nacionais, mas cujo bom funcionamento depende em larga medida dos políticos na governação.

De facto, em todos os países os dirigentes públicos dependem de políticos, não de accionistas, pelo que os políticos que afirmam lutar pelo reforço e consolidação da democracia devem meditar seriamente nas consequências desastrosas que poderiam advir para a democracia se as seguintes ideias prevalecessem na opinião pública: a) Os políticos lutam pela conquista do poder para, uma vez alcançado, estarem sempre a explicar que não têm assim tanto poder; b) Há políticos que só se sentem bem no interior do seu próprio Partido, como um agrupamento de indivíduos para a discussão abstracta de ideias e elevação concreta de alguns dos seus membros.

É necessário que as Elites Santomenses desempenhem o referido “serviço público de solidariedade nacional”, e para lá da causa subjacente é de esperar que assumam verdadeiramente a responsabilidade social da sua existência perante o povo que dizem pretender servir.

Assim, também por isto, a democracia multipartidária é um bem supremo do Povo.

    8 comentários

8 comentários

  1. Miki

    4 de Junho de 2018 as 13:01

    Ja conhecí as elites Santomenses cuando foi la visitar como turista. As elites Santomenses nao sao elites. As elites Santomenses sao egoistas. Eles nao percebem que pagar impostos sirve para o bem do povo que nao tem nada. As elites Santomenses, igual as elites Brasileiras, sao a parte pior para um turista conhecer. Os povos Santomenses e Brasileiros sao interesantes para o turista, mas as elites nao. As elites Santomenses beijam a parte traseira dos turistas brancos europeos e exquecem que ninguem gosta disso. Quero dizer, viva o povo Santomense e as elites que se vayan a Miami…

  2. Fernando

    4 de Junho de 2018 as 14:41

    Gostei desta frase: “Assim, também por isto, a democracia multipartidária é um bem supremo do Povo.”. Só não sei se estamos em condições de defendê-la neste momento perante os desmandos do atual poder ADI que está a transformar o país num caos.

    • Seabra

      5 de Junho de 2018 as 20:46

      Caro Fernando, ADI e PT já transformaram STP num CAOS,um pequeno país que tornou -se um ESTADO CRIMINOSO – DITADOR -CORRUPTO. …O que é que se pode esperar mais.
      Acabo de enviar (que espero ser publicado e merece sê-lo ), onde sou a primeira pessoa a vir denunciar um crime odioso que teve lugar em STP, o assassinato do economista Jorge Pereira dos Santos, pelos motoqueiros, com quem ele teve uma banal rixa, pela ocasião de um almoço que se passou hà 10kms de STP , no sàbado dia 2/6/2018,por volta das 22h 40, agredido e espancado à morte em casa dele.
      STP està no Estado do HORROR…do nunca visto,que vem piorando desde à chegada da MALDITA família TROVOADA desde 1990.
      Diz-Se e bem “quem com ferro mata,com o mesmo serà matado “e “cá se faz, cá se paga”.

      • Hilaria

        8 de Junho de 2018 as 15:47

        Muita pena muita pena, nos termos chegados a esse estado. Nao é possivel. Sao Tomé nao merece isso os filhos santomences nao merecem isso. Eu estou com muita pena . A morte do George dessa maneira nao é possivel. Estou degostada da minha terra.Façam qualquer coisa gente. Parem com isso.Parem com isso. Estou com muita pena da familia. O Irmao do George um grande amigo meu o Armando, as irmas as sobrinhas, toda a familia.Quem pode dar aos satomenses como se diz a sua carta de nobreza “sa lettre de noblesse”? Quem pode hoje tirar-nos dessa maluquice como dizem: “de cette folie”?Nos perdemos o sentido de tudo?Ja nao se tolera nada? A justicia nao pode ser feita pelo orgaoautorizado? O homem faz a sua justiça assim so?

        • Seabra

          11 de Junho de 2018 as 12:42

          Enfim! Alguém reagiu.
          Agradeço-lhe imenso, Hilària.
          Serà queriam assim tanto mal ao économista mulato Jorge Pereira dos Santos?
          Meu Deus, como é possivel que nem tenha reagido a este afroso crime? Ora que as pessoas reajem para outras banalidades bem menos importante…trata-se de uma vida humana ceifada atrozmente, pelos assassinos cruéis e selvagens!!!!
          Que CHOQUE de constatar um SILÊNCIO apôs um tao TRISTE e desolado fim!
          Senhores e Senhoras, ninguém està à abrigo.

  3. Gentino Plama

    4 de Junho de 2018 as 15:45

    O exercício da Cidadania
    Bom dia.
    A pergunta que faz no último parágrafo da sua publicação a); b), é a que constata qualquer um que chega ao País “ São Tomé e Príncipe”
    O contrário, é visto ou entendido por aqueles que estão dentro e, ou pelo menos convive com a situação. Permita-me antes de tudo dizer-lhe, que, um aluno que frequenta a escola primária, se o professor não lhe encaminhar no sentido de interpretar primeiramente o problema antes de partir para a sua elaboração, o resultado poderá ser o menos esperado.
    No lado comercial, os colonizadores não nos disseram que a manutenção da empresa ou serviço, depende do nosso desempenho (ser produtivo) e, que as despesas seriam cobradas através do apuro da referida empresa. Há muito que, os nossos políticos têm sido chumbados no que toca a gestão do País. Porém, atribuía-se a culpa ao presidente, por ser o detentor do poder; isto é, era ele, o senhor todo- poderoso. O político santomense é hoje em dia, pessoa com interesse múltiplo e, que, só se consegue satisfazê-lo estando lá na cúpula governamental. Dá tudo de si, para que o partido chega ao poder. Como contrapartida, o referido elemento é silenciado. Não obstante a sua valiosa presença na ações do partido e, consequentemente a do governo, este vê-se impedido de pronunciar algo fora do ambiente partidário. No caso atual, tem havido afastamento selectivo por violar a tal norma.” O País está bem, fizemos o que não foi feito ao longo dos anos” é o que se ouve: para mas, nada.

  4. Seabra

    5 de Junho de 2018 as 20:19

    Caros internautas, caro Abel Veiga, o momento é grave, triste, preocupante, caótica,lamentàvel….faltam -me adjectivos para descrever a situação CRIMINOSA que implantou -se numa tão pequena terra,desde que està sendo DES-GOVERNADA pelos primeiros vagabundos e corruptos de STP, na pessoa do Patrice TROVOADA e da sua MAFIA ADI.
    Creio que não passou despercebido a nenhum sãotomense, o que se passou nestas últimos 72 horas em STP, sobre o ODIOSO CRIME DE ASSASSINATO do economista Jorge Pereira dos Santos ,economista, que foi um valioso quadro do Estado sãotomense ,torturado,massacrado à pancada por bando de motoqueiros ,com foram lhe assaltar por volta das 22h 40 (falei com ele,pela última vez dia 2/6,sàbado àsur 22h33, chegava ele à casa depois de um almoço onde esteve ,hà 10kms de STP, onde cruzou alguns motoqueiros que tentaram lhe faltar o respeito e ele pôs-lhes nos seus devidos lugares). Eles decidiram ,de ir agredi -lo em casa dele,porque não havia electricidade em STP (o governo favorece o crime com falhas de electricidade….). Como é que puderam espancar o Jorge Santos até matá-lo,sem que vizinhos tenham ouvido para intervir e impedir esta fatalidade irreparàvel ? Em STP ,vive na autarquia, està-se a viver num ESTADO DE TERROR em todos os sentidos…governo DITADOR,Estado e Ministros CORRUPTOS, terroristas, assaltantes criminosos , lupens assassinos. …é uma verdadeira GUERRILHA URBANA. Quantas vidas ceifadas,e quantas ainda vão ser ceifadas precocemente ? Ninguém està à abrigo…falei com o Jorge, que devia voltar a ligar-me uns minutos depois e nunca mais poderei falar com ele…
    liguei vàrias vezes na mesma noite, mas não me respondeu porque estava sendo agredido.
    Hà que se fazer um profundo inquérito, para se descobrir e julgar os Bandidos motoqueiros que tiveram por perto no almoço (hà 10 kg de STP,onde esteve o Jorge ). Este crime Horrendo,ATROZ,BÁRBARO….não pode e nem vai ficar impune. Repito,ontem foi o Jorge Santos e muitos outros,amanhà posso ser eu,ou um de vocês ou um prôximo vosso que serà victima destes lupens motoqueiros e outros terroristas que vão fazer a lei do TERROR em STP.
    Neste momento, encontro-me fora por algum tempo…junto dos médias aqui no estrangeiro vou denunciar este caso.
    De um jeito ou de outro,a JUSTIÇA pelo assassinato do Jorge Pereira dos Santos, serà feita . Confirmo o que vai dito.
    Outro sim,estou muito decepcionado,que ninguém tomou do seu tempo,para render homenagem a este filho sãotomense (mesmo se é mestiço de Mãe sãotomense e de pai português ),que serviu bem ao seu país,sobretudo, para denunciar e dar apoio à famìlia, pelo seu torturado e triste fim,nas mãos destes vadios da praça e dos arredores sãotomenses.
    Por esmola,rendam homenagem ao Jorge, mais uma victima desta situação da DESORDEM POLÍTICA STP onde ,não hà justiça do Estado para com os seus cidadãos víctimas dos motoqueiros e mais criminosos. …
    Conto convosco, para unirmos a nossa VOZ e dizer ALTO – FORTE e em BOM SOM : BASTA DE ASSASSINATOS BÁRBAROS.O lugar dos criminosos de toda a espécie é na prisão….não existe nenhum outro lugar pra eles.
    Jorge,pax in lumines. Que a tua Alma repouse em paz e nos esplendores da luz perpétua.
    Que Deus dê conforto e consolação à tua família, especialmente, aos teus irmãos e as tuas filhas Syndavi e Josiane.

  5. Seabra

    11 de Junho de 2018 as 12:47

    Abel VEIGA, e você, porque razao (como jornalista da informaçao), nao rendeu,ou pelo menos informar sobre estre atroz crime? Porquê o seu silêncio?
    Nao compreendo…que choque grande tive e tenho , pela nao reacçao dos internautas nacionais e outros. Quando se fala de banalidades, todos e todas saltam pela ocasiao e disparatam opinioes (às vezes sem estrutura logica). Là, massacraram um homem calmo, tranquilo, discreto e victima, ninguém diz um BASTA, uma palavrinha de consolaçao à familia.
    Que atitude tao atroz que o crime cometido!!!

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