O nosso primeiro gesto é endereçar os parabéns a todos os são-tomenses em geral e, particularmente, aos eleitores votantes que, com civismo e dedicação à pátria, contribuíram para criar um clima de pacificação no território nas eleições presidenciais do passado dia 19 de julho.
Estava em jogo a “luta” entre o candidato considerado pela maioria da opinião pública como o mais democrático, independente e autónomo (o Presidente da República em funções) e outro candidato indigitado pelo ex-líder da ADI que já ocupou o cargo de Primeiro-Ministro por quatro vezes num período de oito anos e dez meses, visto pela maioria são-tomense como autocrático e alvo de comportamentos muito suspeitos por parte de alguns cidadãos.
A ADI, neste momento, é o maior partido são-tomense em exercício. A situação não é nova. Iniciou-se cerca de quatro anos após a independência, em abril de 1979, quando dois dos elementos mais emblemáticos no seio do MLSTP, que ocupavam cargos relevantes, se desentenderam. Transformaram-se em “gladiadores políticos”, criando divisão, ódio e rancor no seio da população, situação que, anos mais tarde, se foi repetindo de eleições em eleições até à presente data.
As guerrilhas entre candidatos e políticos serviram para criar condições em benefício próprio, com o propósito de manter as suas instituições extrativas, em vez de se focarem no bem-estar económico e social do território, que vai de mal a pior em todos os sentidos, resultando na pobreza extrema da população mais desfavorecida ao longo dos 51 anos de independência.
Leia o artigo na íntegra :
wilson bonaparte
22 de Agosto de 2026 at 17:53
Caríssimo,
Há uma contradição evidente no seu artigo: descobre-se a importância da sociedade civil precisamente quando interessa transformá-la em contrapoder ao próximo Governo ? O próprio texto apela à sua organização para pressionar quem vier a governar e chega a atribuir-lhe a missão de “pegar no leme e salvar o barco”.
Mas uma sociedade civil séria não entra em funções quando determinado partido sai do poder nem desaparece quando os seus aliados governam. Fiscaliza sempre: Governo, Presidência, oposição, partidos, empresas públicas e interesses privados. Caso contrário, deixa de ser sociedade civil e passa a funcionar como extensão informal da oposição.
Há ainda fragilidades económicas difíceis de ignorar. Escolher o turismo como “sector estratégico” porque 54,7% de apenas 212 inquiridos assim responderam não substitui um estudo económico sobre produtividade, emprego, importações, capacidade hoteleira, ligações aéreas, investimento, procura externa e retorno esperado. Da mesma forma, apresentar substituição de importações e proteccionismo como solução quase automática é perigoso numa pequena economia insular altamente dependente do exterior.
A sociedade civil faz falta, sem dúvida. Mas faz falta sobretudo quando os nossos estão no poder. É aí que se mede a independência. Na oposição, qualquer um descobre a virtude do contrapoder.