Sociedade

Crise pós – eleitoral no Gabão deixa população são-tomense preocupada enquanto o governo mantém-se em silêncio

cidades-gabao.jpgVizinhos, mas ao mesmo tempo distantes. Gabão vive uma crise pós eleitoral que já provocou dois mortos, segundo a Agência France Press(AFP). Os confrontos entre manifestantes e as forças da ordem que eclodiram na última quinta – feira, prosseguiram até o fim de semana. A capital económica do Gabão, Port – Gentil tem sido o principal palco dos tumultos. Firmas comerciais de libaneses e outros cidadãos estrangeiros têm sido pilhados, noticia a AFP. Unidades da empresa petrolífera Total, estão a ser incendiadas. Fogo está a arder na casa do vizinho e o estado são-tomense que tem lá cerca de 15 mil cidadãos residentes mantém-se em silêncio. Junto a assessoria de imprensa do Presidente da República, o Téla Nón procurou alguma reacção sobre o acompanhamento ou não da situação dos cidadãos são-tomenses radicados no Gabão face aos tumultos que têm marcado o país vizinho, mas não teve resposta. A mesma tentativa foi feita em relação ao governo, e o silêncio foi a resposta encontrada.

Silêncio total, em relação ao destino de cerca de 15 mil cidadãos nacionais que residem no Gabão, país vizinho que entrou em convulsão desde a última quinta-feira quando o ministro gabonês do interior anunciou a vitória de Ali Bongo, filho do ex-presidente Houmar Bongo, nas eleições presidenciais.

Em São Tomé e Príncipe a preocupação é grande por parte dos familiares dos cidadãos nacionais que residem no Gabão. Dois países vizinhos, mas ao mesmo tempo distantes. Em São Tomé e Príncipe é pouca a informação sobre o que se passa no Gabão. A ligação telefónica entre os dois países também é muito deficiente. A noção de distância entre os dois vizinhos fica mais clara quando se compara a fluidez de informação entre São Tomé e Príncipe e a sua antiga potência colonial, Portugal.

Se tais tumultos estivessem a ocorrer em Portugal, minuto a minuto, hora a hora, a população São-tomense estaria ao corrente de tudo.  Dá assim a sensação que Portugal situado na Europa, está mais perto de São Tomé e Príncipe do que o Gabão, que se encontra a algumas milhas de distância do arquipélago.

No entanto através da Agência France Press,(AFP), o Téla Nón sabe que a tensão é grande no Gabão, sobretudo na capital económica POrt – Gentil, onde vivem centenas de são-tomenses. Nesta cidade diz a AFP, os confrontos entre a polícia e os manifestantes que protestam contra a eleição de Ali Bongo, já produziram dois mortos.

Na sexta – feira o comando da polícia de Porta Gentil foi atacado pelos manifestantes, alguns armados. Estabelecimentos prisionais foram invadidos e os delinquentes postos em liberdade. Casas comerciais de libaneses e outros cidadãos estrangeiros estão a ser pilhadas. Unidades petrolíferas pertencentes a companhia Total Gabon foram incendiadas. O governo gabonês decretou recolher obrigatório, em Port Gentil, relata a AFP.

Muitos são-tomenses deverão estar no meio desta confusão, o estado não fala para tranquilizar os familiares no arquipélago. Porque estão em causa interesses directos de cerca de 15 mil filhos da nossa terra(Téla Nón), o jornal vai continuar a acompanhar a situação no vizinho – distante, Gabão.

Abel Veiga   

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