Em São Tomé e Príncipe continua a ser praticado um método tradicional para tratar a infeção da garganta, conhecida por angina, que consiste na introdução do dedo na garganta do paciente e na massagem do pescoço.
“É uma prática cultural santomense: quando a criança tem angina fazemos essa massagem no pescoço e utilizamos o dedo indicador com azeite para introduzir na garganta. Há também quem recorra a uma colher de madeira”, explicou Isabel de Abreu, Ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior.
Contudo, esta prática tem provocado consequências graves para a saúde de muitos doentes, sobretudo crianças. “Pensam que isso resolve a situação, mas não. Trata-se de uma infeção que deve ser tratada com antibióticos”, alertou Celso Matos, Ministro da Saúde.
Uma angina mal tratada pode evoluir para complicações sérias, incluindo problemas cardíacos. Face a esta realidade, o Ministério da Saúde apelou ao abandono da prática tradicional e lançou, no ensino básico, uma campanha de rastreio da cardiopatia reumática.
“Neste rastreio, ao detetar a situação, o tratamento é imediato, antes que seja necessário evacuar o paciente para o exterior. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a infeção pode atingir o coração e obrigar a uma cirurgia cardíaca”, acrescentou o Ministro da Saúde.
Com esta iniciativa, prevê-se rastrear cerca de duas mil crianças nas escolas básicas de Pantufo e Praia Gamboa.
José Bouças