Sociedade

Produção de carvão vegetal e as Mudanças Climáticas em STP

PRODUÇÃO DE CARVÃO SÓ

COM EXPLORAÇÃO SUSTENTADA

– Defende Engenheiro Florestal, Anahory Dias(na foto), por causa das Alterações Climáticas, e dissipa receios do Sr. Eugénio, mais antigos carvoeiros de Lobata.  

No distrito de Lobata, a produção de carvão é uma actividade económica rentável, mas que poderá estar em risco, caso não se encontre uma exploração sustentável. A desertificação em resultado de abate indiscriminado de árvores para a produção comercial de carvão está a prejudicar o equilíbrio ambiental, com agravamento no quadro das Mudanças Climáticas que se observa actualmente no nosso país e no mundo em geral.

Esta actividade económica é hoje uma fonte de renda para cerca de 300 carvoeiros do Distrito de Lobata. Assim, é a fonte directa de sustento de muitas famílias, pois além dos cerca dos 300 carvoeiros, é também a base de negócios dos revendedores, um pouco por todo o distrito de Lobata e, provavelmente, noutros distritos da ilha de S. Tomé.

Devido aos riscos ambientais, esta actividade tem sido questionada pelas consequências perigosas, nomeadamente por causa da emissão de gases de efeito estufa lançados para a atmosfera e desmatamento que provoca a diminuição de chuva, particularmente neste distrito, o mais seco de S.Tomé e Príncipe.

A este propósito, a nossa reportagem foi ouvir os intervenientes nesta actividade, com destaque para os carvoeiros do Distrito de Lobata, senhor Eugénio.

O senhor Eugénio, como ele próprio se identifica, é o mais popular carvoeiro de Lobata. Vive e ganha o pão de cada dia na localidade de Praia das Conchas. Aos 65 anos de vida continua a sobreviver da queima e venda de carvão. Porém, agora vê ameaçada a sua profissão, a sua única fonte de rendimento, por causa do forte abate das árvores para fazer carvão e o agravamento provocado pelas alterações climáticas.

Com as preocupações relacionadas com as consequências das Mudanças Climáticas na agenda das autoridades nacionais e mundiais para travar a degradação da natureza, o popular carvoeiro de Lobata diz ver a sua actividade profissional com dias contados. Teme pelo seu futuro e dos seus companheiros de profissão. Diz sentir-se ameaçado porque, nas suas palavras, não tem outro modo de sobrevivência. Não temos conseguido o trabalho ou outra coisa para se pegar com as mãos”, lamentou senhor Eugénio.

Por seu lado, o Engenheiro Anahory Dias, Director de Floresta, considera ser uma actividade que precisa de ser regulada e transformada em actividade sustentável, atendendo que nos moldes em que a exploração do carvão é feito hoje põe em risco o meio ambiente e a actividade dos carvoeiros e outras profissões que precisam de madeira.

Para Anahory Dias, o carvão é útil e recomenda que se “deve explorá-lo de forma organizada”.
Na entrevista, Anahory Dias reconhece a prática de queima de carvão como “uma questão cultural”, adiantando ser “um bem útil”. Recomenda, entretanto, que sejam utilizadas “boas práticas na forma de processamento” para tirar melhor proveito desta actividade, evitando prejuízos para o ambiente e consequentemente o agravamento das Mudanças Climáticas. É na zona de Praias das Conchas que os carvoeiros de Lobata concentram a sua actividade. Segundo o Director de Floresta, esta é uma zona protegida, razão pela qual os prejuízos são ainda maiores.
Nas áreas protegidas, e de microclima de savana seca, existem espécies endémicas que devem ser preservadas. Além disso, este responsável manifestou o seu receio devido a exploração não organizada e sem sustentabilidade por causa dos riscos estenderem o corte de árvores a outras zonas sem qualquer controlo. É por isso que o director Anahory Dias defende a existência de uma organização dos carvoeiros, para que com eles possam trabalhar num programa de exploração sustentada e que deva incluir a reflorestação das áreas devastadas pelo corte de madeira.

Redacção: Octávio Soares

    6 comentários

6 comentários

  1. ANCA

    1 de Junho de 2019 as 22:27

    Num país, pequeno,pobre, com limitações dos recursos naturais, humanos capacitados, com efeito de dupla insularidade, periférico, que sofre consequências de efeitos das alterações climáticas, aceleradas pelas actividades e acções dos seus habitantes, a forma social cultural de vida, o chamado modo de vida, sem instituições que se dedicam a investigação da biodiversidade a fauna e flora existente, as universidades, os investigadores, por quando muito pouco, ou mal se conhece de recursos naturais disponíveis, suas características, citando a biodiversidade, do solo, do subsolo, da água, da floresta, do mar, do ar, dos rios, dos microclimas, é demasiado pouco, o que o Engenheiro acima descreve como uma das soluções.

    Por quanto o País apesar de pequeno, precisa de se organizar melhor, ter planos de ordenamento do território, plano Nacional de Ordenamento,planos directores distritais e regional, planos de pormenor, ou cartas militares, cartas geológicas, etc, para a definição da actividades humanas, sobre diversos ambientes e utilização de recursos naturais, para isso é necessário conhecer bem a nossa fauna e flora, a sua evolução, ou degradação, conhecer bem a biodiversidade existente, medidas de prevenção, para a sustentabilidade futura, tudo isto necessita de instituições fortes e capazes, uma boa parceria internacional e entre instituições, o trabalho, a organização, o pensamento para que se possa pôr isto em marcha.

    Por quanto as Instituições políticas partidárias, jamais têm, tido estruturas ou programas, juntando a falta de vontade, a falta de interesse, ou pessoas capazes de pensamento e acções de organização, mais isso é crónico, social, Cultural do Sãotomense, com agravantes que isto começa na instituição famílias Sãotomense, e acaba por afetar todas outras instituições, enfraquecendo-as ainda mais, pela ganância, incompetência, falta de organização, falta de lealdade transparência e rigor, na verdade um reflexo a sociedade civil que se vive hoje, com agravantes de piorar.

    Os problemas estão visíveis, aos olhos nus, h a anos, nós é que decidimos o que queremos fazer com eles ou não, com sinalizar de haver já pouco tempo para.

    E jamais vale a pena o justificativo, de falta de dinheiro, existente realidade e processos, que se podem mudar, pela vontade de agir, pedindo a colaboração internacional, quando não se sabe ou não se consegue, pois não é vergonha nenhuma, pelo contrário é uma de melhorar o ser estar pensar São tomense,é uma forma de evoluirmos e aprender.

    Tudo jamais se pode resumir somente a ajuda exterior, a realidades nossas da qual exige de nós, enquanto coletivos acção, organização, rigor, trabalho, transparência, lealdade, verdade.

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    DEUS abençoe São Tomé e Príncipe

    • ANCA

      2 de Junho de 2019 as 18:19

      E jamais vale a pena pensar que toda a parceria internacional é boa, ou que têm boa intenção, muitas vezes servem somente, como extensão do seu poder no mundo, ou seja o controlo sobre um povo, um território, uma administração, extensão dos seus territórios, dos seus mercados sem preocupações sócias , culturais, ambientais, desportivas, políticas, económicas ou finaceiras.

      Assim foi no passado assim é no presente, assim será no futuro, a luta pelo poder controlo do mundo, o puro capitalismo selvagem.

      E temos políticos, instituições partidárias, que acham que são os salvas pátria.

      Abram os olhos

  2. Vanplega

    2 de Junho de 2019 as 13:24

    São Tomé e Príncipe, não têm uma política de preservar o meio ambiente. As nossas árvores, são desvastada por falta de um política de preservação

    De 1991 até dia de hoje, quantas árvores foram devorada pela ma política e dos maus políticos.

    As consequências, estão a vista de todos e, vamos pagar caro, por está má prática.

    É altura de ganhamos a consciência de voltar a resflorestar, repor o que cortamos

  3. ONDE MESMO?

    3 de Junho de 2019 as 11:55

    É tudo blá, blá, blá porque todos contribuímos para desflorestação da nossa ilha e como tal a desertificação e alteração das condições climáticas que se vai verificando nos últimos anos na ilha de S. Tomé. Tanto os carvoeiros, os serradores de madeiras, os compradores, a direcção de floresta, alfandegas, enaport, todos contribuem para esse flagelo que é a desflorestação. Se é proibido a entrada de moto serras no país, como é que se compreende a existência de tantas moto serras novas espalhadas por todo o território nacional? Como é que elas entram? Para além da consciencialização que temos que ter na reflorestação da ilha de S. Tomé, há que haver um maior rigor e fiscalização por parte dos funcionários aduaneiros, tanto os das alfândegas, polícia Fiscal como os da Enaport. Por exemplo proibir a entrada de mercadorias em bidons, tambores e ou caixas de grandes dimensões, porque é nestes volumes que as moto serras entram no país. Temos que estar todos vigilantes e castigar severamente os infractores. O mesmo passa-se com a extracção de areia nas nossas praias que praticamente desapareceram, pelo menos as melhores e de fácil acesso. Compreendo que se queira construir casas e madeira ou em alvenaria. Para tal deve-se incrementar o mercado gabonês, exportamos pedra e em contrapartida importamos árvores e areia que eles ainda teem em abundância.

  4. Amar o o que é nosso

    3 de Junho de 2019 as 16:13

    Como as autoridades não conseguem por stop a extração de areia no bairro saton. Santomense não tem capacidade. Arrogância só! Não me importaria que alguém comprasse todo esse país.

    • MIGBAI

      4 de Junho de 2019 as 16:39

      Não te preocupes que os chineses já começaram a comprar!
      Porém o que os chineses não comprarem compram os angolanos.
      Fica descansado que logo não terás país!

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