CECAB honra 37º aniversário da reforma agrária

No dia 30 de Setembro de 1975, São Tomé e Príncipe, decidiu retirar os meios de produção agrícolas das mãos dos colonizadores portugueses. O país somou desaires, mas a partir de 2001 a CECAB começou a recuperar com qualidade o nome de São Tomé e Príncipe no mercado internacional de cacau.

A cooperativa de exportação do cacau biológico (CECAB), criada no ano 2001, é responsável por 25% do cacau que São Tomé e Príncipe exporta anualmente, para o mercado internacional, mais concretamente o mercado francês.

Uma produção de alta qualidade, que tem recuperado a dignidade do nome de São Tomé e Príncipe no mercado internacional de cacau. A cooperativa veio dar sentido ao processo de reforma agrária, que começou em Setembro de 1975. Neste ano as 15 grandes roças de São Tomé e Príncipe e as suas respectivas dependências, representando mais de 80% do território do arquipélago, foram nacionalizadas.

A estatização da economia, facilitou a degradação e delapidação dos meios de produção que tinham sido confiscados aos grupos privados portugueses. A partir dos finais da década de 90, as terras nacionalizadas, foram retalhadas em pequenos lotes para exploração familiar.

A ruína ameaçava várias famílias de antigos assalariados das roças, que de repente passaram a ser proprietários de terra. Daí a grande importância do surgimento em 2001 da cooperativa de exportação do cacau biológico. A cooperativa congrega 45 comunidades agrícolas, num projecto de produção de cacau de alta qualidade, vendido a bom preço no mercado francês.

O rendimento dos ex-serviçais das roças na era colonial, e assalariados do Estado a partir de 1975, aumentou exponencialmente. Um projecto dos agricultores, que dignifica a data histórica de 30 de Setembro, dia da reforma agrária ou da Nacionalização das Roças, e que foi visitado pelo Presidente da República Manuel Pinto da Costa. «Importante ter uma organização como essa, para ela servir de exemplo a seguir em toda a República Democrática de STP», declarou o Chefe de Estado na roça Monte Forte, onde funciona a sede da CECAB.

A CECAB movimenta negócios de exportação de cacau na ordem de 1 milhão de euros por ano. A direcção da cooperativa admite que cerca de 9 mil são-tomenses, ganham sustento através das suas acções. «Nós hoje falamos de uma CECAB que representa  1800 famílias de pequenos agricultores. Se pensarmos que cada família dispõe de cinco elementos,  estamos a falar de nove mil pessoas  ao nível de São Tomé  e Príncipe», afirmou António Dias, chefe da CECAB, nas celebrações do dia da reforma agrária na roça Monte Forte.

Com uma produção anual de 500 toneladas de cacau, a CECAB, está a implementar a técnica de enxertia para assegurar a renovação do cacauzal. Uma técnica que permite a disseminação de cacaueiros de origem são-tomense, evitando assim as espécies híbridas normalmente importadas, que têm a característica de produzir em grande quantidade, mas sem qualidade.

A partir desde processo de renovação do cacauzal, a CECAB, prevê que dentro de 5 anos a produção de cacau biológico, aumentará em dobro, ou seja, das actuais 500 para 1000 toneladas.

O Presidente da República, tomou boa nota do espírito cooperativista que está a salvar o nome do cacau de São Tomé e Príncipe, e a melhorar o rendimento dos agricultores. Um trabalho que já tem 11 anos, e que une os agricultores das 45 comunidades e a empresa francesa KAOKA.

Pinto da Costa, manifestou no entanto preocupação em relação ao processo da reforma agrária. «Gostaria de enquanto Chefe de Estado, recomendar que sejam tomadas medidas legislativas capazes de entre outras reformas necessárias regulamentar o uso das terras segundo critérios estabelecidos pelas entidades competentes nomeadamente, as que promovam  a defesa nacional, a exploração racional da terra e os seus recursos,  o desenvolvimento comunitário, o estabelecimento racional de infraestruturas económicas e sociais, a alienação criteriosa de títulos de posse de terra para o desenvolvimento de infraestruturas, a garantia de reservas de terras do Estado e a prevenção da degradação do ambiente e da biodiversidade» declarou o Presidente da República.

O Chefe de Estado enalteceu o projecto CECAB, ofertou botins a cooperativa, e entregou prendas a 15 agricultores que mais produziram cacau biológico neste ano.

As celebrações do dia da reforma agrária, estenderam-se a todo o país, com o governo a premiar os agricultores mais destacados.

Abel Veiga

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    torresdias Responder

    Avante CECAB, esta interação onde envolve de uma forma direta os santomenses e dignifica STP é que é valioso e gratificante, uma politica agrária que vale, boa lição para os que promoveram SATOCAO. Tira a máscara satocao e contribui para o desenvolvimento de S.Tomé e Príncipe não nos vem explorar e distruir. se for esta a vossa intenção por favor vão se embora.
    Viva CECAB

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    Santosku Responder

    É de louvar e elogiar a CECAB e desejar forças e coragem aos seus membros e que continuem a produzir para o bem do País e deles próprio.

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    Anjo do Céu Responder

    É um feito histórico que sirva de lição para outras cooperativas de generos.Até agora parece que estejam a fazer um bom serviço e com rigor de gestão, mas nao esquecendo outras partes que é íncentivar.moralizar e pagar bem a todos aqueles que lá trabalham não só beneficiar os chefitos e zé povinho anda a chupar no dedo e contar tostão.Confio em ti António Dias

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    Antonio Gonzaga Responder

    Iniciativa louvavel. É disto que STP precisa. Avante CECAB, avante Antonio Dias.

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