Sociedade

Crianças da Roça São João e arredores já têm jardim para crescer saudável e com inteligência

No quadro creches.jpgdo encontro internacional de desenvolvimento local, que decorreu na última semana em São Tomé, foi inaugurado um jardim-de-infância na roça São João. Uma infra-estrutura que fazia falta a população da roça e dos arredores. Um centro que pretende lançar as sementes para construção de novos homens e mulheres do sul de São Tomé.

O sonho tornou-se realidade. Concebida há 8 anos, a creche Espírito Santo na roça São João, já começou a treinar para a vida os futuros homens e mulheres de Caué. Apetrechado com meios didácticos e de recreação o jardim inaugurado no âmbito do primeiro encontro internacional do desenvolvimento local, nasce d parceria entre a Associação Roça Mundo e outros parceiros, nomeadamente o professor Jean Cambridge da escola superior de Santarem-Portugal e a santa casa da misericórdia. «Temos uma população infantil muito grande aqui em angolares. Depois temos muitos participantes de projectos nossos que têm crianças, e que não sabem onde coloca-las quando têm que trabalhar», afirmou Isaura Carvalho, presidente da Associação Roça Mundo.

Na creche são lançadas as sementes de um projecto que pretende reduzir a pobreza no sul de São Tomé. Os caminhos do desenvolvimento local começam a ser descobertos. «O desenvolvimento local pressupõe olhar para as comunidades na proximidade, cada comunidade com a sua especificidade, mobilizando-as para procurarem respostas aos seus problemas, para serem elas os actores principais do processo de mudança», explicou Rogério Roque Amaro, professor de economia no ISCTE.

Por isso mesmo as comunidades são orientadas a organizar-se em associações, que dêem voz aos seus planos de desenvolvimento. «Estamos em São João dos Angolares, que te m uma identidade cultural específica que não pode ser postas em causa, que não pode ser abafada e que tem que ser um valor de desenvolvimento, e fazer disto uma nova economia, uma economia de resposta aos problemas da comunidade», acrescentou.

Por sua vez a Presidente da Associação Roça Mundo, que organizou o fórum em parceria com instituições internacionais, a colaboração dos peritos internacionais ajuda as comunidades e as ONG locais a ter um olhar diferente sobre a realidade nacional. «Porque as vezes encerramo-nos demasiado nos nossos problemas e dá a sensação que ultrapassar esta barreira e dar o passo seguinte, torna-se uma coisa gigantesca, quando afinal um passinho era suficiente», frisou.

Uma realidade rica em recursos que precisam ser explorados para alcançar o progresso. «Nós as vezes não encontramos resposta para as questão que nos são colocadas. Eu tenho alguma dificuldade em perceber porque razão é que estamos como estamos com os recursos que temos. Mas também sei que enquanto cidadã são-tomense tenho a minha quota-parte de responsabilidade nisto. Temos que pensar que entre nós sociedade civil e os organismos do estado pode haver uma parceria muito rica e fundamental. Não temos que estar de costas viradas», enfatizou Isaura Carvalho.

Seguindo as ideias de desenvolvimento local, a associação Roça Mundo, já apresentou ao governo um projecto de criação de um parque ecológico em Caué. Preservação da natureza envolvendo a população é o objectivo da associação que acredita desta forma gerar valências económicas e sociais, para o bem comum. Ao mesmo tempo os armazéns do antigo cais da cidade de Angolares, estão a ser reabilitados para dar corpo a um centro turístico de pesca artesanal. Obra financiada pela cooperação espanhola.

Abel Veiga

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