Quando comecei a estudar, sempre tive uma particular afinidade com os números. Gostava da lógica, da possibilidade de encontrar respostas e daquela sensação de que, perante um problema, existia uma forma de o equacionar.
Talvez por isso tenha sido particularmente marcante quando, pela primeira vez, me deparei com os números complexos.
Para uma cabeça ainda habituada à ideia de que cada problema deveria conduzir a uma resposta relativamente simples, descobrir que existiam números que não se comportavam dentro daquilo que eu conhecia como realidade numérica foi algo extremamente complexo para a minha compreensão.
Mais tarde, percebi que a palavra “complexo” ultrapassa em muito a matemática. Um problema complexo é aquele cuja compreensão e resolução dependem de múltiplas variáveis, muitas vezes interligadas; algumas conhecidas, outras difíceis de medir e outras que nem sequer conseguimos identificar completamente.
Alterar uma variável pode produzir efeitos sobre várias outras, tornando impossível encontrar uma solução simplesmente linear.
Talvez seja exactamente assim que devamos olhar para São Tomé e Príncipe.
Um país é, também ele, um sistema complexo.
O nosso desenvolvimento não depende apenas do governo.
Nem apenas da economia. Nem apenas da educação. Nem apenas dos recursos naturais.
Nem apenas da população. Depende da forma como todas estas dimensões interagem entre si. A educação influencia a economia. A economia influencia as oportunidades. As oportunidades influenciam a estabilidade social.
A estabilidade influencia as instituições. As instituições condicionam a forma como os recursos são geridos. A gestão dos recursos afecta o ambiente. E as alterações ambientais acabam, por sua vez, por afectar a economia, a saúde, a alimentação e a qualidade de vida das pessoas.
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