CMA CGM, a empresa mãe do projecto de construção do porto em águas profundas em São Tomé criou um comité para definir a estratégia de refinanciamento da empresa para enfrentar a crise financeira

Publicado em 02 Out 2009
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navio-da-cma-cgm.jpgA Terminal Link, baseada em São Tomé, e que deu início aos trabalhos preliminares para construção do porto em águas profundas na zona de Fernão Dias, é uma das filiais do gigante francês de transporte de contentores, a CMA CGM. Um gigante que desde o segundo semestre de 2008 até o primeiro trimestre de 2009 tem somado prejuízos. A crise financeira internacional bateu as portas da empresa, que está a construir o porto em Fernão Dias. Para evitar o pior, a CMA CGM, criou um comité composto por instituições bancárias francesas, europeias e asiáticas, para conseguir financiamento para sustentar as suas acções a curto e médio prazos.

A economia global, obriga que assim seja. São Tomé e Príncipe pequeno arquipélago localizado no golfo da Guiné, no continente africano, deve estar expectante quanto ao futuro de uma empresa francesa. A CMA CGM, terceira maior transportadora mundial de contentores, vai investir mais de 500 milhões de dólares nos próximos três anos, no nordeste da ilha de São Tomé. É o projecto de construção do porto em águas profundas. Um projecto tão importante que uma equipa do FMI, que esteve no arquipélago, relacionou a previsão do crescimento económico do país para 2010, com o sucesso do investimento da filial da CMA CGM, a Terminal Link, na construção do futuro porto.

Por isso mesmo, o impacto da crise financeira internacional sobre a empresa francesa, desperta o interesse nacional. Do segundo semestre de 2008 até o primeiro semestre de 2009, a taxas de fretes de navios cargueiros, e o volume transportado baixaram de forma drástica a nível internacional. A CMA CGM, é uma dos armadores internacionais, que está a registar prejuízos por causa desses factores. Aliás segundo a Agência France Press, o próprio presidente da empresa, Jacques Saadé, anunciou a acentuada perda registada no exercício de 2009.

Para tentar, reanimar as suas finanças, a CMA CGM, criou um comité para estudar o saneamento financeiro da empresa. Um comité composto por bancos e instituições financeiras francesas e europeias, bem como instituições internacionais, incluindo operadores financeiros, actores asiáticos nomeadamente sul coreanos. «O objectivo da CMA CGM é conseguir até Novembro um acordo global que garanta o financiamento da empresa», diz a CMA CGM em comunicado, divulgado pela AFP.

Note-se que o Director Geral da Terminal Link em São Tomé e Príncipe Olivier Tretout, na cerimónia de entrega dos 40 hectares de terra para construção do porto, anunciou que a empresa iria recorrer as instituições financeiras internacionais, num total de 7 para fazer a montagem financeira de 570 milhões de dólares para edificar o porto acostável de Fernão Dias.  

Por outro lado o semanário francês, Challenge, anunciou há 10 dias atrás que o grupo CMA CGM, deverá beneficiar da ajuda do fundo estratégico de investimento (FSI), um organismo do estado francês, sustentado pela caixa de depósito da França. Informação que não foi confirmada pela administração da CMA, CGM, nem tão pouco pelo nministério francês da economia.

Abel Veiga