A escassez de profissionais de saúde continua a ser uma das principais fragilidades do sistema sanitário são-tomense. O alerta foi deixado por Abdoulaye Diarra, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final do encontro de despedida desta terça-feira, 13 de outubro, com a ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilza Amado Vaz, no âmbito do fim da sua missão de dois anos em São Tomé e Príncipe.
«A carência de profissionais de saúde continua a ser uma ferida aberta em São Tomé e Príncipe», afirmou Abdoulaye Diarra, reconhecendo os progressos alcançados, mas advertindo que ainda há muito trabalho por fazer. O representante da OMS defendeu a continuidade dos esforços para aumentar não apenas o número de profissionais, mas também a qualidade dos serviços prestados à população.

Durante o encontro de cortesia com a ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilza Amado Vaz, o representante da OMS chamou igualmente a atenção para a necessidade de reforçar os recursos humanos e consolidar os ganhos alcançados na saúde pública.
«Fizemos muito, mas ainda há muito a fazer», afirmou Abdoulaye Diarra, defendendo que o trabalho iniciado deve prosseguir após a sua saída e combinar o aumento do número de profissionais com a melhoria da qualidade dos cuidados.
O representante da OMS referiu também a elevada cobertura vacinal registada no país, segundo a sua avaliação, e o contributo da OMS para a elaboração de documentos estratégicos nacionais. Sobre o financiamento da saúde, considerou que a implementação da estratégia poderá permitir a São Tomé e Príncipe beneficiar de um sistema mais sustentável e menos dependente do apoio externo.
«Quando esta estratégia nacional for implementada, o país poderá beneficiar mais do financiamento da saúde e depender menos dos parceiros», afirmou.

No encontro desta quarta-feira, 14 de outubro, com o ministro da Saúde, Celso Matos, o representante da OMS apresentou um balanço da cooperação em áreas como o financiamento da saúde, a capacitação dos profissionais e o reforço dos meios de diagnóstico. Entre os resultados mencionados, destacou a formação de 39 médicos responsáveis pelos distritos, em matérias de liderança, gestão, planificação e acompanhamento dos cuidados de saúde primários.
«O financiamento da saúde continua a ser um dos grandes desafios dos países africanos», afirmou, assegurando que a estratégia nacional de financiamento poderá ajudar o país a mobilizar melhor os recursos e a reduzir gradualmente a dependência dos parceiros de desenvolvimento.
Abdoulaye Diarra apontou igualmente progressos no combate à malária e nos esforços para eliminar a filariose linfática enquanto problema de saúde pública. Sublinhou ainda o trabalho desenvolvido para prevenir a transmissão do VIH de mãe para filho. No entanto, a eventual eliminação da filariose depende do cumprimento dos critérios técnicos exigidos, não constituindo ainda um resultado oficialmente confirmado.
«A incidência da malária está a diminuir, o que nos permite manter a esperança de que a sua eliminação possa ser alcançada no futuro», declarou, ao avaliar as perspectivas do sector.
Abdoulaye Diarra aproveitou o momento para agradecer ao Governo, às equipas nacionais, aos parceiros e à população são-tomense pela colaboração durante os dois anos de trabalho. O representante deverá regressar à República do Mali no final de outubro de 2026, deixando como desafio a continuidade das iniciativas em curso e a consolidação dos progressos alcançados pelo sistema nacional de saúde.
Waley Quaresma