Quadros formados em Cuba começaram a ranger os dentes

Publicado em 04 Nov 2009
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palacio-do-governo.jpgAinda no primeiro semestre deste ano, numa das suas edições, o Téla Nón tinha anunciado que se adivinha muito ranger de dentes, com a chegada de cerca de 200 novos quadros formados em Cuba. Tudo ficou confirmado, esta terça-feira. Mais de uma centena dos jovens formados em Cuba, saíram a rua numa manifestação contra o Governo do Primeiro-ministro Rafael Branco. Exigem o enquadramento profissional.

A polícia tentou em vão travar os manifestantes que tiveram dificuldades para concentrar diante do edifício do Palácio do Governo, gabinete do Primeiro Ministro. Reivindicaram os seus direitos como cidadãos. Foram formados nos mais variados domínios em Cuba. 6 anos depois da formação os cerca de 200 estudantes chegaram ao país em Agosto último.

O governo não criou mínimas condições para o enquadramento profissional dos mesmos. Apesar de em conselho de ministros antes mesmo da vinda dos estudantes o executivo ter anunciado ao país que estava a definir uma estratégia para a absorção dos cerca de 200 novos quadros que neste ano iam chegar ao país.

Nas primeiras semanas os novos doutores e engenheiros, demonstraram que estão determinados em colaborar para o progresso do país. Realizaram trabalhos de limpeza do mercado municipal, ajudando a câmara distrital de Água Grande a combater a insanidade no centro da cidade. Também organizaram trabalhos de limpeza das praias. Ao mesmo tempo foram distribuindo curriculum em todos os sectores de actividade do país, em busca de enquadramento.  

O tempo passou, sem qualquer resposta. Reconhecem que o país está mais pobre do que há seis anos atrás, quando foram estudar em Cuba. O custo de vida mais do que quintuplicou. Não está a ser fácil para os pais, garantir o sustento dos novos quadros que o país mandou formar e agora não sabe o que fazer com eles.

Cansaram de limpar as sarjetas da cidade em serviço voluntário. Pedem responsabilidades ao Governo, numa manifestação que foi barrada pelo corpo de intervenção da polícia nacional, fortemente armado.

A manifestação começou no largo do cinema Marcelo da Veiga, passou com dificuldades pelo palácio do povo, e acabou por chocar com o armado corpo de intervenção da polícia, nas proximidades do palácio do governo, gabinete do Primeiro Ministro Rafael Branco.

Talvez o espírito de resistência e de luta que faz a personalidade do povo cubano (pátria ou muerte), tenha sido transmitido aos jovens são-tomenses, que prometem mais marchas de luta pela pátria, pela justiça social, porque segundo apurou o Téla Nón, os quadros que são filhos de pessoas influentes da política e não só, já foram enquadrados em postos importantes. A maioria que é oriunda de família desfavorecida já começou a ranger os dentes.

Abel Veiga