Opinião

« No país dos cegos, quem tem um olho é Rei » 

Recuso-me em aceitar que tem de ser assim; recuso-me em acreditar que não vai mudar!

Passei a minha infância, adolescência e estou passando a minha juventude com a perspetiva que tudo vai mudar, mas lá já vão pouco mais de duas décadas da minha existência e a minha esperança não cessa em ser vítima do tempo, e começo a desacreditar que as coisas um dia serão diferentes.

É chagada a hora de nós invertemos a situação, estamos presos a utopia do “leve-leve” enquanto o mundo corre à uma velocidade implacável.

Visionariamente falando, constato que estamos a tentar pintar de cor de rosa a casa feita de andala. Chega! chega de mediatismo, nepotismo, comodismo, vitimismo e criticismo não construtivo, chega de lutar só para “safar” o dia de hoje. Ter um olho no país dos cegos é pensar no amanhã onde os nossos filhos farão parte, caso contrário, seremos eternamente equiparados a um peixe correndo atrás da sua própria cauda e olha que já fazemos isso ao quase meio seculo.

“Ensina-me a pescar ao invés de me dar o peixe” _ esse deveria ser o slogan da nossa Diplomacia,e quem sabe estaríamos menos dependentes.

Os economistas sabem que a teoria clássica diz que um país deve se especializar no ramo onde possui matérias primas em abundância, ou no sector onde é mais produtivo. Eu vos pergunto : em que sector São Tomé e Príncipe é mais produtivo? Qual é a matéria prima que São Tomé e Príncipe tem em abundância?

Com essa especialização podemos entrar para as chamadas “trocas comerciais” e tirar o melhor proveito da mundialização, comercio internacional e, por conseguinte, alavancar a economia.

No mundo em que fazemos parte hoje, quase que não se consegue atrair os investidores sem a criação de uma “zona franca” _ Espero que isto esteja na lista das prioridades para o país, por outro lado, é imperativo que aumentemos a exportação, isso implica produzir mais e melhor e para este efeito terá que haver toda uma panóplia de esforço, dedicação, mobilização e investimento por parte das entidades hábeis para comos cidadãos /classe operária.

E o sector privado? Porquê temos tanta escassez das iniciativas privadas? É unanime que este sector é imprescindível para o desenvolvimento de qualquer país e São Tomé e Príncipe não foge a regra. Tratando-se de um país predominantemente jovem e sendo esses o motor da revolução, todavia a visão que eles têm do país e deles mesmos é determinante para o nosso amanhã. E a camada dos recém-formados têm um papel capital nesse processo(não obstante o papel indispensável das outras camadas).

Assim sendo acredito que esta camada (recém-formados)encontram-se dividida em três (3) Partes:

  • Em primeiro lugar, temos a maioria dos recém-formados que almejam trabalhar nas instituições publicas (apesar de estarem abarrotadas), para esses, vê-se a necessidade de levar a cabo uma política de resiliência juvenil capaz de mudar o paradigma e a visão que eles têm do país e deles mesmos enquanto filhos da pátria;
  • Em segundo lugar temos alguns que por carência ou a quase inexistência do sector privado vê o aparelho do estado como o único refugio;
  • Por último uma minoria tentando levar a cabo diversas iniciativas privadas, porém, se vê muitas vezes impossibilitada por conta da conjuntura jurídica, económica(fiscais), financeira… do país.

A titulo de exemplo, em Marrocos as empresas recém-criadas são isentas de pagar impostos durante 5 anos, essa medida visa a facilitar e incentivar a inserção e desenvolvimento do sector privado e por outro lado permitir que as empresas recém-criadas se solidifiquem para poderem fazer face ao fisco.

A própria conjuntura do país (São Tomé e Príncipe)acaba muitas vezes pondo fim aos sonhos de muitos jovens, alias, esse é o meu maior desassossego, os jovens se limitam em sonhar com pouco ou quase-nada que o país poder-lhe-iam oferecer e acabam tendo um futuro misero e pouco promissor, e crescem com a sensação de que poderiam ser mais do que são, fazer mais do que fazem e ter mais do que têm. Na sequência o país cria cidadãos aborrecidos com presente e sem planos para futuro.

Vão lá para a“Roça” dar uma olhada! Uma maioria dos jovens sem futuro porque já deixaram de sonhar faz tempo_ e de quem é a culpa? Sentem-se abandonados dentro da sua própria pátria _ e de quem é a culpa? Só sei que a culpa vai morrer solteira.

A Revolução Começa Agora!     

Amilton Tebús – Marrocos

    5 comentários

5 comentários

  1. Lugido

    24 de Setembro de 2020 as 7:16

    Muito bem gostei da reflexão. A única coisa que lamento é que os políticos são-tomenses como têm mente quadrada jamais pensam nestas soluções. Resultado sociedade atrofiada. O pobre e o zé espertinho que vive de corrupção passam a vida a fazerem filhos. As pessoas tornaram violentas e indisciplinadas. A função pública está desorganizada. Os preguiçosos, incompetentes e corruptos é que ocupam lugares chaves. O sector privado está moribundo e quem tenta fazer alguma coisa é perseguido pelas finanças. Nas ruas reina o caos, casas velhas, lixos, doidos,cães vadios, cabras e porcos a solta, insultos, o cidadão a exibir partes íntimas para urinar em céu aberto e a policia finge que não viu nada. A mendicidade é enorme. A poluição sonora está crescente. O crime está em alta…etc. Acham que um país assim vai a lado algum?

  2. SANTOMÉ CU PLIXIMPE

    24 de Setembro de 2020 as 7:21

    QUE REVOLUÇÃO?….JÁ PEDISTE UMA PERCELA DE TERRA E ALMEJAR DAR O SEU MELHOR NELA..PRA COMEÇARES A DAR EXEMPLO?

  3. pais tá bom só

    24 de Setembro de 2020 as 11:01

    Meu caro jovem…tem razão. Os jovens procuram no sector público meio de ganhar a vida pois é o único que oferece condições minimamente vantajosas e com alguma garantia desde que se escolha uma cor partidária (nem que seja a fingir)…isto acontece e não devia de acontecer mas é só mais uma estratégia dos donos do pais para garantir que os jovens estão sob a sua alçada e vulneráveis á sua chantagem politico/partidária…te-los na mão é o melhor meio para lhes cortar as pernas quer em inciativa, quer em ideias inovadoras…se eles dependem do seu trabalho na função publica para retirar seu sustento como podem ír contra o paradigma/sistema já montado mordendo a mão que por outro lado os alimenta???
    A iniciativa privada não interessa a estas elites. O investimento privado irá tirar uma parte da população sob a sua alçada, tornando-os trabalhadores de outros patrões ou até trabalhadores independentes. Essa independencia quer financeiramente quer em ideias é muito perigoso para eles…afinal, se a maioria da população activa não precisarem deles para nada acabam-se os votos e os compadrios…fica uma classe trabalhadora que irá reenvidicar e exigir melhorias pelo retorno do pagamento dos seus impostos e fará o escrutinio do desempenho de cada actor politico sem medo de represálias…abram os olhos!!eles estão a vos matar aos poucos…isto é estratégia montada desde a independência!

  4. Como será

    24 de Setembro de 2020 as 11:04

    Realmente nao vai, mas tambem nao podemos fica na dormencia do “leve-levé” como disse o irmao ai em Marrocos enquanto o mundo la fora corre a velocilidades, tem qur haver uma saida, eu ja li um artigo no tela non, em que dizia numa das passagens de que; Stome é um pais com muita saída; so nao estamos a sair devido avareza dos nossos politicos, GOVERNO corrupto criam desgraça ao seu proprio, e nada lhe move para mudar este quadro, porque enquanto o pais se afunda, desordem toda toma conta da sociedade; eles vao se enrequecendo, o que lhes importa é saquear verba do pais para seus bolsos, mas se esquecem da imagem do pais que é espelhada na diáspora como o mais misero do MUNDO. Situacao triste.Basta olharmos para nossa irma “ANGOLA” mas tenho esperança que as coisas irão conhecer uma mudança.Jovens continua a estudar que este pais precisa de homens com mrntes brilhantes para defender-las das maos deste corruptos maleficos.

  5. Juary Mota

    24 de Setembro de 2020 as 12:05

    Bem colocado esta reflexão. Saudo o meu companheiro de luta por estes parágrafos, porém, pergunto: Estas reflexões acabam invadindo a nossa mente, eu respondo ” NÃO”. Infelizmente expressamos os nossos sentimos devido a maneira como este país anda, porém não são considerada as nossas explanações, mas não vamos desistir de nos expressamos as preocupaões que nos assolam e a tristeza e o sentimento de revolta que toma conta da nossa alma pelo facto de ver o nosso São Tomé e Princípe deste jeito.

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