Turismo ecológico principal arma para combater a pobreza no sul de São Tomé, mas sem exclusão das populações como tem acontecido no ilhéu das rolas

Publicado em 15 Abr 2009
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Rogério Roqprofessor-economia.jpgue Amaro, professor de economia na Universidade Portuguesa (ISCTE), garante que o turismo ecológico, é uma das melhores vias para combater a pobreza que assola a região sul de São Tomé. Um turismo que não exclui as populações e a rica identidade cultural dos angolares que habitam a região sul. O perito em desenvolvimento local e economia solidária, criticou actividade turística do grupo Pestana no ilhéu das Rolas, também no sul de São Tomé, onde as populações estão a ser afastadas do seu torrão natal.

Extensa e coberta de uma vegetação exuberante, a região sul da ilha de São Tomé e Príncipe, é rica em recursos naturais, mas a população é muito pobre. Um contraste que pode ser resolvido, através da promoção do turismo. «Não um turismo de resort e de luxo. Não um turismo que expulsa as populações das aldeias, como está a acontecer infelizmente aqui perto», referiu o professor de economia, fazendo alusão as actividades do grupo pestana no ilhéu das Rolas.

Há vários anos que o principal grupo hoteleiro português, tem sido criticado, por ter decidido expulsar os habitantes dos ilhéus das rolas. Uma expulsão sofisticada, segundo alguns analistas, uma vez que o grupo hoteleiro paga aos naturais do ilhéu uma espécie de indemnização para abandonarem o seu torrão natal, e procurarem abrigo noutra parte, ou seja, na ilha de São Tomé. Muitos que aceitaram a proposta de dinheiro acabaram por cair na maior desgraça, aumentando assim o número de pobres na região sul de São Tomé. Segundo o perito português em desenvolvimento local, é através de um turismo que promove contacto entre o visitante e o visitado que as populações do sul de São Tomé, poderão anhar experiências e aumentar o seu rendimento familiar.

A valorização do artesanato local, as manifestações culturais que identificam o povo angolar, passeios pela floresta ou pelos rios da região, são acções que podem gerar receitas e desenvolvimento. «É um turismo que não traz milhões de turistas endinheirados para ficarem fechados. Mas traz-nos uma resposta para os problemas reais das pessoaspraia.jpg, sem destruir o que é a sua cultura e a sua base de comunidade, isto é que é o desenvolvimento local», reforçou.

Na praia Jalé, vizinha da roça Porto Alegre, já está em marcha um exemplo de actividade turística que facilita o desenvolvimento comunitário. Na praia de areia bronzeada coberta por coqueiros, foram construídas moradias a base de bambu.

Um lugar paradisíaco para que dá descanso e sossego aos visitantes. «É o que chamamos turismo comunitário, porque éjale.jpg aquela comunidade que recebe os visitantes, inclusive chamam os visitantes para comerem nas suas casas. Há conversas e contacto, e o visitante pode participar na vida da comunidade. Como princípio é muito feliz, porque há esse contacto, esse diálogo directo entre o visitante e o visitado, sem o expulsar sem o obrigar a fingir o que não é», pontuou Rogério Roque Amaro.

O especialista que tomou parte no primeiro encontro internacional de desenvolvimento local, considera que a experiência da praia Jalé deve ser mais divulgada, para poder gerar mais rendimentos, no entanto sem provocar excessos.

Abel Veiga