Opinião

As Dolores da Morte da Cascata de Água Marçal e a benevolência do Dinamite

O dinamite da Pedreira de Agua Marçal foi muito benévola com as quatro crianças que se encontravam dentro da casa derrubada pelo poder da agressividade corporativa e pela  impassividade das autoridades estatais nesse caso o Ministério do Ambiente de São Tomé.
No dia 6 Abril 2020 assistimos mais uma de muitas ‘’Dolores’’ causada pela extracção de pedra na Pedreira de Agua Marçal liderada pelo senhor António Dolores e os seus sócios que segundo as falácias do povo são alguns dos políticos da Praça Pública.

Refiro-me ser uma das ‘’dolores’’ porque num dos lugares da extracção da pedra existia uma Castata que talvez era a única Cascata da Zona envolvente entre Oquedel-rei e Agua Marçal . Ela foi destruída a alguns anos atras pelo poder do dinamite e pelo poder do dinheiro sem que ninguém o considerasse como crime ambiental e público.

A inexistência de um poder local de proximidade e a falta de uma sociedade civil organizada para denunciar esses tipos de crimes têm levado aos abutres movidos pelo poder económico, tirar vantagens a custa de uma sociedade pobre que se deixa enganar pelo poder do suborno sem medir as consequências futuras tanto ambientais bem como o impacto sócio económico causado, porque de lembrar que o curso do rio Agua Marçal e os viveres que ai habitavam foram severamente afectados por essa extracção indiscriminada de pedra.

A família Cunha da qual pertenço tem uma cota parte na destruição da Cascata, nomeadamente a minha tia Maria Cunha que usurpou para si a propriedade do terreno e alugou a parte da Cascata ao sr. António Dolores sem que o terreno lhe pertença, porque lembro-me que essa parte por ser um terreno pedragulho e ser também um bem comum nunca foi repartido a nenhum dos familiares.

Essa usurpação foi feita sem nenhuma oposição legal como por exemplo um recurso a tribunal da parte dos outros membros da família, uma situação que faz com que toda a família seja culpada pela situação actual , a par com outra familia que detem uma parte do terreno .
Há muitos anos que a licença para extracção de pedra na Pedreira de Agua Marçal devia ser revogada ou melhor ela nunca devia ser autorizada, por causa da destruição sentimental e ambiental que ja causou, porque me lembro que muitos dos jovens e velhos dessa zona já se lavaram nas águas da mesma Cascata.

Não tenho nada pessoalmente contra o sr António Dolores e os seus sócios, mas eles têm que compreender que a sua empresa tem colocado em perigo vidas humanas e não tardara em haver mortes por causa das dinamites.

Esse é um exemplo desprezível, repugnante e jactancioso de como o poder corporativo instalado em São Tome Príncipe domina e escraviza uma classe pobre e uma sociedade civil desorganizada, que nem conhece os seus deveres e direitos e que se deixa ser pisado com medo de represálias e chantagens, ao desfavor de um tribunal que não funciona para o povo pequeno, e de vários governos que fazem ouvidos de mercador as várias atrocidades cometidas contra a segurança alimentar, ambiental e societal.

Depois desse infeliz acontecimento pessoas foram parar ao hospital feridas, sem que nenhum órgão de comunicação social relatasse o que aconteceu. Tenho recebido denúncias de pessoas que tem os seus electrodomésticos quebrados, pessoas com medo de denunciar o que aconteceu porque têm sofrido intimidações de um poder musculado e atroz, num século em que não devíamos aceitar que a pobreza o medo e o poder seja o impecilho para reclamar uma vida segura numa sociedade democrática e livre , direitos esses garantidos pela nossa Constituicão da República.

A empresa do Sr. António Dolores e seus sócios já ganharam muito dinheiro com a pedreira de Agua Marçal e penso de estar na altura de assumir as suas responsabilidades sociais, suspendendo definitivamente as operações da pedreira e não colocando vidas humanas em perigo com o conluio e a impassividade do Ministério do Ambiente.

Perante a falência das instituicões do Estado e o ganancioso e impiedoso poder das máquinas e das dinamites faço apelo ao senhor Primeiro Ministro doutor Jorge Bom Jesus que tome medidas necessárias para proteger a populacão de Agua Marçal que é a parte mais fraca nesse processo.

Há varias questões que se deve colocar nisso tudo: O que ja fez a empresa do senhor António Dolores para a comunidade de Agua Marçal senão a entrega de subsídios a algumas pessoas como situação que presenciei em 2017 em que a minha vizinha reclamava em público e em voz alta que ainda não o tinha recebido ou talvez a benfeitoria da construção de uma capela de 1 metro quadrado e a compra de uma imagem que eles chamam de Santa de Agua Marçal ?

Será isso um bem comunitário que ajuda as populações?

Valerá a pena esse tipo de recompensa para a comunidade que têm visto suas casas fissuradas com o poder de tremor de terra causado pela dinamite? Será essa a recompensa a uma comunidade que é invadida pelo pó e o barulho das dinamites?

Agora, somente resta o povo pequeno orar para que Deus nos proteja duma catástrofe que poderá acontecer nos tempos vindouros .

Carlos Teixeira
Alemanha 27/04/2020

    11 comentários

11 comentários

  1. Mepoçon

    27 de Abril de 2020 as 16:00

    Meu caro o António Dolores não é dono da empresa, ele está servir de espelho: O dono é Pinto da Costa que apuderou de todos equipamentos da Tecnil, Obras Públicas e antiga Câmara Municipal para formar a sua empresa espelhando o António Dolores. Nem a família Cunha, para não falar de Vicoço beneficiaram pós nacionalização. Ainda me lembro no tempo da Tecnil, cada carrada de pedra era apontada a saída, onde o proprietário ganhava e o estado cobrava os seus impostos. E hoje? São os mesmos que fazem santagem política para fugir o fisco, depois os lambibotas vêem como Deus regional. António Dolores formou a ilha em frente a hotel praia, quantas carradas de pedras que saíram daí e de areia que retornaram, o que Estado ganhou com isto? Se bem que na primeiro República o Estado decretou que subssolo pertence a nação?

  2. SEMPRE AMIGO

    27 de Abril de 2020 as 16:29

    Concordo inteiramente com o que foi expôsto pelo conterrâneo Carlos Texeira.Já chega de injustiças!O Governo não pode ficar indiferente depois de,espero,ter lido a exposição do senhor Carlos Texeira.O Ministério do Ambiente tarda em reagir.A pedreira de Agua Marçal já vem causando há décadas problemas graves.Queremos conhecer os sócios da pedreira de Agua Marçal.Já chega do jogo da cabra-cega.

  3. Angel Alison

    27 de Abril de 2020 as 18:58

    De tanto ver triunfar as nulidades dos nossos governantes; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, incompetentes e ladrões, os santomenses chegam a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser santomense.

    Que Deus tem piedade de nós e nos faz acordar deste sono profundo em que estamos, assistindo impávidos a destruição da nossa terra e da nossa dignidade de homem.

  4. Vanplega

    27 de Abril de 2020 as 21:22

    Nos os Santomenses, nao podemos aceitar a nossa sorte, imposto pelo sacais do nossos politicos.

    Sucessivos governos que passaram depois de 1991, merecem ser julgados, pelo que fizeram ao pais.

    Temos uma ausencia de ESTADO DE DIREITO. Aonde as instituicoes nao funcionam, entre elas o tribunal.

    O povo piqueno, andam com um Deus acuda. Ha uma desonestidade por parte dos politicos. Com os olhos, sobre dinheiro e mais dinheiro, pensando que o dinheiro e tudo na vida.

    E uma desgraca, o que esta acontecendo nesta terra, aonde educacao morreu, so ficou ladroes e os imresponsaveis.

    Nao e aceitavel que os politicos, sejam dono de tudo em Sao Tome e Principe!

    Espero que o covid-19, tomei contas desses ladroes. Que esse virus, entre na assembleia da Repubblica e arrase todos esses malfeitores.

  5. José palhares de sousa

    28 de Abril de 2020 as 5:40

    Carissimos senhores

    Lembra-se do caso da pedreira de BORBA em Portugal? Não estamos longe disto. Um dia a estrada vai-se ruir.

    Registam isto.

  6. Isaias Abraão

    28 de Abril de 2020 as 9:11

    Desculpe lá senhor Carlos Teixeira.
    Bom, felicito-lhe por escrever sobre o assunto alertando para a perigosidade dessa pedreira quer para o ambiente quer para os vizinhos.
    No entantop fazes uma confusão que não se entende.
    Acusas uma tia sua que teria eventuialmente negociado o terreno pedragulho para aluem sem consentimento dos demais membros da familia. Mas depois acusas o Estado de não ter feito nada nesse sentido. Mas logo a seguir vem o contraditório da tua propria escrita dizendo que outros familiares teus, herdeiros,não fizeram absolutamente nada junto da justiça para sanar o mal cometido pela sua propria tia.
    Portanto meu caro, reveja o que escreveu e procura ser consequente consigo mesmo, não atirando tudo para o Estado ou para os Governos. Estado somos todos nós, cada um deve fazer a sua parte.

    • Como será

      28 de Abril de 2020 as 21:16

      Senhor Isaías Abrão; sejamos honestos, na verdade entendeste muito bem o que o.senhor Carlos Teixeira escreveu, nada de confusao aqui, talvez a confusao so esta na sua mente, numa forna de acudir os teus compassas.

  7. Jorge Carvalho

    28 de Abril de 2020 as 11:47

    Senhor Carlos Teixeira,
    Agradecemos imenso pelo artigo e sobretudo como espelhastes a problemática da pedreira de Agua Marçal onde tem provocado muitos danos ambientais e bem estar da população que ai vive e nas zonas vizinhas.
    Como deves saber as empresas do António Dolores e os seus comparsas não passam dum estado dentro do outro ESTADO eleito.
    Por isso qualquer manifestação da sociedade civil é abafada. Quantas revindicações dos populares sucederam durante todo esse tempo, alertando os Poderes Políticos da situação de crise nesta comunidade?
    Mesmo relembrando aos mesmos e aos proprietários da empresa que a vida é um Dom de Deus, e que nenhum interesse económico e/ou financeiro poderá sobrepor a mesma.
    Em S. Tomé e Príncipe a Sociedade Civil é pouco tida na governação desse País.
    Ouve-se esta designação muito pelos Governantes, mais na prática infelizmente verifica-se muito pouca atenção.
    Mais tarde, como disse alguém, vamos querer saber realmente o que o Estado ganhou com a exploração dessas minas. Do nosso conhecimento, nenhum controlo é feito durante a exploração e venda dos seus derivados.
    O País é pobre e as empresas extratoras não devem ocultar os dados do produto explorado.
    Os sucessivos governos, ouvem muito do António Dolores que tem as portas abertas nos patamares que mais desejar e consegue manipular todos e todas e que segundo o nosso regulamento da Republica não passa de corrupção e é crime! Alertamos que os cidadãos estão atentos e um dia…
    Senhor Isaias Abrão os recursos que se encontram no subsolo devem ser geridos pelo Estado do País porque são bens comum ou seja do País.
    Por isso o Estado tem culpa das anomalias que estão a acontecer nesta pedreira.
    Aproveitamos para informar que existe muitos equipamentos domésticos destruídos, casas destruídas, muita gente com situação grave de saúde e horticultores com graves problemas de contaminação de agua para rega no corredor do rio Agua Marçal.
    Os problemas vão ter que ser resolvidos.

    • Como será

      28 de Abril de 2020 as 21:06

      Senhor Jorge, este senhor Isaias Abrão; so pode ser tambem desta cupla do governo malicioso e cruel que tomou conta de stome distribuindo o pais por completo, e agem que nem um cabrito ,,que quando entra numa horta distroi tudo que encontra, mais temos a certeza que isto um dia tera um fim, Nao se esqueçam que o homem manda com tempo e Deus manda para sempre.Stome é um pequeno botão no mundo criado por DEUS e nao por homens maliciosos,em relacao a uma pequena esmola que deram a algumas pessoas da area afeta, quero aqui manisfestar o meu descontetamento da fora como as pessoas se tornarao miseravel por conta de tanta pobreza, as pessoas perderam orgulho de si e da sociedade, e por outra esta capelazinha com imagem ofertada pelo dito empresario responsavel da pedreira,dai esta desgraça daquela população.a biblia nos ensina que: “O povo de Deus sofre porque lhes falta conhecimento”, ai esta chave que os politicos em stome se baaeiam para escravisa este povo, ja sabem que o pais tem uma populacao analfabeta, e a pobreza extrema em que as familias vivem; nao conseguem discutir os seus direitos; tudo fica em nada em troca de um misero feito.Mas senhores politicos nos santomente estammos de coracao partidos da forma anda as coisas no pais.Como disse o meu conterra que me atencede: sentimos vergonha de nos apresentar como SANTOMENSE.Bem Haja

      • Minda

        29 de Abril de 2020 as 10:41

        Que situaçao as nossas autoridades terão que zelar pela população que esta sendo muito lesada, deixem de receber subornos de Antonio Dolores e pensem mas num Pais sem a corrupção para o bem de todos

    • jackson

      29 de Abril de 2020 as 8:47

      A manifestação da sociedade civil é abafada isto porque em São Tomé quase tudo esta na base da politica, e por este triste motivo desmotivador para muitos o pais continua a ser considerado como um pais adiado.
      AINDA ESTAMOS A TEMPO DE MUDAR.

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