São Tomé e Príncipe precisa de 500 milhões de dólares para implementar Plano Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos num horizonte temporal de 30 anos

Publicado em 23 Jun 2009
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O documento elcascata.jpgaborado por peritos de Taiwan, vai ser apresentado ao público esta quarta-feira. Baseado em estudos técnicos realizados no terreno, o plano nacional de desenvolvimento dos recursos hídricos, aponta pistas para a utilização racional do enorme potencial existente em São Tomé e Príncipe. O estudo feito prova que o arquipélago tem água suficiente para abastecer a população, para irrigar campos agrícolas bem como para produção de energia eléctrica. O plano indica caminhos e meios para que os recursos hídricos satisfaçam as necessidades das populações e o desenvolvimento do país, nos próximos 30 anos.

Rios, cascatas, e fontes brotam milhões e milhões de litros de água por dia em São Tomé e Príncipe. O mesmo país onde grande parte da população ainda não tem acesso a água canalizada. Em muitas localidades a população tem que percorrer longa distância para tare acesso ao líquido precioso. Noutras, apesar de existir a canalização a água não corre.

Um contraste, que justificou a elaboração do plano nacional de desenvolvimento dos recursos hídricos. Com financiamento de Taiwan, peritos do país asiático trabalharam no terreno são-tomense, na avaliação das potencialidades e na definição de uma estratégia que visa a exploração racional da água abundante existente nas ilhas.

O documento que vai ser apresentado ao público esta quarta-feira, exige que o governo invista 500 milhões de dólares num horizonte temporal de 30 anos, para que a penúria de água potável deixe de sacrificar as populações, e por outro lado, para que os campos agrícolas sejam irrigados, e ainda para que a força da água faça funcionar as indústrias e serviços, através da produção de electricidade.

Segundo a Ministra dos Recursos Naturais, Energia e Meio Ambiente, Cristina Dias que se reuniu com a equipa de peritos taiwaneses, o plano define essas três fases. A primeira é o abastecimento da população com água potável, a segunda tem a ver com a irrigação dos campos e a terceira relaciona-se com a produção de energia hidroeléctrica. «Onde encontrar já sabemos, porque está identificada. Como leva-la a população também está identificado. Com que meios,  é que vai ser um pouco difícil, mas vamos tentar mobilizar recursos para implementarmos o plano», afirmou Cristina Dias.

O potencial existe, mas a ministra considera que medidas devem ser tomadas para a protecção do ambiente. Caso contrário, o plano estratégico que deve ser implementado a longo prazo, não terá êxito. «Demonstra que temos capacidade. Mas se não começarmos a investir na luta contra a desertificação, evitar o abate indiscriminado das árvores, portanto se deixar de chover, teremos problemas. Estamos a falar de um horizonte de 40 anos, então se não tomarmos medidas vamos ter problemas», frisou.

A equipa de peritos taiwaneses, destacou que para garantir o abastecimento de água a população, os sistemas de adopção e distribuição devem ser alargados. «Neste momento existem 16 sistemas da EMAE a funcionar. Esses sistemas devem ser reabilitados, e sugerimos a construção de mais 5 novos sistemas de adopção de água para poder abastecer toda a população», explicou, o porta-voz do grupo.

A implementação do plano dever ser faseado, alerta a equipa de peritos. «Com um investimento tão grande, cerca de 500 milhões de dólares, não será possível fazer tudo de uma vez. Portanto o governo deve definir prioridades. Por exemplo concentrar-se nas zonas menos populosas, como a região norte de São Tomé. Podia-se começar a implementar as acções nesta zona e depois estender-se paulatinamente», conclui.

São Tomé e Príncipe já tem nas mãos as linhas mestras para explorar de forma racional os recursos hídricos, falta agora a capacidade interna, para as implementar.

Abel Veiga