“Estou perfeitamente tranquilo”

31 Outubro 2011
“Estou perfeitamente tranquilo”

Reacção do Primeiro-ministro Patrice Trovoada em relação a onda de greves que tende a paralisar o país. O Chefe do Governo, avisa que o país é de todos nós, e que o Governo só poderá atender reivindicações que não extravasam as reais possibilidades do país.

Com o trabalho e a produtividade a nível nacional, a aproximar-se do nível zero. A gerir um país que só produz cerca de 10% das receitas que precisa para viver durante 12 meses, Patrice Trovoada começa a sentir calor de uma batata bem quente nas mãos.

Tudo porque o custo de vida a nível nacional, disparou para níveis insuportáveis, e o salário auferido pela maioria dos trabalhadores, já não dá resposta as refeições de uma semana.

Por isso, greves começam a marcar o sector da função pública. Mal uma termina, outra está em forja. «O país é de nós todos. É normal que as pessoas reivindicam por melhores condições de trabalho e salário. É por isso que existe a concertação social. Veremos caso a caso, o que é reivindicado, o que é possível fazer-se», declarou o Chefe do Governo.

Divergências e desunião entre as organizações sindicais do país, estão a contribuir para fragilizar a concertação social. Algumas organizações sindicais do sector da Função Pública, não se revêem nas decisões que as duas centrais sindicais, nomeadamente a UGT e a ONTSTEP, subscrevem nas reuniões do Conselho de Concertação Social. Um órgão composto pelo Governo, o Patronato e os Sindicatos. «A função deste governo é servir a todos os são-tomenses, e veremos o que é possível fazer em função das disponibilidades. Por isso estou perfeitamente tranquilo. Felizmente que as pessoas podem fazer greve, felizmente que as pessoas podem manifestar, e depois tem-se que encontrar uma solução», sublinhou, Patrice Trovoada.

Questionado pelo Téla Nón sobre a acusação de falta de diálogo de que o Governo tem sido alvo por parte dos sindicatos, o Chefe do Governo, respondeu. «Sabe, eu não tenho nada a responder quanto a isso».

No entanto, a tendência grevista cresce. Para além do aumento do salário, alguns sindicatos, exigem justiça salarial. Para alguns sindicatos, a enorme discrepância de salário entre os funcionários públicos, tem que ser resolvida. Há quadros superiores cujo salário não ultrapassa 3 milhões de dobras, e outros também quadros superiores, ganham cerca de 80 milhões de dobras.

Batatas, umas mais quentes que outras, todas nas mãos de Patrice Trovoada.

Abel Veiga


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Comentários (14)
  1. gfernandes diz:

    Concordo com PM quando diz que o pais só produz 10% das suas necessidades e que é preciso produzir mais,por outro lado a culpa é de governo que não tem uma politica séria de controlo de preços sobre bens da primeira necessidade,os sindicatos reivindicam salário mínimo para 200€ o que por se só é surreal para não dizer ridículo e insensato ,mas imaginemos que o governo concorde em estabelecer este valor como salário mínimo nacional mas por outro lado os comerciantes “especuladores” aumentam os preços de forma exorbitante e descontrolada, iria dar ao mesmo, por isso antes de negociar o aumento do valor de salário mínimo nacional o governo deveria é criar o mecanismo que travasse esta onda de especulação por parte dos tais comerciantes.

  2. Edson Francês diz:

    “Estou perfeitamente tranquilo”, também pudera, ganhando o salàrio colossal que o senhor ganha eu também estaria na perfeita tranquilidade!! Esse Governo està a ser uma grande decepção para muita gente que nele depositou confiança e esperança!

  3. vive com gosto e guarda segredo diz:

    É ridiculo a situação k vivemos neste país, Sr. Primeiro ministro, com todo o respeito, mas o Senhor abosou, vem dizer k felizmente as pessoas podem fazer greve?…..quer dizer se dependesse de si isso não acontecia…….mas ora vejamos, se o país só produz 10%, porque uns alguns ganham milhões e outros simplesmente miseria…..miseravel o ´povo k tem por dirigentes pessoas sem amor ao proximo…..falamos greve com moderação, ………

  4. Anca diz:

    Queremos ter estilos e nível de vida do Ocidente, não sabemos é o que custou a independência e liberdade ao Ocidente, nem cronologicamente, no tempo e no espaço, conhecemos mal a História Mundial.

    Lembrem-se da canção

    Os meninos a volta da fogueira.

    Não, sabemos relacionar conhecimento, para o bem estar de todos, hora vejamos;

    -País produz somente 10% do que consome anualmente.

    -País é o mais pobre do mundo, e vive de 90%, de ajuda e doações externa.

    -O nível de produtividade, do país é de quase 0.

    -Mais de metade da população vive com menos de 1 Dolar.

    -Ninguém mais quer trabalhar a terra, na agricultura, todos acreditamos erroneamente, que a partir do advento, da exploração do ouro negro, que a vida vai melhorar, que já não é necessário, trabalhar, que somos agora, um país rico.

    -Relacionem, aquilo que se está a passar, no mundo, a nível de, economia e finanças, soberanas, dos países ocidente(nossos doadores) e perguntem se querem ainda, assim pedir aumentos salariais a nível discrepante em relação, aquilo que se produz, no país.

    Sejamos mais realistas, o problema não é somente dos governos, é da consciência e realismo do Homem Santomenses, perante seus iguais, perante os problemas que aflige o seu território.

    Mais unidade, mais disciplina, mais e melhor trabalho, para um melhor, progresso, crescimento e desenvolvimento sustentável do país(território/população).

    Mais esclarecimento na acção.

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    • Anca diz:

      Andamos a enganar a nós próprios, com benefícios, para aqueles, que nos dão com uma mão e tira com a outra.

      É o que acontece, quando temos a mão por baixo e cruzadas, para o mal da nossa liberdade e justiça, para o mal da nossa sociedade, em termos sócio-político-económico-financeiro.

      Até quando a nossa burrice e distracção.

      Até quando a nossa falta de conhecimento e consciência, daquilo que deve ser um país(território/povo).

      Aceitem o bem, como pratica em tudo quando pensamos e fazemos, em tudo quanto queremos concretizar, mediante a ponderação e humildade, o realismo, a sinceridade, a verdade individual e social, política, económica, e financeira do país(território/população).

      Pratiquemos o bem

      Pois o bem

      Fica-nos bem

      • Anca diz:

        A repartição justa e equitativa dos recursos do país, deve ser a base de do lema do país, mais unidade, mais disciplina, mais trabalho.

        Mais equidade e justiça na repartição dos recursos, que pertence a todos.

        Pese embora para mim, o termo “recursos de todos”, em São Tomé e príncipe, seja país mais pobre do mundo e nada produz, vive dos recursos de outros povos.

        Aí temos que pedir contas as autoridades competentes, do descalabro do país, desde 1975 até 1990 e de 1990 até a data.

        Mais para isso não temos esperteza, a justiça não funciona, nem mesmo a justiça popular.

        Nem idoneidade, nem a moral, nem a ética, nem a consciência cívica, pois alguns, que têm e que tiverem responsabilidades, não querem saber de isso, para nada.

        Mas eis que é chegada altura da encruzilhada, na caminhada rumo a subdesenvolvimento, pobreza e miséria.

        Podemos vir a enfrentar uma revolução interna se se nada for alterado.

        É altura de repensar o país, rumo uma mudança efectiva do país(território/população).

        Pratiquemos o bem

        Pois o bem

        Fica-nos bem

        Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  5. Carlos Ceita diz:

    Meus amigos pegando nas palavras do gfernandes eu também concordo com o governo. A verdade é que tanto o governo quanto ao sindicato têm razão. nem o país produz riqueza suficiente para poder distribuir da mesma forma que é uma indignidade viver com o salário que se pratica em São Tomé e Príncipe. Ou seja o que se passa no nosso país resume-se em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Mas se o governo tem razão no que tem a ver com o que país produz actualmente ser insuficiente por outro lado falha (como os outros falharam) na aposta dos sectores (agricultura, turismo e pescas) que deveriam criar mais riqueza para poder distribuir. Temos de produzir e apostar nestes sectores. Infelizmente não temos feito isto. O que se vê no país é uma multiplicação de bancos que alguns consideravam ser solidificação do sistema financeiro nacional. A mim parece lavagem de dinheiro. Oxalá me engane.
    Abraços

  6. NINA diz:

    ENASA , ENAPORT, EMAE , OS DIRECTORES GANHAM CERCA DE 90 MILHÕES DE DOBRAS. ONDE JÁ SE VIU ? SERÁ QUE O PAÍS É MESMO POBRE ?

  7. Biboss diz:

    O país precisa de um grande “STOP”.
    È preciso reajuste salarial, é inadimissivel num País como STP,um individuo auferir um salario de 80 milhões de dobras,isto chega para pagar 4 salarios.
    Por outro lado a taxa de inflação, é uma questão essencial a resolver.Tenho dito.

  8. Mimi diz:

    Acho que as reinvindicacoes sao mais pela injustica salarial e social. Se o pais nao produz o suficiente para cobrir as suas despesas, de onde e que saem os recursos para pagar bons salarios a uns e nao a todos? Porque nao se converte as senhas de presenca nas empresas em recursos para bens sociais dos que menos ganham? De onde e que saem os recursos para sustentar as ostentacoes de riqueza que persistem. Onde e que esta a mina de ouro? Mostrem-nos a todos e sosseguem os grevistas. Concordo com as greves sim senhor ate que haja mais justica e mais dinamismo do poder em fazer gerar riquezas.

  9. Santomista diz:

    Sabem qual é o grande problema de STP?
    É a falta de EQUIDADE:
    1.Equidade na redistribuição dos rendimentos;
    2.Equidade nos salários;
    3. Equidade na produtividade.
    Reclamamos muito sobre o aumento salarial, e será que todos trabalham o suficiente para justificar esse aumento?
    Será que os médicos vão agora aumentar as suas produtividades e melhorar os seus desempenhos? Vão começar a tratar melhor os utentes?
    Todos devemos exigir melhores condições de trabalho e melhores salários. Concordo.
    Mas será que cada um de nos vai dar o nosso máximo para justificar e sustentar esses aumentos?
    Há! Outra coisa: acho que já está na altura de pararmos de politizar o País. Não é uma questão deste ou aquele Governo. Não é uma questão to Governo do Patrice, do Rafael ou da Maria.
    Nenhum Governo de qualquer que seja o partido político poderá fazer milagres enquanto todos nós os Santomenses não estivermos dispostos a trabalhar de forma honesta e com espírito de sacrifício para o bem de todos, que se traduzirá para o bem de cada um de nós.
    Cada um tem a sua função e que faça a sua parte.
    Não podemos ser sempre críticos sem a capacidade de dar mérito ao que é bem feito e criticar o que não esta bem. Não criticar só por criticar por não gostar deste ou daquele. Ou criticar porque esse tirou-me a facilidade que tinha de usurpar bens do estado.

  10. malekitone diz:

    Muito houvimos a falar do combate a corrupção, de instabilidade, da justiça…..ora vejamos, como pode um país que diz ser independente e ainda ser escravo do banco mundial e demais organizações, se a Europa fosse o exemplo de boa gestão, eles não estariam falidos como agora, Essas organizações são uma máfia parta satisfazer os interesse dos Europeus em determento da africa…eles vivem nos oludindo. Sr.Primeiro ministro, o país não tem dinheiro porque não produz, mas compra carros no valor de €50.000,00 ou mais para os politicos e no final dos mandatos eles ficarem com os carros.Mas não temos dinherio para pagar os jornalistas.-………abaixo governação de propaganda e falsas promeças, …..sim a greve e nossos direitos, deixemos de disculpas k não temos dinheiro nem queremos trabalhar agricultura…..Querem k trabalhemos a terra, sim é bom e o país precisa, ….mas onde está acesso, agua canalizada, mercado para exportação, onde está terra, sabendo k está na mão dos dirigentes para construir quintas para levar as meninas……não há dinheiro e Sr.Primeiro ministro abandona sua casa e vai viver em Condominio Pistana para que o Estado pague, ….Pôvô biliuê,…..

  11. Bocagem Agua diz:

    ok,
    Para dizer k cá em S.Tomé e Príncipe, actualmente estas ondas de greves refletem a miséria e injustiça social/salarial k se tem constatado no nosso dia a dia. Existe uma elite a enriquecer-se cada vez mais, a custa da CORRUPÇÃO, pork nunca herdaram tanto para ostentarem tanta riqueza, e a maioria do povinho trabalhador da “disfunção pública nacional” a quem sempre é exigido mais trabalho, mais trabalho, e que o “troco” que recebem mensalmente não chega para sequer comerem com as suas famílias numa semana, tendo em conta k o tal “troco” chamado de salário é MÍSERO. Portanto seria bom que houvesse uma greve geral, para parar o país, e os goverantes trabalharem como deve ser e como juraram na tomada de posse. Nenhum ministro deve dizer que também vive com dificuldades, por se fosse assim, pederiam logo a demissão, portanto, dizendo isso, não passa de uma autênctia ironia. Portanto, é necessário mais greves e a todos o níveis dessa “disfunção pública nacional santomense” que tanto sofrem nessa neocolonização interna.

  12. Angolano diz:

    02-11-2011 10:02

    África precisa de lideranças com nova visão – defende historiador

    Angop

    Mapa do continente africano

    Luanda – A África precisa de lideranças com nova visão para o desenvolvimento e também democráticos para trabalhar com as competências africanas, defendeu hoje em Luanda, o
    historiador gabonês Jean Martial Arséne Mbah.

    O também docente de história do Instituto Superior de Ciências de educação (ISCED) sustentou que novos líderes de África, além da visão para o desenvolvimento, têm que ser também democráticos para aceitar a trabalhar com as competências internas que a África possui.

    “A África tem muitos intelectuais com visão para desenvolver o continente, mas que não são consultados e muita das vezes preteridos”, por isso, a simples reestruturação da União Africana, sem nenhum projecto sério, não dará resultados positivos.

    Para o investigador, a estruturação da União Africana não chega para mudar a letargia do continente, mas a África precisa de líderes com visão diferente e uma vontade com vista a desenvolver o seu continente.

    Sublinhou que mudança de Organização da Unidade Africana (OUA) para a União Africana (UA) até hoje não deu resultados palpáveis,” porque não se está a ver o trabalho que a UA tem feito a nível político, económico e social em prol dos africanos”.

    Por isso, defende para o continente, dirigentes honestos, com visão e projectos, não apenas estadistas que vão participar em cimeiras da organização sem dar resultados palpáveis.

    Apelou que os dirigentes africanos deveriam olhar o que está a se passar na América Latina, com a nova geração de líderes, munidos de projectos para a acabar com o atraso e a miséria naquele região do globo.

    Jean Mbah apontou que os planos gizados pelas lideranças latino-americanos na cimeira da Mercosul em 2006, nos domínios da cooperação económica, política e monetária.
    Realçando que o intercâmbio entre países do bloco permite-lhes hoje pôr as riquezas naturais e minerais ao serviço dos seus povos.

    Essa visão de cooperação proposta por Cuba e pela Venezuela consubstancia-se na cedência pelo primeiro de médicos e professores, recebendo do segundo, petróleo e outros produtos que não produz.

    A fonte frisou que proposta similar tinha sido feito pelo falecido líder líbio Mummar Kadhafi à União Africana, na qual países que possuem água em abundância poderiam canalizá-la aos Estados do Sahel que a carecem, recebendo em troca produtos que não têm.

    “Os produtores de petróleo trocarem-no com outros produtos produzidos por outros países de África”, mas projectos dessa natureza precisam de lideranças com visão para darem certo, lamentou.

    Doutorado pela Universidade Paris I (Panthéon-Sobornne), Jean Martial Mbah é professor de metodologia de investigação histórica do ISCED e da Faculdade de Ciências Sociais, da
    Universidade Agostinho Neto (Angola), licenciou-se em História pela Universidade Omar Bongo, de Libreville (Gabão), obteve o mestrado em Poitiers, França.

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