Opinião

2016: Ano da Educação, Ciência Cultura e Formação em São Tomé

É de felicitar o atual Ministro da Educação pela coragem que teve em sentar-se à mesa e dialogar com os seus antecessores. O que vai, aliás, ao encontro de duas primeiras sugestões que no passado fiz ao Partido ADI: http://www.telanon.info/suplemento/opiniao/2014/11/03/17854/os-proximos-4-anos-do-partido-adi/).

No entanto, o Senhor Ministro certamente concorda comigo que não se muda a mentalidade de um povo em apenas uma legislatura. Logo, o futuro da educação em S. Tomé e Príncipe passa, necessariamente, por um plano pluripartidário e plurianual desenvolvido em etapas.

Por exemplo:

1º – Sensibilizar os pais e os encarregados de educação para a importância da formação académica para o futuro do País e dos seus filhos. Para tal é imperativo envolver no debate os sindicatos, a associação dos pais e os professores.

2º – Seria indispensável haver uma rúbrica no Orçamento Geral do Estado destinado à ação social e escolar para comparticipar nas despesas escolares das crianças e jovens das famílias mais carenciadas. As regras para beneficiar do tal apoio seria fixado anualmente e poderia ser suspenso caso haja um numero elevado de faltas e/ou insucesso escolar injustificado por parte do aluno.

3º – Valorizar o Ensino Profissional e colocar nas escolas secundárias técnicos para a orientação escolar e profissional. O País precisa, igualmente, de um plano de formação e de desenvolvimento de carreira docente assente no perfil ético do professor e na metodologia de ensino. Julgo que este é um fator importante para, com devida exceções, combater o amadorismo que reina neste sector.

4º – É justo pretender que os quadros formados pelo Estado Santomense deem o seu contributo para o desenvolvimento da educação. Mas, primeiramente, seria importante o País desenvolver um plano de acompanhamento e de integração socioprofissional para os ex-bolseiros que terminaram os seus cursos e que decidiram regressar. Muitos são deixados durante anos à sua sorte e, mesmo aqueles que regressam ao País, encontram muitos entraves na colocação profissional.

É benéfico a ideia de implicar a sociedade civil e os empresários santomenses na dinamização do sector da educação em São Tomé e Príncipe. Mas, isto não é o que já se faz hoje?

No meu entender, o mais importante nesta fase é encontrar solução para diminuir a burocracia na apreciação e aprovação de projetos, a abertura de concursos público para financiar projetos na área de educação e, utilizar o dinheiro do “suposto petróleo” e outros fundos proveniente das doações das Instituições Internacionais para abrir linhas de crédito com regras claras destinado ao desenvolvimento da educação e da formação profissional.

Já agora, Senhor Ministro da Educação, futuramente convinha chamar também para esta “magna reunião” o Ministro das Finanças e o representante da Agência Nacional do Petróleo.

Que o 2016 seja efetivamente um ano de debate e de correções no Sistema de Ensino santomense

Verónico Neves

    2 comentários

2 comentários

  1. Má Lingua

    6 de Janeiro de 2016 as 21:10

    Concordo plenamente contigo.

  2. ELDEMAR DE ALBUQUERQUE MENOR

    25 de Outubro de 2016 as 14:30

    Com respeito aos itens 3 e 4.
    A questão de profissionais que chegam a bom nível técnico, sob custos certamente elevados para a nação, não é um problema único mas generalizado em países lusófonos d’África. Proponho que sejam formados “in situ” através de “módulos” sob cooperação bilateral com universidades de países desenvolvidos. É exequível sim, com custos de toda forma menores para vosso país, e resultados mais eficazes. Permitiria formação convergente sobre temas afins (ex. proteção ambiental). Poderia ter a honra de discutir sobre o exposto com o sistema educacional de STP? A vosso dispor. Eldemar A. Menor (PhD, Univ. Strasburg; Prof. Visitante Consultor, UFC – Brasil)

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