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O Téla Nón registou gritos de ira e revolta por causa da actual penúria alimentar. Populares convidaram o jornal para ver alguns gramas de sal que estão a ser vendidos por 40 mil dobras. Um chefe de família tinha nas mãos aquela meia colher de sal, que teve que comprar para salvar o cozido de banana previsto para o jantar de quinta-feira.
San Lena( 
Raivosa San Lena, explicou que a situação no seio da sua família é grave, mas também de todos os moradores da sua localidade. «De manhã na minha localidade, Pau Sabão, não havia pão. As padarias não estão a funcionar por falta de sal e farinha de trigo. Qual é a nossa vida? Até quando?», interrogou.
Do meio da multidão que debatia o problema, não saíram respostas para as questões levantadas por San Lena. Acusações e sentimento de revolta, isso sim foram manifestados. A multidão prometeu sair a rua nos próximos dias de forma espontânea, caso o executivo do MLSTP/PSD, liderado por Rafael Branco, não resolva a crise do sal e de outros produtos no mercado nacional. Algumas senhoras, disseram ao Téla Nón que vão gritar “kidalê” diante do palácio do governo, entoando o nome do Chefe do Executivo, porque segundo elas nunca na história do país se viveu situação igual. Nem mesmo durante a crise de 1983, acrescentou uma das senhoras.
Joana outra cliente do mercado de côco – coco, diz que não se pode admitir o que está a acontecer no país. «Eu estou com um casamento para realizar, como é que vou fazer? O governo tem que saber disto, nos abandonou no caminho. Um quilo de sal está a ser vendido por 200 a 250 contos. Os meus filhos começaram as aulas e estão a comer comida insossa», criticou.
Os populares, questionaram o facto de muita imprensa nacional, estar a ignorar a maior carestia de vida da história do país, com consequências graves para as famílias. Disseram não entender como é que se pode fazer de contas que nada está a acontecer, diante de uma tamanha crise, que segundo eles, deve-se a incapacidade do actual governo em prevenir a rotura dos stocks dos produtos de base.
O descontentamento popular sobe de tom, pelo calor da revolta sentido pelo Téla Nón quinta-feira, só uma intervenção rápida do governo, pode evitar o estrondo do barril de pólvora que leve-leve vem sendo enchido no arquipélago.
Aliás como dizia e bem um programa televisivo de propaganda do partido no poder, «Homé cu fome, ê cá dá deçu cu faca», ou seja, «Homem com fome, até deus ele pode agredir»,
Abel Veiga