Governo são-tomense aprende a lição do GGA e começa a dar sinais de responsabilidade na gestão do arroz ofertado pelo Japão

Publicado em 05 Fev 2009
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Desde o ano 2arroz.JPG007 que o governo nipónico decidiu retomar o fornecimento de arroz a São Tomé e Príncipe, após a suspensão do processo por causa do escândalo financeiro do GGA. As primeiras toneladas de arroz, chegaram ao arquipélago no ano 2008, e as autoridades nacionais já depositaram no fundo de contra-partida os 2/3 da receita de venda do produto, equivalente a cerca de 700 mil euros. Fundo que vai ser aplicado na execução de projectos de desenvolvimento social.

É com o erro que se aprende, e espera-se que a aprendizagem são-tomense seja mesmo para valer. Após longo tempo de suspensão do fornecimento de arroz a São Tomé e Príncipe, por causa da delapidação dos fundos resultantes da venda do produto por parte de agentes são-tomenses, no ano 2008 o governo japonês ofertou ao país 4 mil toneladas de arroz.

Menos de um ano, o governo o governo conseguiu depositar numa conta aberta para o efeito o valor correspondente a 2/3 da venda do produto, ou seja, mais de 15 biliões de dobras, cerca de 700 mil euros. «Pela primeira vez se depositou na conta aberta no banco central para o efeito, os mais de 2/3 da receita de venda do arroz», afirmou Jorge Bonfim, director do comércio.

O acordo assinado entre os dois países e que institui o fundo de contra-partida, obriga que 2/3 das receitas resultantes da venda do arroz ofertado, sejam guardados numa conta bancária e o fundo deve ser destinado para financiar projectos de desenvolvimento social no arquipélago. 1/3 do valor deve suportar despesas de funcionamento do organismo que faz a gestão do produto ofertado.

No passado recente o montante equivalente aos 2/3 era devorado de forma anárquica, dando origem ao já famoso caso GGA.

Segundo o Director do Comércio, os mais de 15 biliões de dobras, cerca de 700 mil euros, depositados na conta aberta, vão ser aplicados no financiamento de projectos de adopção de água a população, restauração e construção de escolas e centros de saúde.

O arroz ofertado pelo Japão é vendido a preço acessível a população, para depois o resultado da venda reverter a favor da mesma população, através de tais projectos. O escândalo GGA existe exactamente porque no passado tais fundos que deveriam atender as necessidades das populações mais pobres foram desviados para fins particulares e de grupos.

O governo japonês que através da sua representação diplomática junto ao estado são-tomense está a fazer o balanço da gestão das 4 mil toneladas de arroz enviadas em 2008, anunciou para Setembro próximo o descarregamento no porto de São Tomé de mais 6 mil toneladas de arroz, num gesto de cooperação que visa apoiar o arquipélago a enfrentar a crise alimentar mundial.

A direcção do comércio acredita que com a chegada de mais 6 mil toneladas de arroz, o mercado nacional fica abastecido por mais de 1 ano.

Ainda no âmbito da cooperação bilateral, as autoridades japonesas decidiram investir mais de 120 mil euros na reabilitação e construção de novas salas de aulas nas comunidades de Abade e Nova Estrela, da região autónoma do Príncipe.

Abel Veiga