Opinião

Sinais do Tempo

Como bom cidadão e filho de boa gente, é-me difícil manter indiferente perante tantos sinais negativos que tem perturbado o ambiente político são-tomense e bloqueado o desenvolvimento harmonioso destas ilhas maravilhosas de Golfo da Guiné nesses últimos tempos. O mais grave, é que são os próprios governantes   ao mais alto nível a promover essa crispação desnecessária, quando o debate devia estar centrado para se encontrar forma de resolução dos problemas gritantes do Pais.

Quando um Primeiro Ministro se dirige ao Presidente da República, num tom que roça falta de educação para com o mais Alto Magistrado da Nação, quando esse mesmo governante, numa atitude manifestamente deselegante, manda calar o seu antecessor, deputado e líder de maior partido da oposição, as coisas vão muito mal na República. São situações que se acumularam ao logo dos tempos sob aplauso de alguns e a indiferença e deixa andar de quem devia estancar a situação, hoje, estão a ser vítimas desse comportamento.

O Primeiro Ministro Patrice Trovoada tem que saber duma vez por todas que a maioria absoluta não significa fazer o que quer porque o Pais tem leis e regras para serem cumpridas por todos e que a democracia não é apenas a lei da maioria. É a lei da maioria respeitando o direito das minorias.

Quem nos governa não tem sabido fazer a leitura nem tão pouco interpretar os sinais do Pais e vindos do exterior, ignorando-os completamente. Agimos como se estivéssemos sozinhos no mundo. O contexto internacional exige de nós muita atenção e maior unidade interna para ultrapassarmos essa crise endémica que vivemos no Pais há longos anos. Acredito que a falta desse cuidado é a causa principal da dificuldade de obtermos financiamentos do FMI, bem como, investimentos privados para estimular a nossa economia moribunda, apesar das inúmeras viagens ao exterior do Primeiro Ministro.

São Tomé e Príncipe tem tudo para dar certo, quando um dia decidirmos que assim seja. Quando os filhos deste Pais se compenetrarem de que todos juntos somos mais fortes independentemente das nossas diferenças. Por isso é que o Partido Político que pensar que sozinho vai resolver os problemas de São Tomé e Príncipe, ainda que tenha a maioria absoluta, está redondamente enganado. Tenho dito isto repetida vezes!

A propósito das diferenças, quem observar as ideologias dos Partidos Políticos da nossa praça, constatará que existem muitas semelhanças entre as mesmas. Por essa razão que não há diferença entre os seus programas e nem tão pouco a forma de atuação, sobretudo dos dois Partidos do arco do poder (ADI e MLSTP). Sendo assim, qual é então a razão de tanta crispação e de tantos conflitos assim como de não entendimento nas questões básicas e fundamentais para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe? Por essa razão existe muitos casos de corrupção no Pais e muita cumplicidade no seio da classe política. Portanto, o que se constata é que as pessoas ascendem ao poder não porque professam uma ideologia, que tem como objetivo servir o Pais e não se servir dele. Por causa disso, as instituições do Estado (Administração Central do Estado, Função Pública e Tribunais) estão capturadas e completamente desreguladas, pois, tudo favorece atos de corrupção.

A proposta do deputado do ADI, Abnilde Oliveira no Parlamento, para aprovação duma lei que limita as viagens dos servidores do Estado ao exterior, com ênfase para as inúmeras deslocações do Primeiro Ministro Patrice Trovoada, soube a pouco. Deve-se ir mais longe e incluir também, entre outras, propostas de lei de combate sério a atos de corrupção no Pais, de cumprimento obrigatório para todos. Acreditem que a corrupção tem sido um cancro e o maior obstáculo para o desenvolvimento do Pais e captação de investimentos privado estrangeiros.

Curiosamente, essa proposta parte do deputado da maioria no poder e não da oposição. É caso para se perguntar; o que anda a fazer o maior Partido de Oposição? Achei muito estranho ter ouvido na última conferencia de Imprensa do Presidente do MLSTP, Jorge Bom Jesus a desvalorizar as viagens exageradas do atual Primeiro Ministro. O MLSTP perdeu a oportunidade de marcar a sua posição na agenda política nacional e posicionar-se verdadeiramente como o maior Partido da oposição. Talvez estejam mais preocupados com a luta interna pelo poder no seio do Partido.  Triste!

Como consequência da má governação, a situação socioeconómica do Pais está a agravar-se cada vez mais. Um dos sinais negativos é o abandono em massa de são-tomenses de todo estrato social para o exterior a procura das melhores condições de vida. O mais preocupante é o esvaziamento de quadros bem qualificados e experientes da Administração Pública. Se a Função Publica já funcionava mal, imagina como vai ser agora. Muitos estão a vender os seus haveres, como casa, terrenos, viaturas e outros bens com o objetivo de obter meios para viajar. E o Primeiro Ministro acha essa situação normal.

Outro fenómeno que pouco se fala, trata-se de cidadãos são-tomenses que vivem na diáspora há longos anos, que construíram as suas casas e outros bens no Pais, com objetivo de passar o resto das suas vidas na terra natal depois da reforma, estão a desistir da ideia e alguns já venderam ou têm intenções de vender esses mesmos bens edificados, devido a situação cada vez mais crítica que se vive o Pais.

Realmente, é de todo compreensível, que alguém que viveu no exterior, com uma qualidade de vida satisfatória, e agora com uma idade avançada, confrontar-se ao chegar ao Pais com falta condições básicas como eletricidade e água potável, ausência de um bom hospital, falta de cuidado médico e medicamentoso etc. O grande problema é que devido a falta de vontade política não se vislumbra uma solução para esses problemas a breve trecho, situação que já vem de longos anos.

Devido essa desregulação e anarquia total que se instalou no Pais, chegou-se ao ponto de ser próprio Estado a violar as leis e cometer o maior crime de violação dos direitos humanos no Pais, como aconteceu em 25 de novembro de 2022, em que se torturou até a morte 4 cidadãos são-tomenses, cuja justiça não fora feita até a presente data. O Pais não pode esquecer o 25 de novembro de 2022, como o dia mais triste da sua história, depois da conquista da independência nacional e esse acontecimento que se comemorou há dias o seu primeiro aniversário, deve ser lembrado todos anos. Espero que a justiça seja feita e que os culpados direto e indiretos por esses atos macabro, sejam devidamente punidos.  

São Tomé, 29 de novembro de 2023

Fernando Simão

2 Comments

2 Comments

  1. Ralph

    1 de Dezembro de 2023 at 4:16

    O autor levanta muitas observações pertinentes e oferece algumas sugestões boas, incluindo no primeiro parágrafo, quando refere que são os próprios governantes quem promove a discordância e a confrontação. Infelizmente e, de acordo da minha observação, é isto o que os políticos fazem melhor, em vez de fazerem o que deveriam. Ou seja, unir um povo ao promover a discussão produtiva e a procura de soluções aos problemas difíceis que confrontem qualquer e cada país. Se os governantes se focarem nesse objetivo ao invês de preferirem enriquecer e discutir entre si, não tenho dúvida de que houvesse desfechos muito melhores dos que se tem de aguentar presentemente.

  2. Jon Teixeira

    1 de Dezembro de 2023 at 11:15

    simao embora seja triste já está provodo que os pretos não tem capacidade intelectual ou moral para governo próprio. raca inferior.. africa do sul ficou uma vergonha desde os pretos tomaram…

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