Sociedade

O drama da estudante presa no Brasil por tráfico de drogas.

A partir de hoje, o Tela Non leva ao ar a série de reportagens intitulada  “Elas venderam a liberdade…“ da autoria da jornalista Carllile Alegre.  A série é composta de quatro (4) peças jornalísticas feitas com presidiárias e ex-presidiárias africanas no Brasil condenadas por associação e envolvimento com o tráfico de drogas.

O drama da estudante presa no Brasil por tráfico de drogas.

Isadora  (*) atravessou o atlântico

Veio de Cabo verde para estudar no Brasil

Conciliava a sua missão de estudar arquitetura

Com a tarefa de vender drogas

Na Faculdade era uma estudante aplicada

Em casa, era bastante prestativa

Por isso, ninguém nunca ousou desconfiar das façanhas dela

Chegou a faturar  mensalmente  até 10 mil reais (USD 6.000)  com o tráfico

Na vizinhança, ninguém desconfiava que ela era traficante

Até  que  num domingo de madrugada foi pega em flagrante pela polícia

Rápido a notícia se espalhou pelo bairro

Até hoje ela jura que não sabe como foi pega

De volta ao bairro foi execrada

E para não serem crucificadas pela conduta da Isadora

Todas as amigas que viviam com ela se mudaram na manhã seguinte

Daí em diante,  aquilo que parecia um negócio lucrativo

Passou a ser o maior pesadelo da vida de Isadora

Hoje, condenada, ela está presa

Num presídio feminino na cidade de São Paulo-Brasil

Aguardando a hora de sair em liberdade e voltar ao seu país

Sem levar consigo o diploma, motivo de sua viagem ao Brasil

E que tanto prometera a família.

Não há ficção nem poesia no relato. O texto é o testemunho dramático, contado pela própria Isadora sobre seu envolvimento com o tráfico de drogas. Veio ao Brasil para em 2004 para cursar arquitetura numa universidade brasileira, em São Paulo, ao abrigo de um convénio educacional existente entre o Brasil e Cabo Verde.  Um ano depois ela começou a traficar. Ela não lembra exatamente a data em que entrou para o tráfico, mas jura que foi no princípio do ano de 2005. Na altura tinha 20 anos. “Nessa época, eu era imatura. Nem sei como fui entrar nessa furada,” confessa ela em tom de arrependimento com os olhos inundados de lágrimas que escorriam de rosto acima pelo corpo abaixo.

Isadora não é boa de lembrar datas. Mas uma, pelo menos, ela lembra muito bem. O dia 26 de Novembro de 2005, um sábado. Foi no cair da noite desse dia que ela foi surpreendida pela polícia portando drogas. De seguida, a polícia revistou o apartamento dela e encontrou mais drogas. Ela não teve chances, foi parar na cadeia.  “Naquele dia, senti que a minha vida não seria mais a mesma. Tive a certeza que não conseguiria terminar o meu curso superior que tanto prometi aos meus pais, gente humilde e muito digna,” recorda ela com tristeza.

Hoje, aos 25 anos, dos quais cinco (05)  passados num “Presídio Feminino” situado em São Paulo, Isadora parece outra pessoa. Condenada a oito anos de prisão, por associação e envolvimento com o tráfico de drogas, seu único sonho é cumprir a sua pena e conquistar novamente a liberdade.

Questionada sobre o porquê de não cumprir a pena em Cabo Verde, ela justificou: “O crime de tráfico de drogas no Brasil é inafiançável. Não dá para responder em liberdade ou cumprir a pena em domicílio”.  Ela mal sabe que existe um acordo de extradição entre os Países de Língua Portuguesa que, permite que pessoas destes países condenadas em outros países da Comunidade de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), têm o direito de cumprir a pena em seus respectivos países de origem.  Esse acordo, por coincidência, foi assinado na cidade da Praia, capital de Cabo Verde, no dia 25 de novembro de 2005, um dia antes de Isadora ser presa.

Quando questionada sobre o motivo que levou-lhe a entrar para o tráfico, Isadora foi categórica:  ” Nunca pensei em entrar nisso. Fui aliciada por amizades. Não resiste! A proposta era tentadora. Eu teria que entregar um pacote de cocaína para alguém. Pelo serviço eu receberia 5.000 reais, o equivalente a 3.000 dólares.  Minha mãe estava doente, eu tinha rendas de casa em atraso… Decidi que faria contra a minha vontade, ou seja, mais por necessidade do que por ganância.  Eu queria  resolver logo a minha situação financeira`

Ela conta que depois que o serviço saiu perfeito, ela esqueceu o compromisso de que seria a última vez. Fez outros serviços.  Espantada com o lucro fácil que impulsionara mudanças radicais em sua vida, ela decidiu entrar de vez no negócio. Mesmo ciente dos riscos que corria. Em um ano, ela passara de simples intermediária para integrante ativa do grupo, composto na sua maioria por brasileiros e pessoas vindas de outros paises da América Latina, que fazem fronteira com o Brasil.

Questionada sobre o que mais sente falta, ela diz “Sinto falta da minha liberdade, da minha família. Essa situação me deixa muito frustrada. É um pesadelo que carregarei pelo resto da vida. Já tive várias recaídas e depressões porque houve tempos em que achei que minha vida tinha acabado.”

Isadora, tem mais 2 anos pela frente para sair da cadeia. Até lá, ela já sabe o que fazer no dia em que conquistar o alvará de soltura. “Voltarei ao meu país. Tentarei reconstruir a minha vida, formar-me em direito para defender pessoas injustiçadas como eu, e puder dar continuidade a minha vida de uma forma mais alegre”.

* Nome fictício  a pedido da entrevistada  preservar sua identidade.

    18 comentários

18 comentários

  1. edy

    10 de Janeiro de 2011 as 14:52

    Lindo, mas ela nao tem obrigacao de saber da lei que foi assinado entre paises da lingua Portuguesa. Porque e ki existe os advogados? 2, a jornalista tem ki parar de repetir as palavras. Tu podes me dizer Quantas vx escreveste a palavra”questionada”?

  2. budy

    10 de Janeiro de 2011 as 14:59

    espero que a victima quando sair consiga conquistar outro sonho…

    É importante saber que a Vitma tem a conciencia que error mas sabe tambem que tem outra oportunidade….

    Forças Isidora ou seja la quem fores….

  3. Mimi

    10 de Janeiro de 2011 as 15:19

    Acho informativo e oportuno o artigo. Continua o bom trabalho.

  4. Li bila da quebla

    10 de Janeiro de 2011 as 15:51

    Lamento muito a situação da menina, mas ela deveria pensar nos país dela antes de se meter nesta furada como ela mesmo citou. E se já havia recebido os 5000 mil reais, porque voltou acha ainda que não foi por ganancia.
    Aqui em STP, diz-se errar uma vez é humano, agora duas é burrice, e permanecer no erro, já é demais.
    Espero realmente que um dia possas terminar os teus estudos. Mas no mundo das drogas, os injustiçados são aqueles que sem saber é colocado drogas nos seus pertences, o resto é conhecedor mesmo.

    Abaixo as drogas.

  5. suspeito de sempre

    10 de Janeiro de 2011 as 16:08

    penso eu que eu que há míuda dita jornalista ainda não esta no ponto,da lhe tempo meu caro….

  6. vox do povo

    10 de Janeiro de 2011 as 18:36

    Esta informçao vem consecializar os nossos dirigente no sentido de velar pela vida dos estudantes que estao no estrageiro uma vez que nesta situaçao nao ha outra saida se nao consiguir um meio de subssistencia por isso que este caso seja como uma reflexão aos nossos governantes de forma a regularizar os pagamentos das bolsas em atrazo.
    porque este caso é mt grave……

  7. O futuro é incerto

    10 de Janeiro de 2011 as 18:52

    Tudo isso aconteceu simplismente por uma causa: A sua mãe se encontrava doente e não dispunha de finaça pra pagar o seu aluguel. Como vcs podem entender, graças a humildade do povo santomense, nos somos o que somos, mas pela condições que o nossos governates nos deixou é óbvio que poderiamos tambem cair na mesma tentação, mas somos forte, passamos fome e comemos pão que diabo amassou e já la vão 6 meses não nos pagam a nossa bolsa. Não tardará Deus fará justiça

  8. Fabiano Seitas

    11 de Janeiro de 2011 as 2:22

    Finalmente vejo no tela non uma matéria investigativa de grande interesse público.

    Força Carla

  9. António Martins Gomes

    11 de Janeiro de 2011 as 9:37

    Carllile Alegre,há tantas outras como a Isadora…é muito simples! Basta analisar as estatísticas…há,igualmente, muitos afortunados no meu País, resutante dessa prátia nojenta!

    Um bom ano de 2011.

  10. Costa

    11 de Janeiro de 2011 as 14:22

    So posso afirmar que a senhora da foto e muito linda e atraente!

  11. iha do princepe

    11 de Janeiro de 2011 as 14:41

    tudo na vida é preciso, nós é que devemos saber como se meter, o que mais nos intereça é uma vida saudavel e com dimheiro, mais a historia do dinheiro traz sempre coisas feias, força isadura espero que concigas realmente o teu sonho de volta.

  12. Luis

    11 de Janeiro de 2011 as 15:42

    Interessante e bem relatada a historia.

    Nota-se em ti uma grande influencia do Portugues Brasileiro , mas com tempo passa.

    Força Carla e nunca pares de escrever.
    Luis,Sydney

  13. antonia montifer

    11 de Janeiro de 2011 as 22:07

    a Isadora fez oq fez consciente dos risco que estava a correr e pk que ela diz que :quer se formar em direito para defender pessoas injustiçadas como ela?
    sabendo que ela tinha conhecimento de td,as consequencias e os riscos?em que parte ela foi injustiçada?uma pessoa que sai de simples intermediária para integrante ativa do grupo mesmo assim se axa injustiçada?pelo amor de deus….axo que Isadora precisa ir pra dicionaria ver qual o verdadeiro significado da palavra injustiçada…mas de qualquer forma desejo ela muita sorte e que ela realmente tenha se arrependido e que ela consiga recontruir sua vida e dar volta por cima…

  14. ze cabra

    12 de Janeiro de 2011 as 17:47

    a tempos crticavam nestes comentarios que eram os estrangeiros é que traficavam droga para dentro do nosso pais afinal temos muita boa gente da nossa terra a minar o pais espero que sirva de liçao aos nossos comentadores para quando comentarem certos artigos serem mais moderados principalmente contra os nossos irmaos portugueses

  15. Marylou Spencer

    13 de Janeiro de 2011 as 0:17

    Lindo, mas ela nao tem obrigacao de saber da lei que foi assinado entre paises da lingua Portuguesa. Porque e ki existe os advogados? 2, a jornalista tem ki parar de repetir as palavras. Tu podes me dizer Quantas vx escreveste a palavra”questionada”?

  16. Joana Fernandes

    13 de Janeiro de 2011 as 7:56

    Gostei da matéria, o bom disso é que a envolvida, ainda é jovem e com o reconhecimento do erro poderá ajudar muitos que no futuro irão precisar seja no seu pais ou no resto do mundo, que ela tenha sorte e juízopro futuro e
    muita força.

  17. josé manuel

    13 de Janeiro de 2011 as 20:36

    baoas noites a todos antes de tudo quero lamentar a triste situaçao desta jovem e pedir que quem a possa ajudar nao a abandone porque errar e humano que lhe ajudem a recuperar uma nova vida que um dia quando ela voltar a s.tomé que recebam de braços abertos e deem uma oportunidade a ela porque nós todos enquanto vivermos estamos sujeitos a muita coisa boa e ma na vida e ela nao é caso unico no mundo ela errou nao sabemos o motivo que a levou a tal loucura por isso eu como um agente de autoridade que trabalho com essas coisas peço a todos os nossos governantes advogados deputados que ajudem a jovemsou pai de quatro filhos graças a deus até hoje nao deram problemas mas nao estou livre ajudem a familia da jovem sei que e uma dor forte para a familia vejo ca nos açores muito boa gente com tudo de bom e os filhos perdidos no mundo da droga e nos damos o apoio necessario ainda a dias vi um pai na esquadra ondre trabalho lavado de lagrimas porque o filho tinha acabado de assaltar um armazeme era toxidepedente e o senhor e umas das pessoas ca com tudo na na vida nao mareginalizam a jovem por favor

  18. J. Maria Cardoso

    16 de Fevereiro de 2011 as 19:05

    Este pensamento deve ser um recado aos k governam STP e não conseguem resolver o problema financeiro dos nossos bolseiros além fronteiras.
    Oi estudantes, sei k é difícil resistir a fome em terras alheias, mas ser mendigo acaba ser aceite como uma humildade, mas ser correio/traficante, deixa-nos cair no fosso da Isadora.
    Oi Isadora, k o tempo k te resta para voltares a liberdade, corra!

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