Estudos

A DEMOCRACIA E A SOCIEDADE

Mais uma matécidade.jpgria de interesse, produzida por Carlos Gomesprofessor de filosofia na ilha do Príncipe. A democracia e a sociedade.

“O político na época banal ignora o eleitorado, ignora a sociedade. (…) o seu único problema é o poder”. Francesco Alberoni.

Em democracia, nunca há vitórias asseguradas eternamente. É tudo muito efémero e, assim, há na vida político-social de qualquer país, ciclos positivos e negativos para quem domina o poder político.
As relações entre sociedade e governo exigem das políticas públicas do Governo a realização das expectativas da sociedade.
É legitimo exigir aos homens eleitos da acção política uma vida política fiel a princípios.
Parece haver em STP um enorme e irreconciliável fosso entre as expectativas da sociedade e as políticas públicas do Governo.

As medidas, obras e decisões dos poderes públicos não são portadoras de satisfação para as expectativas da sociedade, nem estão viradas para a resolução das demandas das comunidades.
O papel dos governos, pelo menos teoricamente, é pôr de pé políticas públicas viradas para a satisfação das expectativas da sociedade. Políticas de saúde, educação, habitação, defesa, segurança, saneamento do meio viradas para a satisfação das necessidades das populações; medidas e obras em resposta às demandas das comunidades. Onde estarão os partidos políticos?

Os manuais ensinam-nos que o principal papel dos partidos políticos é o de intermediação das relações sociedades/poderes públicos. Isto é, os partidos têm a missão de mergulhar na sociedade, auscultar os seus anseios e necessidade e transmiti-los aos poderes instituídos para processamento e procura de soluções.
Ora, se se constata que não há uma conexão entre as expectativas da sociedade e as políticas públicas, das duas, uma: ou os poderes não estão nem aí para a sociedade ou os partidos políticos estão falhando a sua principal função. Seja qual for a resposta que se escolher, a verdade será sempre a mesma: a sociedade anda mal servida.

Quando os partidos ganham as eleições, os homens mais “capazes” deixam o partido e vão para o governo, para as embaixadas e para outros sítios onde possam gozar o merecido repouso do batalhador.
Conscientemente, fazem uma desfeita aos seus eleitores e demais concidadãos. Onde andam os partidos de oposição? Será que esses se retiraram para chorar as suas mágoas! Ou, num gesto vingativo, resolveram deixar ao Deus dará o povo ” ingrato” que lhes negou a maioria?

De todo o modo, é necessário e premente que se garanta um mecanismo de intermediação entre a sociedade e o Governo.
A condução da res publica não pode ser um exercício de massagem no ego das cliques dirigentes.
Quando pensamos em poderes públicos, estão em jogo o presente e o futuro de toda uma Nação!
Um país não cresce nem arranca se não funcionar um mecanismo de transmissão entre a sociedade e os governos (nacional, regional ou local).
Como equacionar a transformação de STP, se os governos fazem apenas o que lhes parece bem, deixando mofar as expectativas, os sonhos e os anseios da sociedade?

Tradicionalmente este papel estava reservado aos partidos políticos. Porém, face à constatação de que, hoje, para os partidos, outros valores mais altos se alevantam, cabe aos cidadãos – isolados ou integrados em grupos – assumir a intermediação entre os poderes e a sociedade, restando o diálogo entre governantes e governados, fazendo valer os interesses da nação.
Se os partidos só se interessam pela luta pelo poder, é hora de os cidadãos se organizarem para lutarem pelo bem-estar dos santomenses e principienses de hoje e de amanhã.

Carlos Gomes/22 de Setembro/2008.
(Professor de Filosofia na Ilha do Príncipe)

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