Sociedade

Temperatura média global tem 50% de chance de ultrapassar 1.5°C até 2026

Parceria Téla Nón – Rádio ONU

Estudo de agência da ONU aponta que probabilidade de superar meta vem crescendo rapidamente; próximos cinco anos devem ter médias mais quentes e ultrapassar registros de 2016, marca mais alta até agora; chuvas devem aumentar nos trópicos.

De acordo com novos dados climáticos da Organização Meteorológica Mundial, OMM, há uma probabilidade de 50% de que a temperatura média anual do planeta supere transitoriamente em 1.5°C nos níveis pré-industriais nos próximos cinco anos.

Segundo o levantamento, as chances de a elevação da temperatura global ultrapassar 1.5°C aumentou de forma constante desde 2015, quando estava perto de zero. Para os anos entre 2017 e 2021, subiu para 10% e, para o período até 2026, saltou para quase 50%.

Médias mais altas

Foto: © NASA/Kathryn Hansen
A perda das camadas de gelo acelera o aquecimento global.

O estudo ainda mostra que há uma chance de 93% de pelo menos um ano até 2026 se tornar o mais quente já registrado e superar os níveis de 2016. Também há uma probabilidade superior a 90% de que a média de temperatura dos próximos cinco anos supere o mesmo período anterior.

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, alerta que o mundo está se aproximando de atingir, temporariamente, a meta mais baixa do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas.

Ele explica que o valor de 1.5°C não é uma “estatística aleatória”, mas um indicador do ponto em que os impactos climáticos se tornarão cada vez mais prejudiciais para as pessoas e para todo o planeta.

Segundo Petteri Taalas, enquanto houver emissão de gases de efeito estufa, as temperaturas seguirão subindo.

O secretário-geral da OMM acrescenta que, como consequência, os oceanos continuarão a se tornar mais quentes e ácidos, o gelo marinho e as geleiras continuarão a derreter, o nível do mar avançará e o clima se tornará mais extremo.

Acordo de Paris

A OMM lembra que o Acordo de Paris estabelece metas de longo prazo para orientar todas as nações a reduzir drasticamente as emissões globais de gases de efeito estufa para limitar o aumento da temperatura global neste século a 2°C, enquanto busca esforços para limitar ainda mais o aumento a 1.5°C.

Segundo os especialistas, um único ano acima da meta de 1.5°C não significaria que o limite do Acordo de Paris foi violado, mas revela que se está, cada vez mais perto, de uma situação em que o limite pode ser excedido por um período maior.

Em 2021, a temperatura média global ficou 1.1 °C acima da linha de base pré-industrial, de acordo com o relatório preliminar da OMM. O levantamento final do Estado do Clima Global para 2021 será divulgado em 18 de maio.

Segundo a OMM, eventos consecutivos de La Niña no início e no final de 2021 tiveram um efeito de resfriamento nas temperaturas globais, mas isso é apenas temporário e não reverte a tendência de aquecimento global de longo prazo.

A agência explica que qualquer desenvolvimento de um evento El Niño alimentaria imediatamente as temperaturas, como aconteceu em 2016, que é até agora o ano mais quente já registrado.

Precipitações

Outras previsões da OMM sugerem que os padrões de precipitação previstos para 2022 em comparação com a média entre 1991 e 2020 apontam mais chances de condições mais secas no sudoeste da Europa e sudoeste da América do Norte, e mais úmidas em áreas como o norte da Europa, Sahel, nordeste do Brasil e Austrália.

Os padrões de precipitação previstos para a média de maio a setembro de 2022 a 2026, em comparação com a média de 1991 a 2020, sugerem uma maior chance de condições mais úmidas no Sahel, norte da Europa, Alasca e norte da Sibéria e mais secas na Amazônia.

Os padrões de precipitação até 2026 devem aumentar nos trópicos e reduzir nos subtrópicos, consistente com os padrões esperados do aquecimento climático.

1 Comment

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  1. Mário Martins

    12 de Maio de 2022 at 11:58

    Muita distracção por parte de grupo de pessoas que se fazem presentes nos Bancos das diversas áreas de trabalho das Nações Unidas. Digo isso por no meu entender, já era tempo de fazer coisas concretas para evitar o aquecimento global:

    – Parar de pensar e acusar países industrializados como factores primários que estarão a criar efeito estufa;
    – Parar com a destruição de Amazona e África.Aumenta numero de população, aumenta plantação de árvores de grande de grande porte. Protecção das zonas costeiras.Se isso continuar, as pequenas ilhas espalhadas pelo Mundo serão as primeiras a desaparecer. Cada estado sobretudo na África deve começar a mudar de comportamento, por mão ao trabalho e lutar pelo futuro deste nosso planeta.

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