A partir de Fevereiro São Tomé e Príncipe retoma o negócio de venda de 30 mil baris de petróleo produzidos pela Nigéria

Publicado em 21 Jan 2009
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É uma dfradique-de-menezes.jpgas conquistas do Presidente Fradique de Menezes, no primeiro encontro oficial com o seu homólogo da Nigéria. O país vizinho que desde o ano 2007 suspendeu a comercialização por parte de São Tomé e Príncipe de 30 mil baris de petróleo/dia, decidiu retomar o negócio. O arquipélago vai arrecadar mais de 1 milhão de dólares por ano. Ao mesmo tempo o Chefe de Estado são-tomense conseguiu activar com a Nigéria o acordo de crédito financeiro no valor de 30 milhões de dólares, para sustentar o orçamento geral do estado. A dinamização do dossier petróleo é outra certeza.

O Presidente da Nigéria, prometeu a Fradique de Menezes tudo fazer para pressionar as companhias petrolíferas que ganharam direito de exploração dos 4 blocos da zona conjunta a trabalharem no sentido de avançar para a exploração do ouro negro. Uma forma de credibilizar os recursos de uma zona que foi colocada no mercado desde o ano 2002. «O presidente nigeriano prometeu exercer toda a sua influência, pediu primeiramente ao governo para convocar as empresas que ganharam os blocos e incita-las a retomar o interesse pela zona conjunta, e caso haja necessidade de ele próprio receber as empresas manifestou-se disponível a incita-las no sentido de retomar as actividades na zona conjunta», assegurou Fradique de Menezes.

Até agora apenas um bloco de petróleo da zona conjunta foi perfurado. Trata-se do bloco 1 administrado pela empresa americana Chevron Texaco. A mesma empresa prometeu realizar mais furos para comprovar o valor comercial dos hidrocarbonetos descobertos após a realização do primeiro furo em 2006, mas até agora nada aconteceu.

Também as companhias implicadas noutros blocos prometeram realizar furos, mas as acções ficaram adiadas.

Por outro lado os Presidentes de São Tomé e Príncipe e da Nigéria concordaram-se em retomar o negócio de venda de barris de petróleo nigeriano. São Tomé e Príncipe recebe e comercializa 30 mil baris de petróleo por dia, e por ano ganha mais de 1 milhão de dólares. O negócio tinha sido suspenso em 2007 após a chegada de do presidente Umar Yar Adua ao poder. «Há uma retoma dos 30 mil baris que nos tinham alocado há uns anos atrás e que tinha sido suspenso desde 2007 esperamos a partir do mês que vem e com a possibilidade de aumento para os 50 mil baris», enfatizou o chefe de estado são-tomense.

Segundo Fradique de Menezes, o aumento para 50 mil barris, só é possível graças a melhoria da situação no delta do Níger. Uma região petrolífera nigeriana que tem sido alvo de confrontos entre rebeldes e as forças governamentais. Rebeldes que sabotam exploração do ouro negro naquela zona. «O país conheceu alguma baixa de produção por causa do conflito no delta do Níger, mas pelo que o presidente nigeriano pôde me explicar, parece que estão a controlar melhor aquela zona e a produção volta a aumentar», sublinhou.

São Tomé e Príncipe ganha mais com a cooperação nigeriana. O país vizinho aceitou abrir uma linha de crédito no valor de 30 milhões de dólares a favor do arquipélago. O governo nigeriano já aprovou o crédito, falta agora o aval do parlamento. «Com relação ao crédito já foi aprovado, mas precisa passar pela Assembleia nigeriana, para que possa então ser desbloqueado. Mas vamos ver se há possibilidade de um avanço enquanto a Assembleia nigeriana não aprovar», referiu o Chefe de Estado são-tomense, tendo adiantado 5 ou 10 milhões de dobras como o valor do avanço que o seu homólogo poderá conseguir a favor de São Tomé e Príncipe antes mesmo da decisão do parlamento do seu país. Um crédito sem pagamento de juros, e cuja modalidade de reembolso será definida pelos ministérios das finanças dos dois países.

Abel Veiga