Sociedade

As máquinas do país estão todas a arder

enaport.jpgDepois do fogo ter consumido dois geradores da EMAE, no final de Outubro, tendo agravado a crise de electricidade, esta semana foi a vez do fogo arder as duas gruas da empresa de administração dos portos, a ENAPORT. Consequência do incêndio São Tomé e Príncipe não pode importar nem exportar qualquer tipo de mercadoria transportada por via marítima.

 

Por causa das constantes avarias da grua mais antiga, ao que tudo indica uma das mais velhas ainda em funcionamento numa empresa portuária no século XXI, o estado são-tomense através da ajuda financeira de Taiwan conseguiu comprar em 2007 uma segunda grua, para evitar o isolamento total do arquipélago em termos de embarque e desembarque de mercadorias no porto de São Tomé.

No entanto esta semana as duas gruas pegaram fogo. Uma ardeu por completo e a outra que entrou em funcionamento para substituir a primeira também ardeu. Fogo de origem duvidosa, apurou o Téla Nón, que levou o governo a abrir inquérito judicial na empresa de administração dos portos, ENAPORT. A polícia de investigação criminal(PIC), já está a investigar o caso, apurou o Téla Nón nas instalação da polícia criminal. Vários funcionários da ENAPORT foram ouvidos quinta-feira pela PIC:

Com as duas gruas queimadas pelo fogo, que não se deflagrou para outras instalações do porto, apenas consumiu as duas máquinas, São Tomé e Príncipe está privado de exportar ou importar qualquer tipo de mercadoria por via marítima. 

A direcção da ENAPORT, já veio dizer que não tem solução fácil. «Fizemos todas as demarches, andamos por tudo quanto é canto deste país, mesmo assim não se conseguiu infelizmente resolver o problema», declarou Manuel Diogo, Administrador da ENAPORT.

O incidente ou acidente, com as duas gruas, acontece numa altura em que um navio cargueiro está atracado ao largo da ilha de São Tomé a espera de luz verde para descarregar contentores de carga. «Não prevemos até quando teremos a grua a funcionar. O navio certamente ainda vai aguardar algum tempo. Se o tempo de espera for muito elevado logicamente que o navio vai levar a mercadoria, baldeá-la num outro porto e depois virá mais tarde», afirmou o administrador da ENAPORT.

Um quebra-cabeças para o Primeiro-ministro Rafael Branco, um transtorno para a nação. Numa altura em que se aproxima a quadra festiva do Natal e Ano Novo, o mercado nacional arrisca-se a conhecer a maior penúria de sempre de produtos alimentares e outros, caso o governo não encontre uma alternativa urgente para descarregar os navios que atracam ao largo do cais de São Tomé. Se o problema persistir por mais tempo, a economia nacional também vai sofrer choque profundo. 

Nos últimos tempos fogo decidiu engolir as máquinas estratégicas para o normal funcionamento do sector económico do país. Primeiro foi na empresa de electricidade, EMAE. Fogo queimou os alternadores de dois geradores. O país que já estava quase sem luz, ficou as escuras.

O Governo suspeitou de mão criminosa no incêndio da EMAE, e abriu inquérito. Quase 2 meses depois não se conhece o resultado do inquérito judicial. Em declarações ao Téla Nón um quadro da EMAE, disse que já existe um relatório, e nele está claro que os dois geradores arderam por causa da falta de manutenção, e devido também ao exagerado tempo de funcionamento, quase 20 anos. «Os geradores deram o berro», precisou o quadro que pediu anonimato.

Resta agora saber a verdadeira causa do fogo que deflagrou primeiro na grua que o estado comprou com fundos de Taiwan, e logo depois na outra mais velha. Esta que segundo relatos dos trabalhadores da ENAPORT, deveria ser colocada num museu porque é muito antiquada para os tempos modernos.

Nunca na história do país, as máquinas cuspiram tanto fogo como nos últimos dias. Espera-se que seja mesmo fogo de cansaço das máquinas, e não como sendo resultado de actos de sabotagem, como o governo suspeita. Porque se o homem são-tomense começar a deitar fogo nas infra-estruturas estratégicas, então é chegado o fim.

Abel Veiga

 

 

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