Banco Mundial contesta aumento salarial para 2009 proposto pelo Governo de Rafael Branco

21 Novembro 2008
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Banco Mundial contesta aumento salarial para 2009 proposto pelo Governo de Rafael Branco

Uma delegação conjunta do banco mundial e do FMI, que está a avaliar a exequibilidade do projecto do orçamento geral do estado para   o próximo ano, considera que o aumento do salário proposto pelo governo é muito grande. Rafael Muñoz, que representa o banco mundial, disse que a projecção do aumento real do salário a nível nacional em 20%, prejudica o investimento que deve ser feito nas áreas prioritárias, e compromete também a execução dos futuros orçamentos. As instituições de bretton woods, prometem prosseguir as negociações com o governo até que se chegue a entendimento.

O banco mundial não está contente com a decisão do governo de Rafael Branco, em aumentar as despesas com o pessoal. Segundo Rafael Muñoz, após a venda dos blocos de petróleo na zona conjunta com a Nigéria em 2004, as verbas serviram sobretudo para aumentar as despesas com o pessoal, em prejuízo do investimento em sectores estratégicos para o desenvolvimento. «O investimento está muito limitado em São Tomé e Príncipe, porque o governo já não tem capacidade, está a gastar muito nos salários e muitos parceiros fazem despesas mas não nas prioridades do governo de redução da pobreza», afirmou para depois acrescentar que o salário deve ser sustentado pelo aumento da produtividade e não somente por causa da subida da inflação. «Porque o que gastamos a mais no salário é o que gastamos menos em investimentos portanto temos que tomar uma decisão sobre o que é que se quer gastar mais», enfatizou.

O mais complicado adianta o perito do Banco Mundial é o facto da proposta de aumento salarial para 2009 na ordem de 20%, ser um dado fixo que vai reflectir nos orçamentos dos próximos anos. São Tomé e Príncipe gasta muito mais do que produz, dai que na perspectiva do banco mundial, a economia nacional não vai ter capacidade para suportar a execução de tais despesas com o pessoal. «O aumento salarial é grande e não permite ao governo fazer outras coisas. Não damos um apoio directo ao orçamento nesta altura. Este problema salarial não se coloca apenas para o ano 2009, colocar-se-á para 2010 o que limita mais a capacidade do governo em atrair recursos», frisou.

Rafael Muñoz, garante que os futuros governos não terão margem de manobra para realizar as despesas com o pessoal, e o investimento nos sectores fundamentais ficará comprometido. O perito do Banco Mundial, saudou no entanto a decisão do governo em concentrar mais de 30% das verbas inscritas no programa de investimento público na recuperação do sector agrícola. Uma forma de aumentar a produção de produtos alimentares, que as instituições de bretton woods dizem ser muito importante.

Rafael Munõz anunciou que o governo de Rafael Branco está aberto as negociações e que as instituições credoras internacionais presentes em São Tomé vão tudo fazer para que as duas partes cheguem ao entendimento a volta da exequibilidade do orçamento geral do estado proposto para o próximo ano.

Abel Veiga

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