Política

30 mil euros da Protecção Social e não 300 mil euros, como o Téla Nón erradamente noticiou recentemente, forçam a demissão da Ministra da Comunicação Social, Juventude e Desporto Maria de Cristo

mcs.jpgA Ministra da Comunicação Social, Juventude e Desporto, Maria de Cristo Carvalho, decidiu abandonar o governo. Em declarações a imprensa a Ministra demissionária explicou que sai para poder se concentrar na difícil tarefa de busca da verdade em torno do caso financeiro da protecção social. Maria de Cristo foi condenada na última semana pelo Tribunal de Contas, por alegada má gestão ou desvio de fundos da Direcção da Protecção Social, a repor nos cofres do estado qualquer coisa como 30 mil euros.

O escândalo ocorreu entre 2006 e 2008, período em que Maria de Cristo desempenhava as funções de Ministra do Trabalho e Solidariedade.  Na sentença o Tribunal de Contas exigiu que Maria de Cristo repusesse nos cofres do estado cerca de 30 mil euros, e não 300 mil euros como erradamente o Téla Nón noticiou. O Tribunal de Contas diz ter provado que o montante foi mal gerido ou desviado dos cofres da Direcção da Protecção Social.

Já antes do início do julgamento do caso da protecção social, que a oposição questionava sobre a continuidade de Maria de Cristo como Ministra da Comunicação Social, Juventude e Desporto. O executivo de Rafael Branco tem «o resgate da confiança nas instituições do estado», como um dos principais eixos de governação.

Foi na esteira desse resgate da confiança do povo nas instituições do estado, que o Primeiro-ministro demitiu o antigo ministro dos recursos naturais, Agostinho Rita, pelo facto da universidade pertencente ao ex-ministro ter reclamado o pagamento pela empresa de água e electricidade, EMAE, de propinas dos funcionários da empresa que estudam na universidade no valor de 1500 euros.

O primeiro-ministro batalhou de todas as formas para que o então ministro Agostinho Rita do partido MDFM-PL, abandonasse o governo, por alegadamente ter influenciado a direcção comercial da EMAE a pagar as propinas dos estudantes matriculados na universidade que era também sua propriedade. 

O Primeiro Ministro deu assim sinais claros de que o resgate da confiança do povo nas instituições do estado, era para valer. Mas pouco tempo depois o executivo passou a demonstrar o contrário, ou seja, que o resgate da confiança depende muito, de muitas coisas.

Prova disso mesmo, é o julgamento do Tribunal de Contas. Apesar de alguns ministros do seu governo estarem indiciados pelo Tribunal de Contas, o Primeiro Ministro, que tem o resgate da confiança como alicerce da sua governação, disse que os casos em julgamento aconteceram quando tais ministros faziam parte de outros governos e não no seu. Por isso, na perspectiva do Primeiro-ministro o resgate da confiança do povo, não se justifica para essas situações.

No entanto o povo a espera do resgate da confiança, assistiu esta quarta – feira, a Ministra da Comunicação Social, Juventude e Desporto, Maria de Cristo, anunciar a sua demissão após sentença do tribunal de contas que exige a reposição de cerca de 30 mil euros da direcção da protecção social.

Muita gente questiona. Porque é que o Primeiro Ministro não demitiu a ministra Maria de Cristo, sobretudo depois da sentença do Tribunal de Contas? É a ministra que decide sair, colocando o seu cargo a disposição do Chefe do Governo.

Talvez o antigo Ministro dos Recursos Naturais Agostinho Rita, tem razão quando numa matéria de opinião publicada no Téla Nón, parafraseou um dirigente cubano «A HISTÓRIA NOS ABSOLVERÁ».

Abel Veiga

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