As eleições presidenciais serão arquivadas

Aproxima-se em tempo decrescente o dia em que todos os santomenses irão expressar, democraticamente pelo voto, a vontade sobre a quem deve recair a confiança do povo para substituir Fradique de Menezes, atual presidente da república.

É nesta época que, nossos políticos, antes de tudo concidadãos, alistam-se como candidatos ao mais alto cargo da administração pública do país. Aparecem em diversas procissões, fazendo inúmeras promessas, incontáveis discursos futuristas, apresentando várias versões de projetos de desenvolvimento do país, que alegam ser o que faltava para mudar os rumos da nação e a vida do povo. Enfim, a velha táctica eleitoreira de persuadir o eleitor de que se está diante do candidato certo.

Eleitos, nem sempre cumprem suas promessas. Os discursos são esquecidos. Os projectos engavetados. E o país, saí presidente, entra presidente, quase pouco ou não muda, aliás, muda apenas o nome dos presidentes.  O povo nem sempre consegue cobrar o balanço, porque depois de cinco anos, os eufóricos eleitores de ontem, praticamente já esqueceram-se de todas as promessas, projetos e discursos dos candidatos.

E a nossa imprensa onde fica nisso tudo?   Certamente ela tem culpa maior nesse roteiro.  Não arquiva as promessas dos candidatos para no final de seus respectivos mandatos  cobrá-los resultados. Não questiona. Não faz a mediação do debate público para levar o cidadão a relembrar as promessas do passado no intuito de avaliar o desempenho dos candidatos. A nossa imprensa se omite, quando não deveria.  Falo aqui de toda imprensa, sem exceção, pública e privada.

Nestas eleições de 2011, se a imprensa se engajar um pouco mais, este cenário poderá mudar. Nossos candidatos sentirão maiores responsabilidades na hora de abrirem seus promessômetros. Eles devem aprender a prometer menos, deveriam, isso sim, firmar compromissos com o povo e a nação.  Mas como isso não acontece, só resta a nós, imprensa e  povo, cobrarmos  as promessas de nossos candidatos no final de seus mandatos.

E para que isso em 2011 não seja adiável para 2015, levei a mesa  do alto escalão do Tela Non, uma proposta de se fazer uma cobertura inovadora  nestas eleições. Facto que, para meu agrado,  esse diário digital, acolheu positivamente.  Assim, brevemente teremos aqui no Tela Non, uma editoria, ou se quiserem um menu,  “Especial Eleições 2011“.

Neste menu, serão agregadas todas as informações de interesse público relacionadas ao processo eleitoral e aos candidatos:  perfis biográficos, legislação eleitoral, registo eleitoral, entrevistas, campanha dos candidatos, promessas, discursos, e outras informações relevantes. O desafio inicial é entrevistar todos os candidatos. Para que haja uma maior participação do público eleitor, tenciono uma ampla e participativa colaboração dos leitores.

Nas entrevistas com os candidatos, os leitores/internautas, terão a oportunidade de remeterem suas perguntas. Selecionadas, algumas dessas questões, de acordo a pertinência e relevância, serão encaminhadas aos candidatos para respostas.  O objetivo é colocar a cada candidato, duas a três perguntas de interesse nacional, vindas dos leitores/internautas.

No final das eleições, esta editoria/menu, será convertido em um denso arquivo de acesso público. No decorrer do mandato do candidato eleito, analisarei as promessas, discursos e projectos do candidato eleito para fazer  um balanço geral das promessas “eleitoreiras“, e obviamente, cobrar o que foi prometido mas que deixou de ser feito.

A imprensa serve para ampliar, para dar voz ao cidadão, zelando pelo seu direito de informar e ser informado.  Acompanhar criteriosamente o processo eleitoral é o mínimo  que a imprensa pode fazer, não só para ampliar, mas, sobretudo, para reproduzir a voz e os questionamentos do cidadão comum. Caberá  aos  leitores/internautas no final do processo, julgarem se nosso modo de cobertura eleitoral, valeu apenas ou não.

Subtraindo as críticas, elogios e aplausos, a certeza de que, pelo menos tentei proporcionar algo novo, será sem dúvidas a recompensa maior dessa empreitada. Dessa vez, as eleições serão arquivadas.

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    flogá Responder

    Muito bom. Força, vão em frente!

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    Kundu Muala Vé Responder

    Excelente ideia!

    Abram um separado para cada (pre)candidato e ponham lá tudo que for publicado sobre o memso.

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    Malapetema Responder

    Um muito bom isso, no dia que se assinala mais um “Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio”, que é momento para refletirmos sobre a situação de imprensa no nosso país e no Mundo , vemos uma noticia desta que de certeza vai contribuir e muito para a democracia e para a sociedade santomense e internacional veja que podemos ser poucos , e pobres , mas que podemos fazer o nosso melhor mesmo com as poucas condições que o governo deste país continua a dar para a imprensa ou comunicação social. Muito bom trabalho.

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    Assuncao Responder

    Que imprensa, saotomense!? com devido respeito pelos profissionais k nela dedicam, mas falta garra,vontade,e abandono total de receios por parte de muitos. Os jornalistas nao vao a procura de onde est’a acontecer, sabem de um determinado assunto polemico, publico,controverso, e nao vao a busca do contraditorio, esperam para serem chamados, e defendem-se por vezes k nao tem consciencia disto, uma arma poderosa para sensibilizar e instruir o nosso povo, k diga-se de passagem,bem precisa de formacao e informacao, a ver se os saotomenses mesmo recebendo dinheiro, mas votem em consciencia, recuperam a “liberdade” de decisao,uma vez instruidos e bastante informados com um trabalho previo dos nossos jornalistas e nao so.
    Gosto desta iniciativa, pelo menos aki podemos fazer algo, at’e ver!:)
    Com cumprimentos.

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      Assuncao Responder

      perdoem-me,mas ha falhas…queria dizer, na 5 linha” defendem-se por vezes k nao t>em meios…e queria dizer k t>em papel fundamental nesta senda e t>em consciencia disso”

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    Monte Cara Responder

    Optima ideia! Parabens por isso!

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    Bodon Culu Responder

    Será que temos necessidade de PM e PR ?
    haverá espaço para os dois? E recurso financeiro?
    Acontece que vamos ter 3 PR na reforma, julgo com os respectivos salários e outras regalias.
    Non ka guenté?

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