Príncipe defendeu no Diálogo a devolução dos direitos políticos e de cidadania aos cabo-verdianos

Pelo menos os que foram trazidos para São Tomé e Príncipe, desde o início do século XX, tendo o boom acontecido a partir de 1947, merecem usufruir da nacionalidade são-tomense e de direitos políticos. Uma recomendação da ilha do Príncipe no Diálogo Nacional.

O Presidente do Governo da Região do Príncipe, José Cassandra, fez questão de anunciar na Tribuna do Palácio dos Congressos, esta recomendação da população da ilha do Príncipe durante a auscultação que foi feita na ilha com vista ao Diálogo Nacional.

José Cassandra começou por destacar o papel desempenhado pelos cabo-verdianos na construção da sociedade são-tomense. O recenseamento geral da população indica que dos 2637 estrangeiros que residem em São Tomé e Príncipe, pouco mais de metade são cabo-verdianos, 50,3% .

A maioria dessa população cabo-verdiana considerada estrangeira, são idosos, que chegaram ao país há mais de 50 anos, em condições históricas particulares, como mão-de-obra contratada pelos colonos portugueses em condições também particulares, para trabalhar nas plantações de cacau e café. «A construção da nossa sociedade não foi feita sem o contributo de gentes de outras paragens, cujos contributos foram cruciais para aquilo que somos hoje como povo», declarou o Governo Regional do Príncipe na pessoa do seu Presidente José Cassandra.

Principal força do trabalho agrícola durante a era colonial e depois da independência nacional, os serviçais contratados em Cabo Verde, assim como outros vindos de Angola e Moçambique, ganharam estatuto de cidadania nos primeiros 15 anos pós independência. Participaram no referendum a nova constituição política que abriu caminho para a democracia pluralista e exerceram direito de voto nas primeiras eleições legislativas e presidenciais, em 1990 e 1991 respectivamente.

Em 1994, o novo poder instituído democraticamente decidiu retirar tais privilégios aos ex-serviçais das roças vindos de Cabo Verde, Angola e Moçambique. «Os nossos irmãos cabo-verdianos, que vivem entre nós, há mais de 40 ou 50 anos, com todos os condicionalismos sócio económicos que nos afligem a todos. Vítimas de um percurso histórico que deixou marcas e algumas vulnerabilidades designadamente nos rendimentos decorrentes de uma política de protecção social que minimizasse o sofrimento e a pobreza, usufruindo de poucos ou nenhuns direitos políticos ou de cidadania, depois de uma vida inteira de trabalho árduo nas roças não obstante terem sido também parte integrante da caminhada que permitiu a construção dessa nossa sociedade», denunciou a população do Príncipe na recomendação ao diálogo Nacional apresentada por José Cassandra.

A ilha do Príncipe é uma das regiões do país onde os ex-serviçais cabo-verdianos e seus descendentes, estes por sinal cidadãos são-tomenses, representam uma fasquia muito importante da população. O mesmo acontece na ilha de São Tomé.

O receio do peso eleitoral dos ex-serviçais nas urnas, sobretudo se influenciassem também os seus descendentes, terá provocado o receio das autoridades democráticas de 1994 em mantê-los activos no exercício do poder político. Também porque eram mais simpáticos com o partido da independência.

Um cenário que já não se coloca nos dias de hoje. O recenseamento da população veio confirmar que a população dos ex-serviçais cabo-verdianos, reduziu drasticamente, e os seus descendentes constituem hoje uma força eleitoral espalhada em todos os partidos políticos de São Tomé e Príncipe.

No Diálogo Nacional, Príncipe levantou a voz em defesa da devolução dos direitos políticos e de cidadania a favor dos cabo-verdianos. « Por isso seria desejável que fossem reunidas todas as condições de acordo com as condições de reciprocidade existentes no quadro da CPLPe em especial entre o nosso país e Cabo Verde, que pudesse contribuir para facultar aos elementos deste grupo comunitário a nacionalidade são-tomense», uma declaração que provocou eco forte no anfiteatro do Palácio dos Congressos onde decorre o diálogo Nacional.

Muitos aplausos marcaram a intervenção de José Cassandra, num apelo a justiça para com gentes a maioria idosa, que durante décadas deram tudo por São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

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    manuel soares Responder

    Meus caros, vamos ser sérios, os nossos irmãos cabo-verdeanos que cá vivem a longos anos, sempre trabalharam a terra e construiram este país têm direito a uma reforma, mas por amor de Deus, não vamos complicar, este caso deve ser tratado com atenção e na base da lei, faz-se o levantamento caso a caso e só assim poderá atribuir a referida pensão ou reforma e nunca de forma anarquica e desorganizada, sou de opinião que o governo de STP e a embaixada de Cabo -Verde em STP (governo de Cabo- Verde) devem se reunir e resolver esta questão, obrigado!

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    Preto Responder

    Muito bem Tozé Cassandra! Esta é uma das maiores “VERGONHAS” da sociedade santomense. Este é um assunto que ja devia ser resolvido desde os anos 80. Acabaste de dar uma chapada ao Pinto da Costa, Miguel Trovoada e Fradique de Menezes.

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    Camarada Responder

    Temos que defender as nossas origens

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    arelitex Responder

    acaba por ser triste ouvir estas notícias .sou sâotomense ,nâo tenho nos meus antepassados directos nada a ver com a raça cabo Verdiana .mas sei reconhecer as coisas .se em STP existe alguma raça com dedicação ao trabalho é sem duvidas a cabo Verdiana .os momentos áureos da nossa nação muito devemos a eles .ainda hoje mesmo misturados com os sâo tomenses ,destingue-se bem a diferença .dá gosto trabalhar com cabo verdianos ,e torna-se num desepero trabalhar com sâo tomenses .sempre a inventar doenças e mentiras e esquemas só para nâo trabalhar . é uma matéria que já devia de estar resolvida á muitos anos .dar a nacionalidade sâotomense aos caboverdianos ,eles sâo sem duvida merecedores . mais que muitos ssâotomenses .pela sua dedicação ao país .

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    claudino Monteiro tavares Responder

    Meus sinceros cumprimentos a Nação Santomenses.
    Olha , li com muita atenção e acho enteder resoavel o que debruçaram , sobre as questões dos cabo-verdeanos.
    Meus amigos , familiares , professores , tanto professores de escola primaria em Porto Alegre como , professor Srº Bandeira , Srº Barros e Tomé tambem k era arbito de Futebol e meus professores na escola preparatória Patriço Lumumba (desculpe se estiver erado algumas designaçõe), como professor , Eurico e….(o pai de Cabê), que lecionavam a lingua portuguesa e no Liceu Nacional os dois estavam lá tambem a lecionar e professor Tomás o irmão da Ana Maria da Fisíca e outros . Olha estive em S.tomé até no dia 5/09/86 depois daí regresei a minha terra onde nasci “Cabo-Verde”, mas digo-vos uma verdade que não escondo “sou Cabo-verdeano de Sangue , mas Sou S.tomense de tdo meu corração , porque foi lá que fiz -me crescer , olha cresci em Agua Arroz na casa de Idalécio Pachire e Srº Teixeira falecido , que o Deus o tenha , a minha mãe já esté lá a 44 anos e tenho toda a minha familia repartido em Porto Alegre e a capital S.tomé , então essa questão tem k ser tratada com a diplomacia sem rancor, com muita sensibilidade humana .
    Pesso k pessam mais no desenvolvimento integral da tda gerações existente no pais , porque tdos são util neste momento , sinto-me triste quando oiço ou vejo a situação de S.Tomé em relação á outros paises , tal como Cabo-Verde em k pé de diferença estão no que diz ao Objectivo de Milenio…Pensam vocês têm capaciade….têm agua subterranea, chuva, sol, floresta a paz , e têm Homem…Mostra que são capazes…vôs conheço e confio nas vossas capacidades…descutem coisas maiores e deixam coisas pequenas para Depois…
    CLAUDINO MONTEIRO tAVARES

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    Leandro castro Responder

    Pode alguém me dizer o que impede que esses cidadãos de cabo verde ainda não seja santomenses? Algum deles terá a luz da nossa Lei de nacionalidade requerido tal nacionalidade e foi-lhes negada? Estamos numa terra em que basta a um Libanês ou nigeriano ter residência superior a 5 anos para solicitar e obter a nacionalidade.
    Por isso, acho que em vez de cada um tratar o tema com objectivos políticos, como o fez o Sr. Cassandra, deveríamos fazer saber aos interessados qual a via a seguir e não exigir que seja o Estado a fazer simbolicamente algo. Porque é que o GOR do Principe não cria um Gabinete para ajudar os naturais de Cabo Verde residentes no Principe a solicitar tal nacionalidade. Creio que em menos de 3 meses todos seriam Sãotomenses.
    Em vez disto, o que assistimos é uma situação em que um governante nacional vem corroborar com demagogia política de que os Caboverdeanos são descriminados em STP, o que não é de todo verdade.
    Fala-se também de reformas. Pode alguém apresentar o caso de dois cidadãos, um santomense e outro caboverdeanos que tendo o mesmo percurso profissional tenham reformas diferentes em virtude de um ser nacional e o outro não? Se me disserem que o caboverdeanos, pura e simplesmente não recebe, pelo facto de não ter a nacionalidade santomense, então digo: eis mais uma razão para que sejam encentivados a solicitar essa mesma nacionalidade.
    Basta de demagogia!

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    Olívio cardoso Responder

    este que o povo precisa homem que busca a resolução para toda gente desta ilha,na verdade os cabo-verdianos merecem ter a nacionalidade santomense, gastaram todas as suas forças nesta terra. muito obrigado Tose Casandra , que Deus te abençoe

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    Djatta Responder

    Gabriel, nao faças maldades aos caboverdianos, como fizeste em relaçao aos guineenses, com quem foste ingrato , injusto e ruim…lembra-te, nôs ainda nao esquecemos, camarada!!!

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