Opinião

A (re) presentação da disporá São-tomense em Cabo Verde: O renascer da esperança

Foi com enorme satisfação que a diáspora são-tomense em Cabo Verde presenciou através da televisão pública de Cabo Verde (TCV), no passado dia 22 de agosto, a cerimónia de entrega das cartas credenciais ao primeiro Embaixador da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde. Tratou-se de um marco histórico nas relações entre estes dois países.

O Programa do XVI Governo Constitucional dá ênfase à diplomacia e à afirmação do país através da cooperação e participação de São Tomé em organismos regionais e internacionais. Pretende-se obter sinergias em termos de relacionamento com as diferentes comunidades residentes na diáspora com vista à sua participação no processo de desenvolvimento nacional. Esta é uma condição sine qua non para promover a integração destes nos países de acolhimento.

A entrega das cartas credenciais, acontece após 1 (um) ano do anúncio público da nomeação do Dr. Carlos Gomes, enquanto Embaixador da República em Cabo Verde (Tela Non, 4 de abril de 2017). Nesta sequência, o Parlamento aprovou em maio de 2017, o orçamento retificativo em que é possível constatar o facto de o governo adotar uma “política provisional mais prudente”. Através de uma leitura atenta, pode observar-se que o Ministério de Negócios Estrageiros e Comunidades disponibilizaria um montante de 3.354.076.450,02 (Três bilhões, trezentos e cinquenta e quatro milhões, setenta e seis mil e quatrocentos e cinquenta dobras), destinado à instalação da Embaixada de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde (resumo de despesas por u.g. função sf-pg-p/a-fr-ac-natureza económica retificativo, referentes ao período de 01-01-2017 a 02-05-2017), mas por diversas razões, tal fato não viria a acontecer.

Por esta via, saúdo a todos que, ao longo destes anos, têm exigido uma Embaixada que os represente. Tratando-se ou não de medida eleitorais, o importante é que hoje, temos uma Embaixada em Cabo Verde. Contudo, é pertinente aqui questionar-se: qual será o papel reservado à Embaixada? O aprofundar das relações entre estes dois países terão em atenção às inúmeras exigências dos São-tomenses em Cabo Verde? Acreditamos que estas relações basear-se-ão em sinergias positivas no domínio da exportação de serviços, turismo e melhoria das práticas na administração pública etc.

No entanto, a Embaixada poderá, como sempre, melhorar os seus serviços, através das suas dinâmicas, ou seja, do estabelecimento de relações político-diplomáticas juntamente com outras Embaixadas existentes no arquipélago.

Nesta linha, pode-se ir ainda mais longe se a Embaixada de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde, para além de representar os são-tomenses residentes no arquipélago, estender a sua influência ao nível de outros países da região da CEDEAO. Pensamos que, a longo prazo, esta iniciativa abrangeria outros países. Sendo Cabo Verde, um país situado na região da CEDEAO, esta influência estender-se-ia até às suas congéneres em Abuja e Malabo, assumindo, deste modo, o figurino regional ao nível das negociações económicas bilaterais.

No entanto, o que se espera para além da diplomacia político-económica? Desde há 42 anos a esta parte, a República de São Tomé tem vindo a passar por inúmeras dificuldades. Vários são os fatores: problemas ao nível das infraestruturas básicas e ao desenvolvimento do capital humano, ausência de lideranças institucionais e inexistência de pensamento estratégico, integrado e sustentável. Neste sentido, espera-se que a Embaixada de São Tomé e Príncipe em Cabo Verde seja verdadeiramente uma instituição cujas bases assentariam numa preocupação constante para atender diretamente aos problemas ligados à necessidade de visto, de licença de residência e de trabalho, situações estas, enfrentadas diariamente pelos cidadãos são-tomenses.

 

Praia, 22 de agosto de 2018

Adilson Barbosa A. Neto

 

    3 comentários

3 comentários

  1. Renato Cardoso

    28 de Agosto de 2018 as 10:24

    Existem razões profundas de ordem históricas e culturais que bem concebidas e estruturadas teriam resultados e vantagens recíprocas para ambos arquipélagos.
    Porém até prova em contrário tem—se muitas reservas sobre o papel desta embaixada pelas seguintes razões:
    1—Trata—se de mero expediente de cumprir agenda política mas que desenvolver o projeto de cooperação;
    2—A observação do Chefe de Estado da República de Cabo Verde sobre a imaginação necessária para a missão da embaixada são outros quinhentos;
    3—O embaixador para reunir esse e outros quesitos não configura—se com a escolha produzida;
    4—A escolha da personalidade pelas Autoridades Santomenses não é alguém da confiança política do Partido ADI;
    Por conseguinte vai ser difícil obter —se mais valias com esta nomeação.
    Infelizmente Cabo Verde merecia mais e melhor porque São Tomé e Príncipe teria ganhos interessantes nesta parceira diplomática.

  2. Zani

    28 de Agosto de 2018 as 12:46

    Está de parabéns a nossa comunidade em Cabo verde e igualmente ao governo e o seu embaixador designado por fazer história nas relações diplomáticas entre os dois estados irmãos!
    Tomara que daqui em diante a vida de santomenses- cabo-verdianos ou vice- versa seja agora mais facilitada e a cooperação entre os dois países mais alargado e aprofundado para o bem de todas as cabo-verdianas/são-tomenses e todos os são- tomenses/cabo-verdianos!

  3. João Gomes

    7 de Setembro de 2018 as 16:29

    …caro amigo Adilson, para quando a conclusão do edifício, no qual se vai instalar a embaixada?

    Aquele abraço de sempre!

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