CORRIJAM-ME SE ESTIVER ERRADO!
Qual é o Governo, dos mais poderosos aos mais fracos dos países do mundo, que estavam preparados para enfrentar com eficácia esta crise pandémica?
Devido a sua debilidade económica e financeira, São Tomé e Príncipe tem que contar com a ajuda dos parceiros bilaterais e multilaterais no fornecimento de testes, materiais e equipamentos laboratoriais e outros para o diagnóstico de prevenção da Covid 19, numa circunstância em que mesmo os países que nos ajudam estão com dificuldades para conter a doença, agravado do facto de os voos regulares estarem todos cancelados.
Não tenho informações privilegiadas, mas como cidadão atento, tenho acompanhado com muita atenção todas as medidas de prevenção e diligencias encetadas pelo Governo junto dos nossos parceiros, com vista a apetrechar o Pais de meios para a prevenção do Covid 19, mas devido as circunstancias referidas acima em que se vive atualmente no mundo, não tem sido nada fácil.
Por outro lado, a nossa realidade social, os hábitos da nossa população, as crenças, as condições habitacionais e outras, ainda complicam tudo.
Quem não sabe que o Governo tem feito tudo com ajuda da OMS e outras Organizações com vista a sensibilizar e esclarecer a população de que o vírus existe e é extremamente contagioso e há necessidade de se cumprir todas as orientações das autoridades, mas que ainda assim, a população teima em não obedecer?
Quem não sabe que a oposição está a fazer uma forte campanha antipatriótica de desinformação junto da população ao ponto de dizer que o vírus não existe, tudo para sabotar o trabalho do Governo?
Sendo assim, é justo exigir a este Governo mais do que tem feito?
Outro Governo qualquer faria melhor nestas circunstâncias?
Por que razão se vê a Covid 19 apenas um problema do Governo?
No meu artigo intitulado “Guerra Mundial não Declarada”, dizia que teríamos muitas dificuldades de controlar o vírus aqui no Pais devido as condições habitacionais dos nossos bairros populares. Não é por acaso que o Distrito de Agua Grande é atualmente o epicentro do foco de contaminação no Pais. É um problema que se afigura muito difícil e que sinceramente não tenho proposta plausível para o mal. Devemos todos debruçar sobre esse complexo problema com vista a se encontrar uma solução.
Não basta perguntar se o Governo tem feito tudo o que devia fazer. Acho que as críticas devem ser acompanhadas sempre de propostas para a melhoria do que se acha que está mal. Só assim é que estaríamos a contribuir e participar na resolução dos problemas.
Eu também tenho a perceção de que há muito mais infetados do que aquilo que se tem anunciado. Mas tenho que entender também que para que isso seja confirmado tem que se fazer testes e muitos testes. Ora, os testes são feitos em função das disponibilidades e capacidades que o Governo dispõe neste momento. Toda a gente sabe a dificuldade que se teve para se receber os primeiros testes rápidos no Pais. E a quantidade que se recebeu foi manifestamente insuficiente. O laboratório que foi fornecido pela OMS e que já havia sido adquirido há muito tempo só agora chegou ao país por falta de transporte. Por isso é que acho que a forma como foi dito, dá impressão que o Governo anda a esconder os dados reais de pessoas infetadas. É o que se ouve já por aí.
Neste momento da vida do Nação mais do que declarações públicas e críticas, o mais importante é darmos todos a nossa colaboração, porque esta em causa a nossa vida coletiva.
São Tome e Príncipe é uma Republica onde vigora um sistema de governo semipresidencialista de democracia representativa. O Presidente da Republica é Chefe do Estado e o Primeiro-ministro é Chefe do Governo. O Governo é o Órgão Executivo e Administrativo do Estado, cabendo-lhe conduzir a política geral do Pais. Sendo assim, nessa circunstância de uma crise pandémica que estamos a viver, o Presidente da Republica, sem interferir nas competências do Governo, pode e deve dar uma valiosa contribuição na resolução dos problemas, porque tem o espaço no âmbito da Lei para o fazer. Espera-se a mesma colaboração também dos Partidos Políticos, sociedade civil e toda a população em geral.
Temos exemplo de Portugal um Pais com o sistema de governação parecido com o nosso, em que tem havido uma valiosa colaboração entre o Presidente da Republica e o Governo. Em consequência disso, as coisas estão a funcionar bem no âmbito desta crise pandémica e com resultados muito satisfatórios para a resolução do problema, facto que granjeou o elogio da comunidade internacional. É notório também a colaboração do Líder do principal Partido da Oposição, PSD.
Por isso é que para mim, o problema não é uma questão de liderança mas sim do carácter dos políticos são-tomenses que terão que mudar a sua postura para que esse Pais saia do marasmo em que se encontra há 44 anos.
Já se experimentou vários modelos de entendimento politico aqui no Pais que não resultou. Alguém ainda se lembra do último Dialogo Nacional, realizado em Março de 2014, que se gastou tanto dinheiro para a sua realização? Qual foi o seu resultado prático? Qual foi o benefício para o Pais se a falta de entendimento continua? Teria havido falta de liderança?
Os políticos são-tomenses devem saber estar quando estão no poder e devem saber estar quando estão na oposição. A Lei define claramente o papel de cada um. Na minha opinião o Pais não precisa de nenhum Governo de Salvação Nacional como foi proposto. Eu vejo isso apenas como um expediente para se acomodar os maus perdedores que não se sentem bem fora do poder.
São Tomé, 29 de Maio de 2020
Fernando Simão






Pessoa
3 de Junho de 2020 as 8:59
Bem dito e visionado, e mais não digo..
Mais Velho
3 de Junho de 2020 as 10:06
Senhor Fernando! Agradeço a sua disponibilidade para escrever e até se dispor para ser contrariado por aqueles que o desejam fazer, tendo em conta o conteúdo do seu texto. Este é um grande ato de cidadania. Desculpar-me-á, contudo, em contrariá-lo num aspeto que considero importante. O senhor ao longo do seu texto quase que pede ou sugere as pessoas que não critiquem e quando o fazem para apresentarem soluções para as críticas que fazem. Eu não posso concordar consigo porque isto é a antítese da democracia e da própria política. Nós não podemos andar a dizer e reclamar que as coisas estão mal no país, que os governos falham nos processos de governação, que os cidadãos não se interessam pela política e, simultaneamente, pedir ou sugerir que as pessoas não façam críticas ou quando as fazem terem necessariamente de apresentar soluções para atos de governação que criticam. Não creio que isso seja sensato nem responsável. A crítica em si é um ato de escrutínio público que a cidadania exerce sobre o poder político com o objetivo das coisas melhorarem e não quer dizer, necessariamente, que os críticos em causa tenham razão. Isto faz parte da democracia. Pensar diferente disto é mesmo que advogar um regime ditatorial. Nós não podemos advogar o pluralismo político, sob a qual assenta a nossa democracia, e no entanto estarmos proibidos de criticar as opções dos governos, quaisquer que sejam, ou sermos coagidos a fazê-lo somente mediante a apresentação de uma solução alternativa. Com todo o respeito eu não posso concordar consigo. A crítica em si também é uma forma de emitir opinião e não pode ser interpretado necessariamente como uma ausência de compromisso político para com o desenvolvimento da nação. Um exemplo: este governo na minha modesta opinião é fraco, constituído por algumas pessoas com um perfil pouco adequado para as atuais necessidades do país em diversas áreas que requerem reformas políticas profundas e o primeiro-ministro tem tido imensas dificuldades para o liderar e coordenar, tendo em conta os resultados que todos conhecemos. Esta é uma crítica que faço em função daquilo que observo da atuação governamental e dos problemas que existem no país e que estão aos olhos de qualquer cidadão. Pode haver pessoas que discordem deste meu olhar crítico mas não pode ser interpretada como uma crítica ilegítima nem tão pouco eu tenho que apresentar soluções que ajudem o senhor primeiro-ministro a fazer remodelações governamentais porque esta é uma competência exclusiva dele. Não sou eu que para além de criticar vou apresentar ao senhor primeiro-ministro uma solução ou alternativa de remodelação governamental. Este é um exemplo entre muitos outros que eu poderia contrariá-lo na fundamentação do se artigo.
Choro
3 de Junho de 2020 as 12:32
Senhor Simão Que se diga a verdade independentemente da doença toda gente sabe que o actual governo deu obras de passeio estradas pontes e mercado de Bobo forro aos seus amigos, camaradas e empresas de namoradas. É só corrupção.
Com essas trapalhadas deve se criticar e muito bem. Aliás quando estavam na oposição criticavam tudo e até incendiaram a viatura de uma juíza.
SEMPRE AMIGOC
4 de Junho de 2020 as 17:45
De acordo com o conteúdo da exposição feita pelo Mais Velho(a?)Não é “huangando” flores é que prestamos um apoio válido ao Governo.Criticar não é condenar.O Governo deve estar atento ás opiniões criticas ao seu desempenho.Há um provérbio dinamarquês que diz:QUEM NÃO TEM ORELHAS PARA OUVIR,NÃO TEM CABEÇA PARA GOVERNAR.
Luisa
5 de Junho de 2020 as 2:22
Publicar um artigo desta natureza é sinónimo de exercício de cidadania. É de louvar a iniciativa. Deve-se respeitar a opinião de cada um. Não sei se estou certo, mas julgo que o ator do artigo em questão, aparece como advogado de acusação daqueles que criticaram fraco desempenho do governo no combate a pandemia Covid19 e não só.
Viva o pluralismo de opiniões!
somos culpados
5 de Junho de 2020 as 10:51
Apesar da Covid 19 este governo é o pior que alguma vez tivemos em Sao Tome e Principe. Sem mando, sem estratégia ou plano de acção, pessoas fracas, privilegia os camaradas, incentiva o aumento da corrupção enfim só com Cristo. Ainda assim pensam que uns cabazes chegam para calar as pessoas. Haja paciência. Fui