Entrevista

Alzira Rosário fala-nos da real situação do HIV/SIDA no país

Há cedirectora-sida.jpgrca de três meses foi lançado no país a campanha do preservativo feminino. Foram distribuídos  118 preservativos. Entretanto são as raparigas dos 15 á 26 anos as que mais tem procurado este método contraceptivo que se encontra em diversos centros de saúde e hospital.

Uma forma das mulheres evitarem uma gravidez indesejada e também se precaverem em relação as doenças sexualmente transmissíveis.  Para saber mais pormenores acerca desta campanha e também em relação a actual situação do HIV/SIDA no país, o  Tela Nom entrevistou a coordenadora do programa nacional de luta contra o SIDA no país, Alzira Rosário.

Tela Nom- Em que pés anda a campanha do preservativo feminino?

Dra. Alzira Rosário Nos continuamos a fazer a campanha do preservativo feminino para sensibilizar a população para a prevalência do HIV/SIDA. Lançamos a campanha a cerca de três meses, é pouco tempo para colhermos os frutos, por isso o nosso principal objectivo é continuar com a campanha. Dentro de um ano ou dois iremos fazer um estudo, um levantamento para sabermos como é que está a situação, se as mulheres estão a fazer uso ou não deste instrumento.

T.N- Qual é a actual situação do HIV/SIDA no país?

Dra. Alzira Rosário  Nós ainda continuamos com a nossa prevalência de 1,5 desde 2005. Isto quer dizer que cerca de 1,5 da população de São Tomé e Príncipe está infectado com o vírus do VIH. Realizamos alguns estudos mas ainda não temos os dados finalizados. Ainda se está a informatizar os dados e talvez dentro de três meses é que poderemos ter dados actualizados de 2008.

T.N- Qual é a estatística em relação a homens e mulheres? Será que os dados que indicavam que para cada 1 homem infectado havia 5 mulheres ainda se mantém?

Dra. Alzira Rosário – Esse dado é internacionalmente. Nós não temos esse dado estatístico na população santomense . Ainda estamos no estudo. Mas neste momento temos cerca de 108 doentes de SIDA inscritos no programa nacional de luta contra o SIDA no país.

T.N- Qual é a ajuda, o apoio que o programa nacional de luta contra o SIDA tem dado a aqueles que estão infectados pelo vírus?

Dra. Alzira Rosário – Os doentes são bem tratados, nós neste momento temos cerca de cinco postos de atendimento aos doentes, nomeadamente: Lemba, Lobata ,Cauê, Região Autónoma do Príncipe e dois no Distrito de Água-Grande. Eles são bem tratados e têm acesso ao tratamento gratuito de anti-retroviral e outros acompanhamentos. Aqueles que vêm para o posto de saúde atempadamente têm tido bons resultados. Neste momento os números de óbitos por SIDA tem estado a diminuir. Quer dizer que desde que nós introduzimos os tratamentos de VIH/SIDA as pessoas têm tido um tempo de vida maior do que antes.

T.N- Qual é conselho ou mesmo apelo que deixa as pessoas portadoras desta doença e que não querem se tratar?

Dra. Alzira Rosário – Algumas pessoas quando descobrem que estão infectadas por vergonha ou por uma outra razão qualquer não vêm ao posto de saúde, mas sim vão fazer tratamentos tradicionais. Nós temos tido muitos problemas com estes casos. Eles vão fazendo chás tradicionais, fazem tratamento com curandeiros e médicos tradicionais e chegam ao hospital ou ao posto de saúde já na fase final. E grande parte de óbitos que temos tido agora é por essa causa.  Eu apelo as pessoas para que assim que descobrirem que estão doentes se dirigirem ao centro de saúde para fazer o tratamento. Se acreditam ou não nos tratamentos tradicionais que façam, mas que não se esqueçam do tratamento convencional.  

Ectylsa Bastos

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