Sociedade

Decisão do governo em vender os 9 barcos de pesca abandonados em Fernão Dias, resulta em fracasso total

É um fracasso porque o Governo reagiu tarde. É um fracasso porque o estado são-tomense não valorizou os 9 barcos modernos de pesca que a empresa espabarco.jpgnhola ASTIPESCA abandonou em Fernão Dias desde 13 de Março de 2008. 3 naufragaram, 3 encalharam sem hipóteses de utilização, e dos outros 3 que resistiram no mar, restou apenas 1. A âncora dos doutros 2 soltou na última sexta-feira e deverão estar a navegar sem rumo, constituindo perigo para a navegação marítima no golfo da Guiné. O primeiro-ministro Rafael Branco que recentemente disse a nação ter encontrado uma pessoa interessada na compra dos barcos, já não tem quase nada para vender.

Diamantino Vila Nova, cidadão são-tomense residente na vila de Micoló, onde pelo menos dois barcos estão encalhados, foi durante 16 anos marinheiro ao serviço da empresa ASTIPESCA. Ele conhece bem os 9 barcos. Garante que são modernos, e que funcionavam muito bem.

Em Março de 2008, a empresa espanhola caiu em falência. Não tinha dinheiro para garantir o reabastecimento dos navios em combustíveis, nem tão pouco para alimentação da tripulação, que acabou por ser repatriada. Depois da faina nas águas territoriais do Gabão, os nove navios precisavam de combustível para seguir viagem até Espanha. São Tomé foi o destino final.

Os barcos abandonados há mais de um ano em Fernão Dias, ficaram a deriva. O estado são-tomense que não tem um bote adequado para garantir a ligação entre as ilhas, também virou as costas para nove embarcações modernas. O tempo foi desgastando os nove navios. A força das ondas empurrou três para a terra. A correnteza do mar engoliu outros 3 barcos, que se afundaram. Três ficaram ao lado do ilhéu das cabras a espera que o arquipélago reagisse.

Antes de tudo isso, a Procuradoria-geral da República, que analisou o caso em pormenor, tendo investigado a situação da empresa espanhola, instou o governo a confiscar os navios. Passaram vários meses e o executivo não reagiu.

Só em Março último, ou seja, 12 meses depois o conselho de ministros anuncia que os 9 barcos pertencem ao estado são-tomense. Nesta altura só 3 estavam a resistir sobre o mar. Sem qualquer protecção ou manutenção, na última sexta-feira, os habitantes da Vila de Micoló, viram dois barcos vagueando pelo mar. As âncoras soltaram e os dois navios navegavam sem rumo até desaparecer no horizonte. Só um ficou ao largo de Micoló.

Segundo os habitantes, as autoridades competentes foram avisadas, mas até quinta-feira não houve qualquer reacção no sentido de recuperar as embarcações. Diamantino Vila Nova, antigo marinheiro que ganhava sustento na faina, está revoltado. «Houve tempo suficiente para resolver-se o problema dos barcos. Não o fizeram porque não querem. Porque diziam que o governo de Patrice Trovoada não tinha competência. E este governo actual tem competência? Porque é que não resolveram o problema dos barcos», declarou.

O marinheiro, diz que houve muita má fé das autoridades nacionais. Tanta má fé que não tiveram discernimento para proteger uma fortuna que poderia beneficiar todo o país. «É uma fortuna que São Tomé perdeu. Eram barcos com boas condições para funcionar. Esse barco servia para pesca e também para transporte de carga. O único que restou também pode desaparecer porque não há ninguém a cuidar dos barcos. Há três meses atrás que os barcos não têm guarda nem nada», reforçou.

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Diamantino, interroga sobre o futuro do país. «Eu não sei se o nosso país vai continuar assim até ao fim. Filhos da terra trabalhavam nestes barcos. Trazíamos muita divisa para o país. Todo dinheiro que ganhávamos era esbanjado aqui no país, e agora nada», concluiu.

Só deus pode guiar os dois barcos que navegam sem rumo desde a última sexta-feira. Talvez cheguem a um porto onde sejam valorizados. Talvez acabem por não ser obstáculo a navegação marítima no golfo da Guiné.

Abel Veiga

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